Letras são como estrelas, a guiar o viajante disperso, a uma praia, porto, lugar qualquer, onde possa raiar o dia, onde almas, mentes, corações, possam se encontrar, viver um espaço de beleza maior...

11 de dez de 2009

O menino e o poeta, do meu amigo Miguel, romancista, cronista, poeta e também menino!

O poeta aos sent'anos

é como um menininho de sete

(só não pinta o 7).


O menino quer ter nove anos

pra soltar arraia grande, o cação,

que agora não consegue segurar.


Agora ele já tem doze e está querendo paquerar sua vizinha

(aquela menina de olhinho verde)

que nunca lhe deu bola.


O menino e o poeta se conheceram no parque

quando olhavam, deslumbrados,

o fascínio do lago azul.


Eles experimentam sentimentos iguais:

misto de ansiedade, êxtase, arrebatamento e mistério diante das águas profundas e das peripécias da vida.

Cruzam no tempo e no espaço suas almas mabaças.

O tempo! Ah! O tempo, esse vácuo abissal e fugidio

que ninguém retém

a não ser no eterno agora!


Continuam juntos. Mudos. Não carece palavrear.


Com doze anos o menino já entra em filme impróprio até catorze anos. Estão na fila do cinema. A atriz vai

aparecer nua.

Ambos sabem que vieram assistir a fita

só para vê-la pelada.


O menino quebra o silêncio:

- e o que você faz?

- eu também sou menino, responde o poeta.

- então sabe jogar gude?

- sim, muito bem.

- e jogar pião?

- sou craque: o pião roda – vivo – na palma da minha mão:

olhe só o calo que tenho no centro da palma direita.

- que barato! Vou contar aos meus amigos que conheci

um Campeão de Pião!


De repente o menino diz:

- sabe o que eu vou ser quando crescer?

- diga

- vou ser poeta!

- que legal! Mas você sabe o que faz um poeta?

- ah! Eu nem lhe conto. Meu avô era poeta e me explicou tudo.


E continuou o menino: poeta é um homem mágico, pois vê tudo ao contrário do que acontece. Vê colorido onde não tem cor, sente brisa no calor, os passarinhos fazem ninhos no seu ombro. O poeta sabe assoviar bem, pode andar nas nuvens e tocar a lua com o dedo. Se pegar uma flor murcha, ela ficará fresca e sedosa. O poeta diz coisas tão bonitas que nenhuma menina resiste. Namorada pra ele, é só escolher.


- Tudo isso lhe disse o seu avô?

- Isso e muito mais. Quer saber?


O poeta escreve estórias de borboletas amarelas e azuis, fala sempre em amor, sonha acordado pensando que está dormindo. É um porreta! Ele pesca “oré” nas pedrinhas que formam poça. Adora peixinhos vermelhos, céu azul anil, nuvens que formam bichos, e, se chove, ele gosta de se molhar. Poeta não usa guarda-chuva. Ele sabe escrever bonito e conhece tudo de rima: perdão com paixão, lerdeza com esperteza, bonito com infinito, namorada com encantada marisco com chuvisco e flor com amor. Vive no mundo da lua, dizia vovô, mas isso é mentira pois na lua só tem areia, São Jorge e o Dragão.


Pergunta o poeta: - e poeta ganha dinheiro?

- não! Ele não liga pra dinheiro

vive sempre na pindaíba. Ele só quer dar

felicidade, alegria e esperança a quem não sabe sorrir.


Ele nem vê telejornal pois só falam de tristeza.


- Muito bem disse o poeta. Acho que você escolheu certa sua vocação. Parabéns!


Estavam chegando ao guichê do cinema, quando – de repente o menino perguntou:

- e o senhor, o que faz mesmo na vida?

-Ah! Meu filho, eu também sou menino, sempre menino,

Pois – mesmo querendo - não sei nem consigo envelhecer.


Miguel Dias

migueld@uol.com.br

Cidade da Bahia, aos dias cinco de dezembro de 2009.

5 de nov de 2009

Eu feliz, por Raquel Gastaldi

Só por hoje, vou ser feliz,
Vou gritar e cantar, de qualquer maneira,
Quem sabe até plantar bananeiras,
Vou correr ao vento, ao sol, chuva ou luar,
Vou ser feliz e rezar,
Vou ser feliz e cantar,
Encantar-me no sorriso de uma criança,
Perder-me num olhar amigo,
Vou ser feliz, sem nada esperar,
Apenas isso, ser feliz,
Hoje vou ser feliz,
Ao lado de qualquer pessoa,
Que queira me acompanhar,
Neste largo e infinito,
Caminho de Amar,
Ser feliz sem cobrar,
Apenas isso,
Ser feliz...

enviado por Zélia

29 de out de 2009

A verdadeira mulher madura, por Marcial Salaverry

Temos que saber entender que a verdadeira mulher madura, como a denominação o indica, é como uma fruta madura, cheia de vida e de sabor, sendo uma fruta desejada por quem aprecia o verdadeiro paladar, por quem aprecia o melhor da vida.

Ela simplesmente viveu a vida, enfrentou os preconceitos que em outros tempos determinavam que a mulher apenas exercesse papéis secundários. Seu amadurecimento deu-se graças à alquimia do tempo, que foi moldando suas formas e sua mentalidade, foram mudanças forjadas a custa de muita luta, e principalmente uma dura luta interior, para poder se livrar de uma série de conceitos e preconceitos que lhes foram enfiados cabeça a dentro desde a mais tenra idade.

As jovens de hoje não podem fazer idéia do que foi a luta dessas encantadoras e sedutoras mulheres maduras de hoje, e foi graças a essas mudanças, que o seu espírito revela equilíbrio e harmonia, como em nenhuma outra fase da sua vida. Ela já viveu muita coisa, já passou por vicissitudes, já enfrentou muitos problemas e percalços, e agora quer que seu espaço e seu direito à vida, sejam devidamente respeitados. E quer viver a vida em sua plenitude, tendo pleno e total merecimento desse direito, ppis foi um direito adquirido com louvor.

Nada é promessa, nesta altura da vida, promessas não cabem mais, pois agora é chegado o momento de decisões e realizações. É o fazer, ou não fazer, ou serve ou não serve, eis que não pode mais aceitar enrolações, uma vez que seu tempo é de urgência.

O passado, o presente e o futuro nela se fundem para formar um tempo único: o momento presente. Não pode e nem quer se prender a fatos passados, nem tampouco se preocupa muito com o futuro. Quer viver o momento, e por isso procura escolher o que quer para o hoje, sendo portanto bem seletiva na escolha de suas companhias. Sabe o que quer e o que busca, e então vai à luta, em todos os pontos de vista, e assim, quem insistir em desconhecer essa sua maneira de encarar a vida, ou não for capaz de identificar que a fruta encontra-se no seu ponto certo, perderá a oportunidade e estará excluído de usufruir sua companhia.

