Letras são como estrelas, a guiar o viajante disperso, a uma praia, porto, lugar qualquer, onde possa raiar o dia, onde almas, mentes, corações, possam se encontrar, viver um espaço de beleza maior...

27 de dez de 2011

O momento é agora!


Feliz 2012!
Muita paz, amor e luz para todo o planeta!

A folha do dia


Certo dia um professor estava aplicando uma prova e os alunos, em silêncio, tentavam responder as perguntas com uma certa ansiedade.

Faltavam uns quinze minutos para o encerramento e um jovem levantou o braço e disse: professor, pode me dar uma folha em branco? O professor levou a folha até sua carteira e perguntou-lhe porque queria mais uma folha em branco, e o aluno falou: eu tentei responder as questões, rabisquei tudo, fiz uma confusão danada e queria começar outra vez.

Apesar do pouco tempo que faltava, o professor confiou no rapaz, deu-lhe a folha em branco e ficou torcendo por ele.

A atitude do aluno causou simpatia ao professor que, tempos depois, ainda se lembrava daquele episódio simples, mas significativo.

Assim como aquele aluno, nós também recebemos de Deus, a cada dia, uma nova folha em branco. E muitos de nós só temos feito rabiscos, confusões, tentativas frustradas, e uma confusão danada...

Outros apenas amassam essa nova página e a arremessam na lixeira, preferindo a ociosidade, gastando o tempo na inutilidade.

Talvez hoje fosse um bom momento para começar a escrever, nessa nova página em branco, uma história diferente, visando um resultado mais feliz.

Assim como tirar uma boa nota depende da atenção e do esforço do aluno, uma vida boa também depende da atenção e da dedicação de cada um.

Não importa qual seja sua idade, sua condição financeira, sua religião... Tome essa página em branco e passe sua vida a limpo.

Escreva, hoje, um novo capítulo, com letras bem definidas e sem rasuras. E o principal: que todos possam ler e encontrar lições nobres.

Não se preocupe em tirar nota dez, ser o primeiro em tudo, preocupe-se apenas em fazer o melhor que puder.

Pense que mesmo não tendo pedido, Deus lhe ofereceu uma outra folha em branco, que é o dia de hoje.
Por isso, não se permita rabiscar ou escrever bobagens nesta nova página, nem desperdiçá-la.

Aproveite essa nova chance e escreva um capítulo feliz na sua história.

Use as tintas com lucidez e coragem, com discernimento e boa vontade. Não poupe as palavras: dignidade, amizade, fraternidade, esperança e fé.

Assim, ao terminar de escrever esse novo capítulo da sua vida, você não verá rasuras nem terá que reescrevê-lo em tempo algum, porque foi escrito com nobreza e sabedoria.

Pense nisso! Aproveite este dia e ame com todas as forças do seu coração, sem restrições, sem ver defeitos ou tristezas. Conjugar o verbo amar é escrever uma história feliz.

Não espere que a melhoria, a prosperidade e o bem-estar caiam do céu milagrosamente, sem fazer força.
Tudo tem o preço da conquista, da busca, da participação, do esforço.

São muito potentes os talentos que você dispõe, ainda não explorados pelo seu pensar e sentir, e muitas são as suas possibilidades de crescer e conquistar o que mais quer ou precisa, chegando à felicidade.

Basta que não amasse nem rabisque de forma inconseqüente essa página em branco, chamada hoje.

Colaboração de Maria J. Nascimento Silva

24 de dez de 2011

Doador de sangue, doador de medula óssea, doador de vida!




Nos últimos três meses de 2010 acompanhei via email o drama de Mariana e sua família no Hospital das Clínicas de São Paulo. Mariana, de Recife, havia sido diagnosticada com um tipo raro de leucemia e havia conseguido um doador de medula, razão pela qual estava em São Paulo com a mãe e a avó, fazendo quimioterapia e se preparando para o transplante. A menina tinha então apenas cinco anos.

Depois de todos os atrasos e problemas decorrentes de uma situação tão grave, Mariana foi finalmente internada em isolamento por dez dias, para receber uma dose maciça de quimio e baixar ao máximo sua imunidade para receber o transplante. Realizado o transplante, Mariana infelizmente não resistiu, e partiu desta vida após um mês na UTI do hospital.

Foi uma tristeza para todos nós, inúmeros desconhecidos, que torciam, rezavam e enviavam apoio virtual para o restabelecimento de Mariana! Nesta época decidi que faria também meu cadastro como doadora de medula, afinal quantas outras vidas podem ser salvas desta forma!

Passado um ano, o corre corre diário quase me fez esquecer de minha decisão, mas agora, próximos ao Natal, pensei que era chegado o momento de realizar este desejo. Ontem, dia 23 de dezembro, sexta-feira à tarde, estava eu lá no hemocentro de Brasília. Cadastro, peso, hematócrito e o primeiro esbarrão, abaixo dos 38 necessários. Pressão também baixa, animo-me, mexo-me, tentamos no outro braço e consegui os 10 pontos necessários. Mas por conta do hematócrito fui rejeitada como doadora de sangue!