A fruta é madura, mas para colhê-la é preciso conhecer o momento devido, sem precipitação, é algo que necessita ser feito com muito tato, cuidado e carinho, pois não se pode ser afoito, nem tampouco lento demais, tem que ser decidido, mas chegar no tempo certo, e certamente isso exige um certo conhecimento da alma feminina.

Saibam que ela, por mais frágil que aparente ser, é muito segura e senhora de si, sabendo o momento certo de agir, e o faz com charme e elegância. Delicada e incisivamente, e não aceita “pisadas na bola”.

Do ponto de vista sexual, ela tem a aprender tanto quanto a ensinar, o que estabelece um equilíbrio no relacionamento. E tudo o que faz, ela o faz como opção. Faz o que quer, como e quando quer, sem desvarios ou arrependimentos. Guia-se pela sensatez, e pelo desejo.
Ela não se envergonha da sua idade, muito pelo contrario, orgulha-se dos anos vividos e de ser fruta madura.

Mas mesmo que nada diga, lamenta, interiormente, que haja quem se contente em colher uvas verdes. Lamenta principalmente por ver que não sabem lhe dar o devido valor. Mas passa airosamente sobre tais fatos, pois sabe perfeitamente que a melhor maneira de prender o parceiro, é fazendo-o pensar que o deixa livre. Não impõe a companhia, apenas faz-se sentir necessária. Mostra-se criativa. Faz com o parceiro a veja em sua plenitude, ficando a seu lado por desejá-la e não por aturá-la.

Afinal é uma mulher total, e como tal quer sentir-se valorizada, pois sabe ser companheira, sendo aquela que compartilha a vida, que vive ao lado, e não procura passar à frente, mas tampouco admite ficar para trás. Tem bagagem de vida e sabe aproveitá-la, pois soube extrair da vida todas as lições, e agora as usufrui. Sabe viver enfim.

Essa é a verdadeira mulher madura. Sorte daqueles que sabem reconhecer, e dão o devido valor à sua companhia. Quando amam, são incomparáveis. Quando querem conquistar, o fazem com arte e decisão. E em sua companhia, é muito fácil ter-se UM LINDO DIA.

enviado por Zélia

7 de out de 2009

Eterno feminino

Sou tua deusa,
desalmada e franca,
tua mãe e irmã,
tua tia e prima.

Sou tua mulher,
tua amiga,
tua amante,
sou tua filha.

Não me desonre,
sou aquela que vês em teus sonhos,
sou aquela que vive em teus medos,
sou aquela que nasceu antes de ti e ficará depois.

Sou bruxa e santa,
sou virgem e perdida,
estou ao teu lado
mas não me perca de vista.

Estou por aqui
por todo lado.
Estou a cuidar, estou a brincar,
a cantar e a dançar.

É uma pena que não me compreendes,
pois perdes mais da metade da vida,
sem saber de mim
que estou a teu lado.

Já me vou,
mas sempre estarei por aqui.
Se buscares me encontrarás,
e a todo encanto da vida.
Eu sou o eterno feminino.

5 de out de 2009

Um dia...

Não me incomoda envelhecer,
com secam e caem as flores,
como tudo que nasce e um dia tem que partir,
e caminha lentamente para seu fim.

Posso me ver como velha anciã,
longos cabelos brancos,
os olhos grandes e calmos,
profundos lagos...
Ou como senhora,
digna e conhecedora de almas...
Ou madura,
ainda cheia de vida, de sonhos que jamais envelhecem!

Só me incomoda envelhecer se eu não puder rir e brincar,
escrever poesias de amor insanas,
ouvir todas as canções de alma,
dançar toda a alegria que vai no coração.

Se eu não puder,
muito abraçar e beijar,
pegar nas tuas mãos,
olhar em teus olhos e não me emocionar.
Então não valerá à pena viver e envelhecer,
se não for para admirar todas as flores,
ouvir o canto dos muitos pássaros que vem me ver,
sentir o cheiro da terra molhada da chuva que agora cai...

Um dia, quando eu envelhecer,
quero voltar a ser a criança peralta que não fui,
quero ainda fazer tudo aquilo que ainda não deu,
quero ser cada vez mais jovem por dentro,
amante da vida e de toda a beleza que há na vida,
pois a velhice chega por fora,
mas não encobre e eterna meninice,
da alma sonhadora que mora dentro da gente!

28 de set de 2009

Brilho

Olho pela janela de vidro embaçado,
Lá fora a neve cai e tudo está branco,
Aqui dentro faz calor
e sei que estou segura.

Mas como resistir a este chamado?
Como deixar de ver o brilho deste dia?
E não deixar o vento frio e fresco entrar em meus pulmões?
Marcar de novo minhas pegadas neste caminho que é sempre novo,
e que me levará a um lugar mais profundo do meu Ser.
Aventurar,
Arriscar tudo que sei,
Somente para ir mais adiante,
e além,
de tudo que sei, de tudo que penso que sou.

E não há mais porque ficar,
o dia me chama,
a vida me inflama,
e já é hora de partir.

25 de set de 2009

Som e luz

Ouça a canção que chega com o vento,
que toca nossa alma tão suavemente,
como as folhas que o vento derruba,
pois somos som e luz,
eu e tu.

Ouça estas palavras,
como letras douradas que caem girando,
e explodem como bolhas de sabão,
pois somos som e luz,
eu e tu.

Ouça o murmúrio do mar,
e se lembre,
que nós já estivemos lá,
pois somos som e luz,
eu e tu.

E quando a chuva cair,
saia na rua e se deixe molhar,
pois somos parte de tudo que há,
para sempre som e luz,
eu e tu.

Então dance,
ou deixe a alma dançar,
como as estrelas dançam,
nós também, embevecidos por toda beleza que há,
havemos de dançar,
pois somos todos som e luz,
os de lá, e os de cá.

Nem mais erro, pura tentativa!

Desculpe meu amor imperfeito,
que é grande por dentro,
mas que sai aos pedaços por fora...

Estou aprendendo...
Estou aprendendo...
Aprendendo a amar.

Que se fácil fosse,
o mundo já seria paraíso,
nem mais um choro, tudo riso!

Lá vou eu de novo recomeçar,
juntar cacos aqui e acolá,
sempre tentando te amar!

Junto as peças com carinho,
nem mais cola, argamassa!
Quero ver se agora quebra!

Que nada,
até parece que a gente sabe alguma coisa,
tem sempre mais quando viro a esquina.

Só sei que continuo,
mais uma vez tentando te amar,
aprendendo no encontro e desencontro,
mas um dia eu chego lá!

24 de set de 2009

Alma minha


Já passou tanto tempo, e agora esta experiência me vem a mente, talvez a martelar alguma resposta. Nunca mais vi o mundo daquele jeito, e não sei se tornarei a ver um dia, mas a verdade é que minha consciência se expande, e eu me torno muito maior do que sou.

A verdade é o inverso disso, o que sou - ou o que pareço que sou - é do tamanho de um dedal, comparado ao que realmente sou, esta alma grande e infinita, eterna viajante intergaláctica...

É sempre bom quando tomo tento da alma, e ela de mim, e me carrega num coração grande que quer se derramar, deixar sua luz tomar conta do mundo...

Depois passa, como tudo, deixa-me de volta no mesmo lugar em que me tomou. Cá estou eu procurando o amor que preenchia meu coração, e que zarpou...

Não sei onde vou parar, se é que vou parar em algum lugar. Eu tento permanecer por aqui, há tanto a fazer, tanto a descobrir, tantos mistérios por desvendar.

E não há nada a fazer, ensinam-me esta entrega, total, sem expectativas, sem um cadinho de frustração, e eu, tento aprender...

23 de set de 2009

Mistérios


Nunca até aqui contei para alguém esta história, mas agora vou contar, não sei por quê. Cada um entenda como quiser, ficção, fantasia ou a mais pura verdade.

Eu tinha somente onzeou doze anos, era uma garota tímida, e naquele fim de tarde voltava do colégio para casa de ônibus. Lembro-me de ter pago e passado a roleta, e de pé aguardei a chegada ao ponto, frente à praça que ficava frente ao prédio em que eu morava.

E então algo havia mudado, o mundo de repente funcionava em uma outra dimensão. Parecia que todas as imagens eram parte de uma pintura bidimensional. Atravessei a rua admirando tudo aquilo que era novo para mim. Por dentro uma paz imensa, colossal.

Entrei no prédio, no apartamento, em meu quarto, e deitei na cama com a cabeça nos pés da mesma, olhando pela janela a noite que chegara, as cortinas, as paredes e o teto.

A imagem continuava chapada, cheia de novo brilho e cores, e por dentro aquela imensidão, então pensei que naquele momento o mundo inteiro poderia desabar e não faria a menor diferença.

Conclui que mesmo sendo tão inteiro aquele momento, sem caber em tempo algum, ele não tinha muita utilidade para a vida. Como viver a vida sem se importar se o mundo vai acabar seja lá como for?

Não, não tinha a menor utilidade, mas mesmo assim eu adorei, e quando dali à pouco ele cedeu lugar ao mundinho de sempre, eu fiquei esperando, agarrando-me à esperança de voltar àquele estado em que o tempo congelou e a realidade quase se dissolveu diante de meus olhos adolescentes.

Até hoje, passados tantos anos, eu não sei dizer o que foi aquilo que um dia vivi. Deve fazer parte do arquivo de mistérios que um dia irei abrir.

Escrito por Regina Brett, 90 anos, Cleaveland, Ohio


"Para celebrar o envelhecer, uma vez eu escrevi 45 lições que a vida me ensinou. É a coluna mais requisitada que eu já escrevi. Meu taxímetro chegou aos 90 em agosto, então, aqui está a coluna, mais uma vez:

1. A vida não é justa, mas ainda é boa.

2. Quando estiver em dúvida, apenas dê o próximo pequeno passo.

3. A vida é muito curta para perdermos tempo odiando alguém.

4. Seu trabalho não vai cuidar de você quando você adoecer. Seus amigos e seus pais vão. Mantenha contato.

5. Pague suas faturas de cartão de crédito todo mês.

6. Você não tem que vencer todo argumento. Concorde para discordar.

7. Chore com alguém. É mais curador do que chorar sozinho.

8. Está tudo bem em ficar bravo com Deus. Ele agüenta.

9. Poupe para a aposentadoria, começando com seu primeiro salário.

10. Quando se trata de chocolate, resistência é em vão.

11. Sele a paz com seu passado, para que ele não estrague seu presente.

12. Está tudo bem em seus filhos te verem chorar.

13. Não compare sua vida com a dos outros. Você não tem idéia do que se trata a jornada deles.

14. Se um relacionamento tem que ser um segredo, você não deveria estar nele.

15. Tudo pode mudar num piscar de olhos; mas não se preocupe, Deus nunca pisca.

16. Respire bem fundo. Isso acalma a mente.

17. Se desfaça de tudo que não é útil, bonito e prazeroso.

18. O que não te mata, realmente te torna mais forte.

19. Nunca é tarde demais para se ter uma infância feliz. Mas a segunda só depende de você e mais ninguém.

20. Quando se trata de ir atrás do que você ama na vida, não aceite "não" como resposta.

21. Acenda velas, coloque os lençóis bonitos, use a lingerie elegante. Não guarde para uma ocasião especial. Hoje é especial.

22. Se prepare bastante; depois, se deixe levar pela maré...

23. Seja excêntrico agora, não espere ficar velho para usar roxo.

24. O órgão sexual mais importante é o cérebro.

25. Ninguém é responsável pela sua felicidade, além de você.

26. Encare cada "chamado" desastre com essas palavras: Em cinco anos, vai importar?

27. Sempre escolha a vida.

28. Perdoe tudo de todos.

29. O que outras pessoas pensam de você não é da sua conta.

30. O tempo cura quase tudo. Dê tempo.

31. Indepedentemente de a situação ser boa ou ruim, irá mudar.

32. Não se leve tão a sério. Ninguém mais leva...

33. Acredite em milagres.

34. Deus te ama por causa de quem Ele é, não pelo que vc fez ou deixou de fazer.

35. Não faça auditoria de sua vida. Apareça e faça o melhor dela agora.

36. Envelhecer é melhor do que morrer jovem.

37. Seus filhos só têm uma infância.

38. Tudo o que realmente importa, no final, é que você amou.

39. Vá para a rua todo dia. Milagres estão esperando em todos os lugares.

40. Se todos jogássemos nossos problemas em uma pilha e víssemos os de todo mundo, pegaríamos os nossos de volta.

41. Inveja é perda de tempo. Você já tem tudo o que precisa.

42. O melhor está por vir.

43. Não importa como vc se sinta, levante, se vista e apareça.

44. Produza.

45. A vida não vem embrulhada em um laço, mas ainda é um presente "

enviado por tia Zélia.

20 de set de 2009

poema de Luan Jessan

Por fora,
tenho tantos anos
que você nem acredita.
Por dentro,
doze ou menos,
e me acho mais bonita.
Por fora, óculos,
algumas rugas,
gordurinhas,
prata nos tintos cabelos.

Por dentro sou dourada,
alma imaculada,
corpo de modelo.

Por fora, em aluviões,
batem paixões contra o peito.
Paixões por versos,
pinturas, filosofia
e amigos sem despeito.

Por dentro,
sei me cuidar,
vivo a brincar, meio sem jeito.
Não me derrota a tristeza,
não me oprime a saudade,
não me demoro padecente.

E é por viver contente que
concluo sem demora:
É a menina que vive por dentro,
que alegra a mulher de fora!

poema de Luan Jessan, enviado por Meg

7 de set de 2009

Palavras

Há momentos em que me basta o mundo,
o cotidiano de todas as coisas,
no tempo inexoravelmente passageiro.
Então as palavras se calam...