Voltei hoje pela manhã no hemocentro, afinal faltava colher o sangue para o cadastro de doadora de medula (se não colhem sangue para a doação de sangue, também não dá para completar o cadastro de doação de medula). Tentei novemente doar sangue, o hematócrito deu 43! Não entendi, pois em toda minha vida nunca passou de 39??? Vamos em frente, mas agora esbarrei na presão, depois de três tentativas a máxima não passava de modestos 8,5...

Desci ao estacionamento do hemocentro, dei três voltas correndo, e a pressão subiu! Agora sim estou aprovada para doar sangue! Chegou a hora, e lembrei-me o quanto minha veia é fina e difícil de pegar, e ainda falha... Mas conseguiram pegar rápido, mas logo falhou, por fim tive que ficar apertando uma bolinha de borracha o tempo todo, e 410 ml de sangue logo encheram a bolsinha... Ufa!!!! Consegui!!!! Espero que este sangue possa ajudar alguém neste fim de ano! Nem preciso dizer que saí quicando de alegria!

Deu um trabalhinho, mas vale à pena, então caro leitor eu lhe peço, seja também doador de sangue e de medula óssea em 2012! Ficam aqui algumas dicas e orientações:
  1. é preciso ter mais de 18 anos e boas condições de saúde;
  2. o hematócrito tem que ser igual ou superior a 38;
  3. presão sanguínea de pelo menos 10;
  4. não estar fazendo uso de medicamentos a pelo menos 15 dias;
  5. beba bastante água no dia da doação, coma bem mas não faça ingestão de alimentos muito pesados;
  6. tenha livre pelo menos 1 ou 1 hora e meia;
  7. e como eu, insista! Se necessário corra no estacionamento!
O Hemocentro de Brasília fica entre o HRAN e o Edifício Rádio Center, funciona normalmente de 7 da manhã as 6 da tarde, hoje, véspera de Natal, funcionou até as 11 da manhã. O telefone é 3327 4424 e 3327 4450.

Para todos um Feliz Natal!

Ana Liliam

22 de dez de 2011

Escuto

  

Escuto, mas não sei,
Se o que ouço é silêncio
Ou Deus...

Escuto sem saber se estou ouvindo
O ressoar das planícies do vazio
Ou a consciência atenta,
Que nos confins do universo
Me decifra e fita...

Apenas sei que caminho como quem
É olhado, amado e conhecido,
E por isso em cada gesto
Ponho solenidade e risco.

Sophia de Mello Breyner Andresen

20 de dez de 2011

Até que voltemos a nos ver...


Saudades eu sinto
dos belos momentos em que passamos juntos,
nos abraços que aqueceram meu coração,
nos olhares que enterneceram minha alma,
e nos beijos,
que como flores caíram em minha pele sedenta de amor...
Saudades do tempo em que voltamos a ser crianças,
para rir e brincar,
e ir mais longe,
sem medo ou culpa,
mas em pura inocência...
Saudades de ter nossos passos embalados
na música,
nas mãos,
nos braços amigos,
queridos...
Saudades da luz que brilhou,
e que para sempre brilhará,
dentro e fora de cada um de nós,
e que com amor fechou lacunas abertas
que minha alma carrega...
E na saudade pressinto que somos uma irmandade,
e que uma luz maior nos guia em nossa jornada de paz.
E até que voltemos a nos ver,
desejo que esta mesma luz nos ilumine,
e nos proteja,
mesmo se houverem dias em desalinho,
mesmo nas noites escuras,
até que o sol volte a brilhar,
resplandecer,
em um novo encontro!

15 de dez de 2011

Frases de Steve Jobs, em Stanford 2005


O legado de Steve Jobs vai além da Apple, da Pixar e dos produtos que ele ajudou a desenvolver. Famoso pela oratória, pela capacidade de síntese de ideias e pelo carisma em suas apresentações, Jobs deixa ainda uma coleção de afirmações polêmicas, frases visionárias e pensamentos que ajudaram a definir os rumos da tecnologia nos últimos anos.

“Às vezes a vida te bate com um tijolo na cabeça. Não perca a fé. Estou convencido de que a única coisa que me fez continuar foi que eu amava o que eu fazia. Você precisa encontrar o que você ama. E isso vale para o seu trabalho e para seus amores.Seu trabalho irá tomar uma grande parte da sua vida e o único meio de ficar satisfeito é fazer o que você acredita ser um grande trabalho. E o único meio de se fazer um grande trabalho é amando o que você faz. Caso você ainda não tenha encontrado[ o que gosta de fazer], continue procurando. Não pare. Do mesmo modo como todos os problemas do coração, você saberá quando encontrar. E, como em qualquer relacionamento longo, só fica melhor e melhor ao longo dos anos. Por isso, continue procurando até encontrar, não pare".