Há outros em que ouso abrir as asas,
as grandes asas de minha alma viajante,
e sobrevoar o mundo no azul silencioso de meu ser.
E já não há lugar para palavra alguma...

Mas,
mesmo que nunca me canse do silêncio exato de todas as palavras,
deixo borbulhar algumas neste papel virtual.
Talvez a alma tenha alguma coisa a dizer...

E queria seguir o tênue fio que me leva,
a um espaço escondido, imerso,
no tumulto ou letargia de meus pensamentos,
encontrar, quem sabe? outro lugar...

Será de silêncio, ou de palavras?
Será branco e brilhante como a morte,
ou colorido e cheio de ruídos como a vida?
Onde será que minhas reveladas palavras irão me levar...

Já é um começo, ou recomeço.
É um caminho por um fio,
delicado e tênue como o vôo de uma borboleta.
Ninguém sabe onde vai dar, haverá sempre uma supresa!

13 de jul de 2009

Para que eu exista


Carne, carne, carne!
Faça-se, torne-se, exista de uma vez por todas!
Cansei de karma,
cansei de todas as coisas que não me deixam ser!

Carne, que anseia por vida,
cheia de vida,
macia, doce, perfumada!

Carne, bela em todas as formas,
em todas as cores,
de todos os jeitos e trejeitos.

Carne, que aguarda todos os toques,
cheia de sensibilidade,
de verdades, de amores.

Carne, que se desfaz de todas as memórias
que já não servem mais,
para ser tão somente o receptáculo mais belo e sensível
do meu ser...

Carne, carne, carne,
Eu peço, eu mantro, eu canto, eu danço,
para que me encantes!

Que sem ti, nada sou,
nada posso.
Sou sombra acuada,
vida que anseia vida.

Se é preciso morrer para nascer,
eu já morri;
desejo nascer em ti,
ensina-me a viver...

Então que venha,
que se renove,
que resplandeça.

Seja carne, seja vida,
frescor, vida, beleza.
Vamos juntas tocar a jornada,
nosso caminho vai dar no sol!

26 de mai de 2009

Anjo Solar


Amado Anjo
que me veio de presente,
trouxe de surpresa tanta luz,
tanta luz, tanta luz...

Amarelo solar!
Desce suas asas sobre mim,
ou me carrega nelas para teu sol!

Tão doce e fugaz tua presença,
mas eu queria nunca mais perder-te,
nunca mais ficar sem a imensidão de teu poder!

Quimeras humanas!
Ah, anjo de tanta luz!
Que visita boa me fizestes!

Não me deixes,
já que agora sou cativa de teu amor...
Como te esquecer?
Como pode esquecer quem te conhece!

Então estou aqui.
As ordens, como quiseres.
A espera de tua vinda,
já não há mais silêncio em minha alma!

18 de mai de 2009

Vida efêmera

Tudo vão,
palavras vãs,
que como folhas mortas
caem no chão.

Contradição da alma,
que para Ser
precisa viver,
e ao mesmo tempo deixar-se morrer.

Tudo em vão? Eu sei que não.
Viver é preciso,
como é preciso amar,
e entregar-se ao amor.

Como é preciso
deixar-se levar pela brisa leve da tarde,
derreter aos raios do sol,
para brilhar à luz do luar...

Como é preciso
dissolver-se nas águas profundas do mar,
deixar-se levar na correnteza do rio,
viver a vida efêmera de uma flor...

Viver é preciso,
deixando-se morrer em cada instante,
para de uma pequena borboleta
ser o vôo fugaz e impreciso.

16 de mai de 2009

Shangri-La

Quem és tu,
que finge não me ver,
não tomar conta de minha existência
ao teu redor.

Quem és tu,
que finge ler, ouvir música,
nada saber,
de mim ou de tu mesmo.

Quem és tu,
que caminhas ao lado,
achado ou perdido,
que tira fotos do que não vê.

Quem és tu, se me ignoras,
se não me olhas,
se não me sabes,
e se não sabe que eu também sou tu.

Querido amigo, amiga, quase desconhecidos.
Eu te olho, eu te vejo,
e se desconheço tua dor, tua alegria e tristeza,
se nada sei de tua vida, ainda sou igual.

Caminhamos, juntos ou separados,
por entre flores ou espinhos,
e tua dor e sorriso não é diferente para mim,
nem tão pouco indiferente.

Caminhamos buscando a luz,
um pouco de paz, de amor de verdade,
querendo conhecer o que não sabemos.
Somos tão iguais!

Vem,
me dê a mão,
o seu olhar.
Vamos juntos procurar
o caminho para Shangri-La.

26 de abr de 2009

Meus braços longos


Minha mente é ágil
para alcançar os sonhos...
Meu braços longos para abraçá-los,
e tenho um coração corajoso,
para realizá-los.

Sei que tu ainda não compreendes minha alma,
que é grande dançarina,
que brinca no universo que tu não sabes!

Sei que tu me vês em pequenos ângulos,
quando meu horizonte é vasto...
E que tropeças nos passos desta dança,
que eu ensaio alegremente...

Mas não vou desistir,
de revelar meu coração
nos versos que tu não ousas ler.

Não há porquê
te querer mal por causa disso.
Há tanto mais,
e tanta luz e tanto amor!

Em meus braços longos,
vou te enlaçar,
e aguardar o dia de um despertar.

19 de abr de 2009

Astronauta

Sou buscadora de mim mesma,
eternamente...
Sei que aqui dentro um universo inteiro
espera ser reconhecido.

Como astronauta desvendo o espaço,
como um mergulhador
nado nas profundezas do oceano de meu ser...

Há tanta luz, e trevas.
Tanto temor e coragem,
Tanto amor em meio a dor.

Busco a mim,
como quem busca um deus
a se revelar, a se transformar,
a se descobrir, a se realizar.
Busco trazer à luz deste dia
o deus interior.

E sei que no caminho serão muitos os desafios,
e dilemas a viver.
Sei também que haverá amizade,
e ternura,
e muitas mãos a me erguer.

E sei que não acharei as soluções
em nossa imperfeita humanidade,
mas haverá mais luz e compaixão,
mais alegria e inteireza,
mais verdade e consciência.

Onde vai dar este caminho?
Em um momento em que gesta o silêncio e a paz,
para depois acordar, renascer,
em outro caminho ainda maior,
repleto de novos desafios e dilemas...

É assim mesmo, vamos em paz,
que a viagem é grande.
Mas na noite estrelada os anjos velam por nós.

13 de abr de 2009

Escolhas

A vida é bela e perfeita em seu ciclo fugaz,
eu sou eterna...
Minha alma é livre,
como sempre foi e será.

É minha escolha viver as ilusões
que meu pequeno eu insiste em me mostrar,
ou escolher abrir meu coração a este momento,
e torná-lo eterno...