“Você não pode conectar os pontos olhando para a frente; você só pode conectar os pontos olhando para trás. Assim, você precisa acreditar que os pontos irão se conectar de alguma maneira no futuro. Você precisa acreditar em alguma coisa – na sua coragem, no seu destino, na sua vida, no karma, em qualquer coisa. Este pensamento nunca me deixou na mão, e fez toda a diferença na minha vida.”

“Lembrar que eu estarei morto em breve é a ferramenta mais importante que eu encontrei para me ajudar a fazer grandes escolhas na vida. Por que quase tudo – todas as expectativas externas, todo o orgulho, todo o medo de se envergonhar ou de errar – isto tudo cai diante da face da morte, restando apenas o que realmente é importante. Lembrar que você vai morrer é a melhor maneira para eu saber evitar em pensar que tenho algo a perder. Você já está nu. Não há razão para não seguir o seu coração.”

“Isto foi o mais perto que cheguei da morte e espero que seja o mais perto que eu chegue nas próximas décadas. Tendo passado por isso, posso dizer agora com mais certeza do que quando a morte era apenas um conceito intelectual: nnguém quer morrer. Até mesmo as pessoas que querem ir para o céu não querem morrer para ir para lá. Ainda, a morte é um destino que todos nós compartilhamos. Ninguém conseguiu escapar dela. E assim é como deve ser porque a morte é talvez a melhor invenção da vida. É o agente que faz a vida mudar. É eliminar o velho para dar espaço para o novo. Neste momento, o novo são vocês, mas algum dia não tão longe, vocês gradualmente serão o velho e darão espaço para o novo. Desculpa eu ser tão dramático, mas é a verdade”

“Seu tempo é limitado. Por isso, não perca tempo em viver a vida de outra pessoa. Não se prenda pelo dogma, que nada mais é do que viver pelos resultados das ideias de outras pessoas”

Tenha vontade, tenha juventude. Eu sempre desejei isso para mim. E agora, que vocês se formam para começar algo novo, eu desejo isso para vocês” – discurso durante formatura em Stanford, 2005.

http://g1.globo.com/tecnologia/noticia/2011/10/confira-frases-marcantes-do-co-fundador-da-apple-steve-jobs.html

10 de dez de 2011

Sou baiano, por Nizan Guanaes


Quando eu conheci Jorge Amado em Paris, ele me
 levou para almoçar num bistrô perto do seu apartamento
 no Marais.
Ao longo do caminho, fiquei pensando em algo bem
 inteligente para impressionar o grande escritor.
Ao sentarmos à mesa ele disparou: 'Nizan, você já reparou
como a bunda da mãe Cleusa é grande?'
A Bahia é assim. Desconcertante. Pense num absurdo,
 multiplique por dois: na Bahia já aconteceu.
 Há em Salvador uma casa funerária que se chama
 Decorativa e uma companhia de táxi aéreo que se chama
 BATA ( Bahia Táxi Aéreo).
É dentro deste espírito  esportivo que a Bahia surpreende desde 1500.
 Caetano Veloso me disse rindo que os baianos e os judeus
 se  julgam raças eleitas e (sic) que ambos têm razão.
 Se somos ou não raça eleita, há controvérsias. Mas que é uma raça
 privilegiada não há dúvida. Castro Alves, Rui Barbosa, Jorge Amado, Assis Valente,  João Gilberto, Caetano, Gal, Gil, Betânia, Daniela Mercury, Glauber
 Rocha, Dorival e Nana Caymmi, Raul Seixas, Ivete Sangalo e agora Piti.
 Não pode ser coincidência. E não é.
É fruto da energia  que o índio enterrou e que o português descobriu
 misturado com o axé que o negro trouxe.
 É essa energia que buscam os cansados, os estressados, os sem
 esperança, os de alma ou cadeira dura.
 E a Bahia os escolhe com sua graça e sua benção.
Dianne Vreeland diz na peça Full Gallop, grande sucesso na
 Broadway, que o azul mais bonito é o céu da Bahia .
Tudo  na Bahia tem luz, sobretudo as pessoas.
Que em sua simplicidade, com sua fé, com suas peles negras e dentes
 alvos, dançam, cantam e iluminam um mundo rico, mas cada
 vez mais pobre.
 Um desses endinheirados, mas pobre de espírito, certa vez resolveu pegar no meu pé, numa festa, e me perguntou:
- Se a Bahia é tão boa, porque você não mora lá?'.
O Orixá me ajudou e eu respondi na lata:
-  Porque lá não  me destaco, todos são baianos. 

enviado por Leise

7 de dez de 2011

DEUS SEGUNDO SPINOZA


Retrato de Baruch de Spinoza, aproximadamente de 1665.

“Pára de ficar rezando e batendo o peito! O que eu quero que faças é que saias pelo  mundo e desfrutes de tua vida. Eu quero que gozes, cantes, te divirtas e que desfrutes de tudo o que Eu fiz para ti.
Pára de ir a esses templos lúgubres, obscuros e frios que tu mesmo construíste e que acreditas ser a minha casa.

Minha casa está nas montanhas, nos bosques, nos rios, nos lagos, nas praias. Aí é onde Eu vivo e aí expresso meu amor por ti.