Só há uma verdade,
a de que este mundo é a realização de nossas escolhas.
Só há uma lei universal,
a de que caminhamos inexoravelmente para a luz.

Minha vida parece imperfeita,
tão somente para esconder
a perfeição dos caminhos
que para minha alma tracei.

A paz se faz
quando desisto de resistir a tudo que simplesmente é,
quando decido soltar as amarras e tensões
que acumulei sobre meu corpo.

Talvez seja um longo caminho
este que honestamente escolhi,
talvez esteja logo ali.
Cabe a mim caminhar.

1 de abr de 2009

Bodas III

O dia partiu,
e a noite sem estrelas chegou,
mas meu Amado não.
E eu estou a esperar...

Os dias nascem, e partem,
as noites chegam, e se vão,
e eu estarei a esperar.

Haverá espera mais doce?
Entrega mais perfeita,
que a da amada que aguarda docemente
o seu Amado?

Pode-se passar assim uma vida,
ou muitas,
na espera do sem-tempo.

E tudo para,
e os astros já não se movem mais,
enquanto ela aguarda seu Amado.

E não há pressa,
apenas a espera,
a doce espera do Amado.

Pois Rumi contagiou-me com seu ardor,
e eu que nem sei rodar, nem mais dançar,
só sei esperar o meu Amor.

Bodas II


Vem minha amiga!
Que a hora é esta, e eu estou a te esperar.
Corre para aprontar-te, dê-me a tua mão,
e chama todos os teus.

Esta festa é para todos os que vierem,
e sentaremos todos a mesa,
e beberemos do mesmo vinho.

Pois hoje é o dia de minhas núpcias,
há muita fartura e muitas flores,
e quero chamar todos os meus amigos.

Hoje é o dia mais jubiloso de minha vida,
e se tu não vieres sentirei tua falta,
mas não deixarei para amanhã a festa de agora.

É meu coração que está em festa,
é minha alma que canta,
são minhas mãos que quero dar.
Esta festa não é minha,
é de todos nós.

Vamos dançar por toda a noite,
e as estrelas serão testemunhas de nossa alegria e nosso amor.
Quando o dia enfim raiar,
vai nos encontrar a todos unidos em um só coração,
iluminado pelos raios de um novo sol.

Bodas


Como a noiva aguarda o noivo
eu estou a lhe esperar.
Em minha túnica alva,
com meus pés descalços,
sento no chão deste lugar tão claro,
à espera de meu amor.

As cortinas brancas balançam ao vento,
minha alma está perfumada.
Não há tempo algum para que Ele chegue,
mas mesmo que eu tivesse que esperar por mais cem anos,
ainda seria pouco.
Mesmo que fossem mil ou dez mil,
há muito mais eu Lhe espero.

Mas já ouço a trovoada de cem cavalos velozes,
e ao longe posso ouvir os anjos a cantar,
enquanto suas trobetas ameaçam cortar os céus.
Em paz estou a Lhe esperar.

Meu Noivo não tem rosto,
nem tampouco mãos para me tocar.
Quando chegar bem poucos o saberão,
e a aliança que teremos não será deste mundo.

É para este momento minha espera,
é para então o silêncio de minha alma,
é para Te encontrar
o espaço em meu peito.

Meu amor Te aguarda,
pois lá fora as laranjeiras já estão em flor,
e os vinhedos prontos para a colheita.
O vinho está na mesa,
e antes que o dia parta e a noite chegue estrelada,
eu estou a Te esperar.

30 de mar de 2009

Silêncio


Silêncio,
silêncio!
Agora começo a compreender,
esta fome, esta sede,
vinda de algum lugar distante (tão próximo!)

Silêncio,
busco o que não está nas palavras,
no barulho do mundo.
o que está além, além, além...

Silêncio,
para que eu escute
o que está dentro,
o que murmura esta canção...

Pode ouvir?
Está além da audição,
desse tempo, desse lugar comum,
de tudo que conhecemos.

Silêncio,
mesmo que nos tomem como loucos,
não importa, eles nada sabem,
loucos são os que vivem neste tempo,
nas palavras que nada dizem do que é verdadeiro.

Deixe-os com os seus pares,
com seus barulhos.
Vem comigo a algum lugar
descobrir este segredo,
mergulhar em todo mistério.

É lá, é lá que está,
Eu sei, você também,
o caminho verdadeiro,
que nos levará ao grande mar.

28 de mar de 2009

Versos do coração

Ouso soltar meus versos,
novamente.
Já muito os podei,
quando tenros brotos ameaçavam crescer.

Como se fossem ervas daninhas,
que não são.
Apenas os cortei porque pensei tornar assim
este coração um pouco mais compreensível.

É que meu coração é de poeta enternecido,
vaga como louco nos versos de Rumi,
é prenhe de Deus como em Francisco,
mas como compreender um coração assim ininteligível?

É nas nuvens brancas que vagam meus versos,
é no canto dos pássaros que aqueço meu coração,
é na dança das folhas ao vento que bailam meus pés,
é no céu estrelado que se perde meu olhar...

Quem sabe os deixo crescer,
maturar sonhos, mesmo impossíveis,
deixar a alma livre,
e o coração sensível, sincero!

24 de mar de 2009

Cora Coralina


Hoje não quero ser a mulher forte de atitude, a leoa sedutora, a que luta, defende, conquista, consola, abriga... Hoje eu quero deixar que a mulher sensível, delicada, romântica, frágil... seja vista e sentida!
Quero carinho, abraço, colo...Quero braços que me envolvam, protejam, abriguem. Quero um corpo onde possa me aconchegar, um ombro, uma mão que acaricie meus cabelos, olhos que vejam minhas lágrimas rolarem no meu rosto quando falo dos meus temores, medos... uma boca que me diga palavras de ânimo e esperança e que me beijem com amor e desejo! Quero olhos que vejam minha fragilidade, que me admirem por ser delicada e que não desejem que eu tenha que ser forte o tempo todo! Quero ser admirada, notada e quero que me queiram por também ter um lado frágil. Quero que me admirem por ser mulher na total essência, não só o lado leoa, mas o lado beija-flor e também flor! O lado que necessita do outro, que também precisa receber! Quero hoje a fragilidade de ser Mulher !!!


Cora Coralina (enviado por Selme Cristine)

Carlos Drummond de Andrade

Desejo a você
Fruto do mato
Cheiro de jardim
Namoro no portão
Domingo sem chuva
Segunda sem mau humor
Sábado com seu amor
Filme do Carlitos
Chope com amigos
Crônica de Rubem Braga
Viver sem inimigos
Filme antigo na TV
Ter uma pessoa especial
E que ela goste de você
Música de Tom com letra de Chico
Frango caipira em pensão do interior
Ouvir uma palavra amável
Ter uma surpresa agradável
Ver a Banda passar
Noite de lua Cheia
Rever uma velha amizade
Ter fé ....
Não ter que ouvir a palavra não
Nem nunca, nem jamais e adeus
Rir como criança
Ouvir canto de passarinho
Sarar de resfriado
Escrever um poema de Amor
Que nunca será rasgado
Formar um par ideal
Tomar banho de cachoeira
Pegar um bronzeado legal
Aprender um nova canção
Esperar alguém na estação
Queijo com goiabada
Pôr-do-Sol na roça
Uma festa
Um violão
Uma seresta
Recordar um amor antigo
Ter um ombro sempre amigo
Bater palmas de alegria
Uma tarde amena
Calçar um velho chinelo
Sentar numa velha poltrona
Tocar violão para alguém
Ouvir a chuva no telhado
Vinho branco
Bolero de Ravel
E muito carinho meu

enviado por Jane

8 de mar de 2009

Os versos místicos do poeta sufi Rumi



Oh, dia, levanta! Os átomos dançam,
as almas, loucas de êxtase dançam.
A abóbada celeste, por causa deste Ser, dança,
Vem, ao ouvido te direi aonde leva esta dança.



Vê como as partículas do ar,
E os grãos de areia do deserto giram desnorteados.
Cada átomo, feliz ou miserável,
gira apaixonado, em torno do sol.




Vem, vem,
seja tu quem fores,
não importa se um infiel, um idólatra,
ou um adorador do fogo.




Vem,
nossa irmandade não é um lugar de desespero,
vem, mesmo tendo violado teu juramento cem vezes,
Vem assim mesmo!




Ninguém fala para si mesmo em voz alta,
já que somos todos um,
falemos deste outro modo.
Os pés e as mãos conhecem o desejo da alma.

Fechemos pois a boca e conversemos através da alma,
só a alma conhece o destino de tudo,
passo a passo.
Vem, se te interessas, posso mostrar-te.



Sofreste em excesso,
por tua ignorância,
carregaste teus trapos de um lado para outro,
agora fica aqui.

Na verdade, somos uma só alma, tu e eu.
Nos mostramos e nos escondemos, tu em mim, eu em ti.
Eis aí o sentido de minha relação contigo,
Porque não existe, no tu e eu, nem eu, nem tu.



Se busco meu coração, o encontro em teu quintal,
Se busco minha alma, não a vejo a não ser nos cachos de teu cabelo.
Se bebo água, quando estou sedento
Vejo na água o reflexo do teu rosto.
enviado por Stella

3 de mar de 2009

Esta é do Jabor, sobre a Bahia, e diz tudo...


Colunista em crise não consegue voltar das férias ...

Não consigo ir embora da Bahia. Acabaram minhas férias e continuo aqui. Mesmo que eu viaje depois do Carnaval, levarei a Bahia comigo.

Não se trata de louvá-la; quero entendê-la, não com a cabeça, mas com o corpo, com as mãos, com o nariz, entender como um cego apalpa um objeto, entender por que este lugar é tão fortemente estruturado em sua aparente dispersão.

Aí, descubro que, ao contrário, a Bahia me ajuda a "me" entender. Não sou eu quem olha; a Bahia que me olha de fora, inteira, sólida, secular, a paisagem me olha e fica patente minha alienação de carioca-paulista, fica evidente meu isolamento diante da vida, eu, essa estranha coisa aflita que está sempre entre um instante e outro, sem nunca ser calmo, inconsciente e feliz como um animal.

Na Bahia, vejo-me neurótico, obsessivo, sempre em dúvida, ansioso. Gostaria de estar na praia de Buraquinho, quieto, dentro do mar, como um peixe, como parte da geografia e não fora dela. Ninguém aqui se observa vivendo. Salvador não é uma "cidade partida"como é o Rio, nem a cidade que expele seus escravos, como São Paulo,que um dia será castigada, estrangulada por sua periferia. Aqui, de alguma forma misteriosa, os pobres e negros, mesmo sem posses, são donos da cidade.

A cultura africana que chegou nos navios negreiros, entre fezes e sangue, parece ter encontrado a região "ideal" neste promontório boiando sobre o mar, batido de um vento geral, para fundar uma cidade erótica e religiosa, plantada nos cinco sentidos, fluindo do corpo e da terra. Os casarios subiram os montes, desceram em vales por necessidades dos colonos e dos escravos do passado, o espaço urbano foi desenhado pelo desejo dos homens.

A Bahia foi o lugar perfeito para a África chegar. Tudo se sincretiza, natureza e cultura. Espírito e matéria se unem como um bloco só, amores e vinganças fluem no sangue dos galos e dos bodes, esperanças queimam nas velas de sete dias, todas as coisas se amontoam num grande procedimento barroco de não deixar vazio algum, nada que sobre, que fique de fora, nada que isole matéria e gente.

Os deuses não estão no Olimpo; são terrenos e florestas, estão na rua, no dendê, dentro da planta. Consciência e realidade não se dividem, o povo e o mundo são a mesma coisa, e isso aplaca as neuroses, as alienações das mega cidades onde o homem é um pobre diabo perdido no meio dos viadutos. Como nas fotos do Mário Cravo Neto, tudo se une em um só bloco: o alvo pato e a mão negra, a mulher nua e a pedra, o nadador, o sol e a água, as frutas, os cestos e as bocas, as plantas e os pés, os búzios e os segredos, os santos e os orixás, as mãos e o tambor, a fome e a carne, o sexo e a comida.

Tenho uma espécie de inveja e saudade desta cultura integrada, dessa sociedade secreta que vejo nos olhares das pessoas falando entre si, uma língua muda que não entendo, tenho inveja da palpabilidade de suas vidas materiais, tenho inveja da grande tribo popular que adivinho nos becos e ladeiras, das pessoas que riem e dançam nas beiras de calçada, que se amam na beira do mar, tenho inveja desta cultura calma que vive no "presente", coisa que não temos mais nas "cidades partidas", sem passado e com um futuro que não cessa de não chegar.

Nesta época maníaca e americana, que se esvai sem repouso, aqui há o ritmo do prazer, a "sábia preguiça solar" de que falou Oswald e que Caymmi professa. A civilização que os escravos trouxeram criou esta "grande suavidade", este mistério sem transcendência, este cotidiano sem ansiedade, esta alegria sem meta, esta felicidade sem pressa. Aqui a cultura vem antes da lei. Aqui o soldado na guarita é um negro com passado e orixás, dentro da roupa de soldado. O bombeiro, o vendedor, o pescador, o vagabundo se comunicam e existem antes das roupagens da sociedade. Até se travestem, se fantasiam deles mesmos nos horrendo resorts caretas da burguesia, mas não perdem a alma para o diabo, defendidos pela vigilância de seus Exus.

A sinistra modernidade tenta adquirir a Bahia, possuí-la, apropriar-se das praias, das ilhas, dos panoramas. Mas mesmo o progresso urbano e tecnológico aqui fica domado de certo modo pela cultura, que resiste a esses embates.Os balneários turísticos aqui me parecem meio patéticos, meio Maiami na vivência luxuosa dos acarajés, camarões e uísques trazidos por serviçais iaôs e mordomos de cabeça feita.