Pára de me culpar da tua vida miserável: Eu nunca te disse que há algo mau em ti ou que eras um pecador, ou que tua sexualidade fosse algo mau.

O sexo é um presente que Eu te dei e com o qual podes expressar teu amor, teu êxtase, tua alegria. Assim, não me culpes por tudo o que te fizeram crer.

Pára de ficar lendo supostas escrituras sagradas que nada têm a ver comigo. Se não podes me ler num amanhecer, numa paisagem, no olhar de teus amigos, nos olhos de teu filhinho... Não me encontrarás em nenhum livro!

Confia em mim e deixa de me pedir. Tu vais me dizer como fazer meu trabalho?
Pára de ter tanto medo de mim. Eu não te julgo, nem te critico, nem me irrito, nem te incomodo, nem te castigo. Eu sou puro amor.

Pára de me pedir perdão. Não há nada a perdoar. Se Eu te fiz... Eu te enchi de paixões, de limitações, de prazeres, de sentimentos, de necessidades, de incoerências, de livre-arbítrio. Como posso te culpar se respondes a algo que eu pus em ti? Como posso te castigar por seres como és, se Eu sou quem te fez? Crês que eu poderia criar um lugar para queimar a todos meus filhos que não se comportem bem, pelo resto da eternidade? Que tipo de Deus pode fazer isso?

Esquece qualquer tipo de mandamento, qualquer tipo de lei; essas são artimanhas para te manipular, para te controlar, que só geram culpa em ti. Respeita teu próximo e não faças o que não queiras para ti. A única coisa que te peço é que prestes atenção a tua vida, que teu estado de alerta seja teu guia.

Esta vida não é uma prova, nem um degrau, nem um passo no caminho, nem um ensaio, nem um prelúdio para o paraíso. Esta vida é o único que há aqui e agora, e o único que precisas.

Eu te fiz absolutamente livre. Não há prêmios nem castigos. Não há pecados nem virtudes. Ninguém leva um placar. Ninguém leva um registro.

Tu és absolutamente livre para fazer da tua vida um céu ou um inferno.

Não te poderia dizer se há algo depois desta vida, mas posso te dar um conselho. Vive como se não o houvesse. Como se esta fosse tua única oportunidade de aproveitar, de amar, de existir. Assim, se não há nada, terás aproveitado da oportunidade que te dei.

E se houver, tem certeza que Eu não vou te perguntar se foste comportado ou não. Eu vou te perguntar se tu gostaste, se te divertiste... Do que mais gostaste? O que aprendeste?

Pára de crer em mim - crer é supor, adivinhar, imaginar. Eu não quero que acredites em mim. Quero que me sintas em ti. Quero que me sintas em ti quando beijas tua amada, quando agasalhas tua filhinha, quando acaricias teu cachorro, quando tomas banho no mar.

Pára de louvar-me! Que tipo de Deus ególatra tu acreditas que Eu seja?
Me aborrece que me louvem. Me cansa que agradeçam. Tu te sentes grato? Demonstra-o cuidando de ti, de tua saúde, de tuas relações, do mundo. Te sentes olhado, surpreendido?... Expressa tua alegria! Esse é o jeito de me louvar.

Pára de complicar as coisas e de repetir como papagaio o que te ensinaram sobre mim. A única certeza é que tu estás aqui, que estás vivo, e que este mundo está cheio de maravilhas. Para que precisas de mais milagres? Para que tantas explicações?

Não me procures fora! Não me acharás. Procura-me dentro... aí é que estou, batendo em ti."

 Baruch Spinoza, enviado por Francisco Ulisses

4 de dez de 2011

Carta de amor...

Carta escrita por Herbert de Souza (o Betinho) para sua mulher Maria e lida, um ano após sua morte, pelo ator Jonas Bloch, durante a cerimônia no CCBB:

“Este texto é para Maria ler depois da minha morte que, segundo meus cálculos, não deve demorar muito. É uma declaração de amor.

Não tenho pressa em morrer, assim como não tenho pressa em terminar esta carta. Vou voltar a ela quantas vezes puder e trabalhar com carinho e cuidado cada palavra. Uma carta para Maria tem que ter todos os cuidados.  Não quero triste, quero fazer dela também um pedaço de vida pela via de lembrança que é a nossa eternidade.

Nos conhecemos nas reuniões de AP (Ação Popular), em 1970, em pleno Maoísmo. Havia uma clima de sectarismo e medo nada propício para o amor.

Antes de me aventurar andei fazendo umas sondagens e os sinais eram animadores, apesar de misteriosos. Mas tínhamos que começar o namoro de alguma forma. Foi no ônibus da Vila das Belezas, em São Paulo. Saímos em direção ao fim da linha como quem busca um começo. E aí veio o primeiro beijo, sem jeito, espremido, mas gostoso, um beijo público. A barreira da distância estava rompida para dar começo a uma relação que já completou 26 anos!