Aqui não se vêem os rostos torturados dos miseráveis do Rio e São Paulo: a pobreza tem uma religião terrena costurando tudo. As festas do ano inteiro não são diversionistas, orgiásticas, para"divertir" - são para integrar. As festas têm uma religiosidade pagã, sem sacrifícios, sem asceses torturados de olhos virados para o céu. Nada sobrou do barroco europeu sofrido; prosperou o barroco gordo, pansexual, com as frutas, os anjinhos nus, os refolhos e os européis invadindo o convulsivo barroco da contra-reforma, com as curvas carnavalescas nas igrejas cheias de cariátides peitudas, sexies, gostosas, como as mulatas do Pelourinho.

Não é uma sociedade, mas um grande ritual em funcionamento. O Brasil aflito, injusto, imundo, inóspito devia aspirar a ser Bahia. Aqui dá para esquecer o jogo sujo do Congresso em Brasília, revelando a face oculta dos bandidos com imunidade, emporcalhando a democracia, aqui você não morre afogado na enchente da marginal do Tietê, nem o Ronaldinho é assaltado com revólver na cabeça.

Não conheço lugar mais naturalmente democrático. E, por isso, não consigo ir embora.Vou comprar uma camiseta "NO STRESS" e ficar bebendo um frappé de coco para sempre.


Arnaldo Jabor - Porto da Barra - Salvador

enviado por meu amigo Miguel, lá da Bahia, é claro!

15 de fev de 2009

Parem o mundo


Parem o mundo, eu quero descer...
Quero ser pedra, imóvel, impávida,
testemunhar o dia nascer,
sentir a chuva fria cair, o vento,
secar ao sol, ver o dia partir,
quero ver as estrelas na madrugada,
nas enchentes submergir ,
ver os peixes do mar...

Parem o mundo, cansei de ser gente,
não quero falar, deixar de ser,
não mais me trocar, tomar banho,
escovar dente...

Parem o mundo, deixe-me fugir,
por um instante fugaz,
sem que ninguém dê por falta de mim,
só um instante,
eterno, imanente,
de subir aos céus,
ficar no silêncio, no escuro do universo...

Um pouco de vacuidade,
de nada ser, tudo,
saber que o que parece ser,
não é,
tudo miragem...

Só desejo acordar,
do sonho que chamam vida,
despertar no instante real
chamado Deus.

Amor e dor


Descubro o amor humano,
pura perplexidade e espanto,
descobrir meu corpo no teu,
num instante de prazer e dor.

O amor é feito da terra macia do teu corpo,
do sopro quente do teu hálito,
da água nascente de tua boca, de teu sexo,
do som ritmado do teu coração junto ao meu...

Mas também há a luz do teu olhar,
o céu que implora tua alma,
a beleza de um encontro sublime,
sagrado, consagrado no vinho e no pão,
de meu sêmen em teu chão!

E há a dor,
inconteste, velada, detestada,
saber que o tempo passou,
nos deixou exaustos e sonolentos,
levou nosso céu,
e nos deixou na terra nua das desilusões...
Haverá amor sem dor?
Sem nunca partir, te deixar,
abandonar no mundo,
corações partidos,
metades jogadas no infinito dos cosmos?
Minhas lágrimas perguntam,
enquanto te abraço,
agarro-me a tua terra,
com a força de meus braços!
Mas como resistir a dor,
se para todo amor terreno haverá um dia de despedir,
de partir, de renunciar ao mais belo amor?

do livro Missão Terra

Oásis do meu Ser


Eu sou água. Está escrito no meu horóscopo chinês. E como água me sinto cada vez mais abundante... E como água que sou me sinto cada vez mais plena, mais fresca. E é assim que me vejo buscando caminhos, escorrendo por entre pedras, cascatas, a procura do mar...

Ora sou lago límpido, de águas profundas, que refletem o firmamento... Como lago, aguardo ansiosa a chuva, o vento, a encrespar minhas águas, a mover meu fundo... Busco me desmanchar, me revolver, e ainda eu mesma sou, água.

Como água nada me retém. Evaporo-me, me transformo, me transmuto, fujo, escapo, para de novo água ser, e escorrer. Como água penetro, tomo todas as formas, porém nenhuma. Alimento, sacio todas as sedes, e nada sou, mas também tudo sou, a essência da vida. Minha mente é inquieta, como inquietas são as águas, minha mente é viajante errante, meu coração é transbordante de todas as emoções de todos os sentimentos...

Navegante errante em forma humana, por vezes me perco em braços de rio, para depois me achar e de novo me entregar nos braços da vida... Vida que é vida, sensual, clamante, porém suave como é o carinho das águas. Que também pertinente é, e até as pedras fura, transpassa em seu caminho...

Quem água é nunca pára. A mente e coração buscam sempre se integrar com o mar. O mar que é vida, que é vastidão, que é céu. O mar que é a solidão mais profunda... O mar que é comunhão, berço de toda vida, início e fim da jornada...


ABRAÇOS

De meu coração nascem braços,
Braços fortes, ansiosos,
Que procuram, mãos, outros braços,
Que tão fortes como os meus,
Se enlaçam...

E assim, abraçados,
De mãos apertadas,
Dedos entrelaçados,
Somos todos um,
Milhares de afetos...

Como teia invisível e luminosa,
Como rede no rio da vida,
A pescar outros seres,
Noutros mares, noutros tempos,
No infinito dos céus...

Somos então só luz,
Luz que se faz em nossos corações,
Luz que desperta em nosso corpo,
Novas emoções,

Luz que é fogo e prazer...
Pois a vida busca se realizar,
E agora somos luz encarnada,
Eternamente a queimar...

A POESIA QUE DANÇA EM MEU PENSAMENTO

Bailam palavras em meu pensamento,
Palavras que se unem,
Belas e pungentes,
Num balé de idéias e sentimentos.
Bailam em meu coração
Tantos amores,
Que se unem em uma só harmonia:
De vida.

Dança a vida,
Na música,
Na harmonia,
Que bate em meu coração,
E que faz a poesia...
Poesia, canção que dança,
Que faz dançar
A vida que rodopia,
Em meu coração...
Música, dança e poesia!

POESIA

Tudo tem sua hora na vida,
Até as potencialidades adormecidas
Tomam formas divertidas,
Verso, prosa, poesia!

É que a vida
Em minhas veias se inicia,
E desnuda a beleza que jazia
Em altos muros escondida....

Na luz, em alegria,
Dançam palavras e rimas,
Que caem no papel em total magia,
A cantar o amor que por ti sentia...

Perdoa as letras tão tardias,
Ninguém tem culpa desta profecia
Que só agora se realiza,
Em verso, prosa, poesia!

A vida de concreto é em demasia,
Deixa me trazer um punhado de fantasia,
Sonhos, miragens, alegoria,
Que o coração não concebia...

ALMA

Minha alma transborda,
Como um rio caudaloso,
Que desce célere a montanha,
Em busca do mar...

Minha alma quer quebrar as barragens,
Que represam as águas do meu ser,
Descer pelos vales áridos,Em busca do mar...
Minha alma quer transbordar,
A vida que em mim implora,
Pelo dia que virá,
De enfim encontrar o mar...

Deusa


Procura-se uma deusa,
Que seja ao mesmo tempo menina e mulher,
E mesmo anciã quando bem lhe aprouver!
Uma deusa que dança entre as estrelas,
Que bebe o orvalho das manhãs,
Transpira o sereno das noites,
E nua se banha no mar.
Que se veste de folhas, e enfeita os cabelos com as flores que encontrar.
Uma deusa que gosta de parir meninos e meninas de todas as raças e cores,
Que acaricia os enfermos,
Reza orações aos moribundos, e beija na boca os que morrem.
Essa deusa tem cheiro de lua quando desponta no céu,
Ela corre livre com os lobos e voa com as águias,
Depois ri quando chapinha os pés na lama!
Ela salta descalça as fogueiras,
E fagueira deixa os seios a mostra quando deixa cair a alça do vestido,
E ainda acha graça dos homens que flagram sua beleza!
Não é por maldade, que isto ela não tem,
É quase pura ingenuidade...
Ela se diverte quebrando os copos da casa,
E quando faz o bolo derramar no forno!
Ela come as migalhas com os passarinhos,
E sobe nas árvores para ver seus ninhos.
Ela está sempre dançando,
Cantarolando as canções que ouve no vento,
Beijando os que andam desatentos,
Desamarrando as fitas que vê no caminho...
Ela nem dorme, ou só finge que dorme,
Para melhor sonhar acordada...
Não sei bem o porquê,
Acho que logo vou encontrá-la,
Quem sabe na dobra de meu vestido bem guardada ...

Para ser feliz...


Ser feliz é um aprendizado,
Como a criança aprende a andar,
Como aprendemos a amar,
Como é preciso aceitar o que já não podemos mudar,
E perdoar, e perdoar, e perdoar...
Para ser feliz,
É preciso ver no mato a flor,
Na escuridão a estrela,
Na raiva a defesa,
Na dor o caminho do amor,
No feio a beleza interior,
No mal o perdão,
Na doença a redenção,
Na limitação o grande desafio,
Na dura lição a verdade,
Na queda humildade,
Na vida, na Grande Vida, o aprendizado.
Ou então a felicidade baterá a nossa porta,
E não a abriremos.
Andará ao nosso lado,
E não a reconheceremos.
Beijará nossa face,
E lhe viraremos o rosto.
E quando enfim ousar entrar em nossa casa,
Nós a pisaremos,
E destruiremos todas as chances de ser feliz...
Para ser feliz,
É preciso abrir o coração,
Ver com olhos amorosos o que a vida nos trouxe,
Seja um presente doce ou amargo,
Descobrir que além do espinho, existe a flor,
Que além da flor, há o perfume,
Além do perfume a alma.
Ser feliz é ter a compreensão que criamos
Com cada gesto, em cada palavra,
Em todo pensamento,
Em cada uma de nossas emoções,
Nossas vidas, do jeito que são.
Ser feliz é ter a serenidade
De saber que tudo passa,
Tudo morre, tudo se transforma,
E nada levamos,
A não ser a leveza,
A não ser a beleza,
De um coração aberto em flor,
Em uma singela oração de amor.

Ego x eu mesma


Enveredamos pelo caminho espiritual, colhendo lindos buquês de flores perfumadas, e minha alma por vezes deseja permanecer neste jardim florido...

E o "ser" não tem nada a ver com a mente racional e analítica onde mora, se diverte e nos distrai o ego. Mas como abdicar dele? Então eu teria que fugir de todos a quem amo, quem sabe para o monte Athos, enconder-me nas cavernas, como faz o sábio de cabelos e barbas desgrenhadas que lá vive. Terei que beber a água da chuva e dos regatos, alimentar-me do prana!

Ou quem sabe encontrar Babagi, o mestre dos mestres iogues de Yogananda, nas montanhas geladas do Himalaia, em seus anos mais que centenários, vestido só com uma tanga...
Enfim, deixar o ego é deixar este mundo belo e louco, no qual vivemos entre o absurdo e a graça, como nos diria Jean-Yves. E quem está pronto para isso? Não eu, que já me demorei tanto a aprender a amar esta vida neste planetinha lindo e azul, perdido na poeira cósmica das galáxias...
Fico por aqui, a pensar com meus botões, nele mesmo, no ego (afinal: "penso, logo existo!", é o ego quem diz!); e já que com ele não posso lutar, prometo ficar de "olho", com o olho da consciência, a não deixar que me iluda, que muito me envaideça, que critique ou que julgue quem quer que seja...

E quando com o ego (o do outro!) me cutucarem com a vara curta, desta vez com ego (o meu!) não responderei. Tratarei de entender que é o ego do mundo que toma corpo e voz no outro. Que não somemos mais dor a dor, nem mais ego ao ego, e assim ele não precisa se fortalecer nem se defender, nem se tornar cada vez maior no mundo... É que precisamos do espaço, do silêncio, da consciência, para que floresçam as flores da alma, do Self!

No mais, posso sentir aqui dentro pulsar, o "ser", a alegria, o amor, a delicadeza, a deusa desperta... Caminhar no mundo, aguardando talvez somente um momento, onde toda beleza, onde todas as flores, onde todo o coração possa reinar!
Até um dia glorioso de Luz! Paz a todos!

A pele


Por baixo desta pele, existe outra,
Outra pele, outro ser.
Por baixo desta pele existe tanta vida,
Vida que não se extingue,
Vida cheia de vida,
Cheia de alegria, plena de beleza,
Radiante de Ser!

Por baixo desta pele,
Todas as músicas, todas as canções trazidas pelo vento,
Toda luz, toda dança dança em meu Ser...

Por baixo desta pele uma deusa,
O silêncio, o não ser...
Por baixo desta pele tudo há,
Que é ser, e não ser,
Tudo prestes a vir a ser...
Tantos mistérios há,
Por baixo desta pele,
Tudo aguarda em silêncio,
Mas há tanto movimento!

Por baixo desta pele,
Um corpo dourado de luz,
E o desejo resplandescente de Ser.

SONHOS BRANCOS

Balançam as cortinas de meus sonhos,
Cortinas brancas mexidas no vento,
Que vão e vem, para onde? Não sei...

Balançam as cortinas ao vento,
O mesmo vento que embala as canções da alma,
Que fazem dançar uma parte invisível de meu ser.
Brancos sonhos,
Como nuvens de algodão doce,
Mexidos ao vento,
Em um tempo que desconheço,
Que me levam, me levarão,
Até um dia,
Aqui mesmo, aqui dentro,
Onde todos os sonhos são realidade.
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