O Maoísmo estava na China, nosso amor na São João. Era muito mais forte que qualquer ideologia. Era a vida em nós, tão sacrificada na clandestinidade sem sentido e sem futuro. Fomos viver em um quarto e cozinha, minúsculos, nos fundos de uma casa pobre, perto da Igreja da Penha. No lugar cabia nossa cama, uma mesinha, coisas de cozinha e nada mais. Mas como fizemos amor naquele tempo! Foi incrível e seguramente nunca tivemos tanto prazer.

Tempos de chumbo, de medo, de susto e insegurança. Medo de dia, amor de noite. Assim vivemos por quase um ano. Até que tudo começou a “cair”.   Prisões, torturas, polícia por toda a parte, o inferno na nossa frente.  Fomos para o Chile. E ali, chamado por Garcez para elaborar textos, acabei no agrado de Allende, que os usou em seus discursos oficiais. Foi a primeira vez que eu vi amor virar discurso politico

Depois passamos por muita coisa até voltar. Até que a anistia chegou e nos surpreendeu. E agora, o que fazer com o Brasil?


Foi um turbilhão de emoções: o sonho virou realidade!  Era verdade, o Brasil era nosso de novo. A primeira coisa foi comer tudo que não havíamos comido no exílio: angu! com galinha ao molho pardo, quiabo com carne moída, chuchu com maxixe, abóbora, cozido, feijoada.  Um festival de saudades culinárias, um reencontro com o Brasil pela boca.

Uma das maiores emoções da minha vida foi ver o Henrique surgindo de dentro de você. Emoção sem fim e sem limite que me fez reencontrar a infância.

Depois do exílio, nossas vidas pareciam bem normais. Trabalhávamos; viajávamos nas férias, visitávamos os amigos, o Ibase funcionava, até a hemofilia parecia que havia dado uma trégua. Henrique crescia, Daniel aos poucos se reaproximava de mim, já como filho e amigo.

Mas como uma tragédia que vem às cegas e entra pelas nossas vidas, estávamos diante do que nunca esperei. A Aids. Em 1985, surge a notícia da epidemia que atingia homossexuais, drogados e hemofílicos. O pânico foi geral. Eu, é claro, havia entrado nessa. Não bastava ter nascido mineiro, católico, hemofílico, maoísta e meio deficiente físico.

Era necessário entrar na onda mundial, na praga do século, mortal, definitiva, sem cura, sem futuro e fatal. E foi aí que você, mais do que nunca, revelou que é capaz de superar a tragédia, sofrendo, mas enfrentando tudo e com um grande carinho e cuidado. A Aids selou um amor mais forte e mais definitivo porque desafia tudo, o medo, a tentação do desespero, o desânimo diante do futuro. Continuar tudo apesar de tudo, o beijo, o carinho e a sensualidade.

Assumi publicamente minha condição de soropositivo e você me acompanhou. Nunca pôs um “senão” ou um comentário sobre cuidados necessários. Deu a mão e seguiu junto como se fosse metade de mim, inseparável. E foi. Desde os tempos do cólera, da não esperança, da morte do Henfil e Chico, passando pelas crises que beiravam a morte até o coquetel que reabria as esperanças.  Tempo curto para descrever, mas uma eternidade para se viver.

Um dos maiores problemas da Aids é o sexo. Ter relações com todos os cuidados ou não ter? Todos os cuidados são suficientes ou não se deve correr riscos com a pessoa amada? Passamos por todas as fases, desde o sexo com uma ou duas camisinhas até sexo nenhum, só carinho. Preferi a segurança total ao mínimo risco.

Parei, paramos e sem dramas, com carências, mas sem dramas, como se fosse normal viver contrariando tudo que aprendemos como homem e mulher, vivendo a sensualidade da música, da boa comida, da literatura, da invenção, dos pequenos prazeres e da paz. Viver é muito mais que fazer sexo. Mas para se viver isso, é necessário que Maria também sinta assim e seja capaz dessa metamorfose como foi.

Para se falar de uma pessoa com total liberdade é necessário que uma esteja morta e eu sei que este será o meu caso. Irei ao meu enterro sem grandes penas e  principalmente sem trabalho, carregado. Não tenho curiosidade para saber quando, mas sei que não demora muito.

Quero morrer em paz, na cama, sem dor, com Maria do meu lado e sem muitos amigos, porque a morte não é ocasião para se chorar, mas para celebrar um fim, uma história. Tenho muita pena das pessoas que morrem sozinhas ou mal acompanhadas, é morrer muitas vezes em uma só. Morrer sem o outro é partir sozinho. O olhar do outro é que te faz viver e descansar em paz. O ideal é que pudesse morrer na minha cama e sem dor, tomando um saquê gelado, um bom vinho português ou uma cerveja gelada.Te amo para sempre,    

Betinho,


Itatiaia, janeiro de 1997″

enviado por Wilson

27 de nov de 2011

Deusa

Procura-se uma deusa,
Que seja ao mesmo tempo menina e mulher,
E mesmo anciã quando bem lhe aprouver!

Uma deusa que dança entre as estrelas,
Que bebe o orvalho das manhãs,
Transpira o sereno das noites,
E nua se banha no mar.

Que se veste de folhas, e enfeita os cabelos com as flores que encontrar.
Uma deusa que gosta de parir meninos e meninas de todas as raças e cores,
Que acaricia os enfermos,
Reza orações aos moribundos, e beija na boca os que morrem.

Essa deusa tem cheiro de lua quando desponta no céu,
Ela corre livre com os lobos e voa com as águias,
Depois ri quando chapinha os pés na lama!

Ela salta descalça as fogueiras,
E fagueira deixa os seios a mostra quando deixa cair a alça do vestido,
E ainda acha graça dos homens que flagram sua beleza!

Não é por maldade, que isto ela não tem,
É quase pura ingenuidade...

Ela se diverte quebrando os copos da casa,
E quando faz o bolo derramar no forno!
Ela come as migalhas com os passarinhos,
E sobe nas árvores para ver seus ninhos.

Ela está sempre dançando,
Cantarolando as canções que ouve no vento,
Beijando os homens desatentos,
Desamarrando as fitas que vê no caminho...

Ela nem dorme, ou só finge que dorme,
Para melhor sonhar acordada...
Não sei bem o porquê,
Acho que logo vou encontrá-la,
Quem sabe bem guardada na dobra de meu vestido...

Ana Liliam

23 de nov de 2011

Jardineiro de Deus


"Sou um jardineiro, tenho sementes de inspiração, lembro a meus irmãos da beleza desde agora, ajudo a que se descubra o presente, obséquio que a vida mesma nos dá. Sou um farol de Luz, animo e me animo a saber que é possível, sim, é possível plasmar os sonhos, se abrirmos as janelas do sentir e enxergamos essa fonte de ternura. Vejo a Luz em cada situação, enxergo em cada Ser uma Luz brilhante que dissipa toda a obscuridade. Tudo está completo. Tudo é Deus. Eu Sou uma expressão de Deus."

de Lucidor Flores, enviado por Wilson

22 de nov de 2011

De repente 60...



De forma despretensiosa, inscrevi um texto no concurso Premios Longevidade Bradesco Histórias de Vida.
Estou chegando de São Paulo, onde fui participar da premiação.

Mandaram um motorista me buscar e me trazer e fiquei num super-hotel nos Jardins, acompanhada de meu príncipe consorte rsrsrssr.

Entre quase 200 concorrentes, conquistei o 3o lugar, com direito a troféu e diploma.

Mas, sinto como se tivesse recebido o Oscar, pois os primeiros colocados foram  jovens que trabalharam por alguns anos para escrever histórias que mereciam ser contadas.

Meu texto foi o único produzido pela própria protagonista.

O tema central era o relacionamento inter-geracional.

Quase caí da cadeira quando Nicete Bruno, jurada especial me perguntou: "Você é a Regina? Queria muito conhecê-la. Adorei seu texto!!"

Tive, ainda, o privilégio de ser fotografada ao lado da convidada especial, Shirley MacLaine.

É muita emoção, que gostaria de compartilhar com vocês.

Abaixo, o texto premiado.
Beijos,
Regina de Castro Pompeu

DE REPENTE 60 (ou 2x30)

Ao completar sessenta anos, lembrei do filme “De repente 30”, em que a adolescente, em seu aniversário, ansiosa por chegar logo à idade adulta, formula um desejo e se vê repentinamente com trinta anos, sem saber o que aconteceu nesse intervalo.

Meu sentimento é semelhante ao dela: perplexidade. Pergunto a mim mesma: onde foram parar todos esses anos?

Ainda sou aquela menina assustada que entrou pela primeira vez na escola, aquela filha desesperada pela perda precoce da mãe; ainda sou aquela professorinha ingênua que enfrentou sua primeira turma, aquela virgem sonhadora que entrou na igreja, vestida de branco, para um casamento que durou tão pouco!Ainda sou aquela mãe aflita com a primeira febre do filho que hoje tem mais de trinta anos. Acho que é por isso que engordei, para caber tanta gente, é preciso espaço!

Passei batido pela tal crise dos trinta, pois estava ocupada demais lutando pela sobrevivência.
Os quarenta foram festejados com um baile, enquanto eu ansiava pela aposentadoria na carreira do magistério, que aconteceu quatro anos depois.

Os cinquenta me encontraram construindo uma nova vida, numa nova cidade, num novo posto de trabalho.
Agora, aos sessenta, me pergunto onde está a velhinha que eu esperava ser nesta idade e onde se escondeu a jovem que me olhava do espelho todas as manhãs.

Tive o privilégio de viver uma época de profundas e rápidas transformações em todas as áreas: de Elvis Presley e Sinatra a Michael Jackson, de Beatles e Rolling Stones a Madonna, de Chico e Caetano a Cazuza e Ana Carolina; dos anos de chumbo da ditadura militar às passeatas pelas diretas e empeachment do presidente a um novo país misto de decepções e esperanças; da invenção da pílula e liberação sexual ao bebê de proveta e o pesadelo da AIDS. Testemunhei a conquista dos cinco títulos mundiais do futebol brasileiro (e alguns vexames históricos).

Nasci no ano em que a televisão chegou ao Brasil, mas minha família só conseguiu comprar um aparelho usado dez anos depois e, por meio de suas transmissões,vi a chegada do homem à lua, a queda do muro de Berlim e algumas guerras modernas.

Passei por três reformas ortográficas e tive de aprender a nova linguagem do computador e da internet. Aprendi tanto que foi por meio desta que conheci, aos cinquenta e dois anos, meu companheiro, com quem tenho, desde então, compartilhado as aventuras do viver.

Não me sinto diferente do que era há alguns anos, continuo tendo sonhos, projetos, faço minhas caminhadas matinais com meu cachorro Kaká, pratico ioga, me alimento e durmo bem (apesar das constantes visitas noturnas ao banheiro), gosto de cinema, música, leio muito, viajo para os lugares que um dia sonhei conhecer.

Por dois anos não exerci qualquer atividade profissional, mas voltei a orientar trabalhos acadêmicos e a ministrar algumas disciplinas em turmas de pós-graduação, o que me fez rejuvenescer em contato com os alunos, que têm se beneficiado de minha experiência e com quem tenho aprendido muito mais que ensinado.
Só agora comecei a precisar de óculos para perto (para longe eu uso há muitos anos) e não tinjo os cabelos, pois os brancos são tão poucos que nem se percebe (privilégio que herdei de meu pai, que só começou a ficar grisalho após os setenta anos).

Há marcas do tempo, claro, e não somente rugas e os quilos a mais, mas também cicatrizes, testemunhas de algumas aprendizagens: a do apêndice me traz recordações do aniversário de nove anos passado no hospital; a da cesárea marca minha iniciação como mãe e a mais recente, do câncer de mama (felizmente curado), me lembra diariamente que a vida nos traz surpresas nem sempre agradáveis e que não tenho tempo a perder.

A capacidade de fazer várias coisas ao mesmo tempo diminuiu, lembro de coisas que aconteceram há mais de cinquenta anos e esqueço as panelas no fogo.

Aliás, a memória (ou sua falta) merece um capítulo à parte: constantemente procuro determinada palavra ou quero lembrar o nome de alguém e começa a brincadeira de esconde-esconde. Tento fórmulas mnemônicas, recito o alfabeto mentalmente e nada! De repente, quando a conversa já mudou de rumo ou o interlocutor já se foi, eis que surge o nome ou palavra, como que zombando de mim...

Mas, do que é que eu estava falando mesmo? Ah, sim, dos meus sessenta.

Claro que existem vantagens: pagar meia-entrada (idosos, crianças e estudantes têm essa prerrogativa, talvez porque não são considerados pessoas inteiras), atendimento prioritário em filas exclusivas, sentar sem culpa nos bancos reservados do metrô e a TPM passou a significar “Tranquilidade Pós-Menopausa”.

Certamente o saldo é positivo, com muitas dúvidas e apenas uma certeza: tenho mais passado que futuro e vivo o presente intensamente, em minha nova condição de mulher muito sex...agenária!

enviado por Leise!

19 de nov de 2011

Velha

 
Deixe-me ser velha,
Tão velha quanto a mais velha,
Que a mãe, da mãe, da mãe...
Deixe que meus peitos desçam até o umbigo,
Que minha pele se enrugue e se dobre em mil pregas,
Que meus olhos sejam quase brancos,
E meu cabelo seja como um rio prateado descendo a montanha...
Deixe que eu me curve e encolha
Até ficar do tamanho de uma criança,
Que minhas mãos tremulem e meus passos sejam trôpegos,
E que meus ouvidos só ouçam a música do vôo de uma libélula...
Tão velha que a mais velha,
Tão velha que até a morte se esqueceu de levar...
E inocente serei para contar as piadas mais sujas,
Para ninar nos braços os netinhos que nascem,
Para saber magia e os feitiços que curam,
Para cantarolar as canções que mais ninguém se lembra,
Para varrer os quintais e falar com as aves,
Para correr livre pelos caminhos dos homens e dos anjos,
E então um dia, quando o sol nascer,
Num sopro serei a brisa que embala as asas
De uma linda borboleta azul...

Ana Liliam

16 de nov de 2011

Poeira das estrelas


Faz muito tempo
em que de casa saí,
deixando para trás os rastros da poeira
luminosa das estrelas...
E embora tu me tenhas dado toda a liberdade
que eu jamais sonharia ter,
ainda sim eu quis viver,
longe do teu olhar amoroso...
E foi assim que parti,
e me perdi,
no turbilhão de ilusões
de um planetinha ansioso...
E foi porque eu quis,
e dei as costas para ti,
para criar um mundo de sonhos
que só parecem reais para mim...
E te esquecer foi minha maior dor,
e nas sombras eu vivi
longe do teu amor,
e tanto medo eu senti,
que calei dentro de mim...
E troquei nossa paz
pela angústia
nas trilhas incertas que segui...
E meu único alento
é a lembrança de que um dia
eu fui feliz junto de ti...
E aqui neste lugar
no qual eu fiz meu lar
tu me dizes que estás
junto de mim!
Nunca me esquecestes enfim!
E na lembrança do teu amor
escolho ficar,
espalhar a luz do rastro da poeira das estrelas
bem aqui,
neste lugar!

14 de nov de 2011

No frigir dos ovos...


Não é à toa que os estrangeiros acham nossa língua tão difícil!
Como a língua portuguesa é rica em expressões!
Achei interessante, porque demonstra o quanto o vocabulário
"alimentar" está presente nas nossas metáforas do dia-a-dia. Aí vai.

Pergunta:

Alguém sabe me explicar, num português claro e direto, sem figuras de linguagem, o que quer dizer a expressão "no frigir dos ovos"?

Resposta: Quando comecei, pensava que escrever sobre comida seria sopa no mel, mamão com açúcar. Só que depois de um certo tempo dá crepe, você percebe que comeu gato por lebre e acaba ficando com uma batata quente nas mãos. Como rapadura é doce mas não é mole, nem sempre você tem ideias e pra descascar esse abacaxi só metendo a mão na massa. E não adianta chorar as pitangas ou, simplesmente, mandar tudo às favas.

Já que é pelo estômago que se conquista o leitor, o negócio é ir comendo o mingau pelas beiradas, cozinhando em banho-maria, porque é de grão em grão que a galinha enche o papo.

Contudo, é preciso tomar cuidado para não azedar, passar do ponto, encher linguiça demais. Além disso, deve-se ter consciência de que é necessário comer o pão que o diabo amassou para vender o seu peixe. Afinal, não se faz uma boa omelete sem antes quebrar os ovos.

Há quem pense que escrever é como tirar doce da boca de criança e vai com muita sede ao pote. Mas como o apressado come cru, essa gente acaba falando muita abobrinha, são escritores de meia tigela, trocam alhos por bugalhos e confundem Carolina de Sá Leitão com caçarolinha de assar leitão.

Há também aqueles que são arroz de festa; com a faca e o queijo nas mãos, eles se perdem em devaneios (piram na batatinha, viajam na maionese... etc.). Achando que beleza não põe mesa, pisam no tomate, enfiam o pé na jaca, e no fim quem paga o pato é o leitor, que sai com cara de quem comeu e não gostou.

O importante é não cuspir no prato em que se come, pois os leitores não são farinha do mesmo saco. Diversificar é a melhor receita para engrossar o caldo e oferecer um texto de se comer com os olhos, literalmente.

Por outro lado, se você tiver os olhos maiores que a barriga, o negócio desanda e vira um verdadeiro angu de caroço. Aí, não adianta chorar sobre o leite derramado, porque ninguém vai colocar uma azeitona na sua empadinha, não. O pepino é só seu, e o máximo que você vai ganhar é uma banana, afinal pimenta nos olhos dos outros é refresco...

A carne é fraca, eu sei. Às vezes dá vontade de largar tudo e ir plantar batatas. Mas quem não arrisca não petisca, e depois, quando se junta a fome com a vontade de comer, as coisas mudam da água pro vinho.

Embananar-se, de vez em quando, é normal, o importante é não desistir, mesmo quando o caldo entornar. Puxe a brasa pra sua sardinha, que no frigir dos ovos a conversa chega na cozinha e fica de se comer rezando. Daí, com água na boca, é só saborear, porque o que não mata engorda.

Entendeu o que significa “no frigir dos ovos”?  

desconheço o autor, mas foi enviado por Delfina               

Portal 11.11.11


Rio de Janeiro
praia da Barra
estacionamos o carro em algum lugar da reserva
aonde estamos mesmo?
Já na praia olhamos para a numeração do posto:
posto 11.
Será coincidência?
Dia 11 de novembro de 2011!
Praia deserta!
Água limpa, maré baixa
formam-se rasos bancos de areia e piscinas naturais...
Tudo que gosto, mas a água...
Gelada!
Caminhamos na manhã fresquinha
até que encontro a piscina ideal!
Aos pouquinhos chego até a água na cintura
que gelo!
Coragem cadê?
Molho braços e rosto
quer saber?
Portal 11 do 11 do 11,
aqui vou eu!
Um mergulho,
mais dois para completar,
agora começo a sentir um calor por dentro
é a vasodilatação...
Passo para a parte mais rasa
caminho em direção do mar
aproveitando o raso banco de areia que se estende adiante
hora de refazer os compromissos com o alto
e caminhar mais longe...
Os pés dormentes de frio me acompanharão por mais algum tempo!

6 de nov de 2011

Brancas Cortinas


Lendo isso agora, parece que cheguei lá...

Cortinas brancas velam meus sonhos...
Dançam no vento um balé de esperanças e luzes,
Ou talvez sejam as velas de uma nau incerta,
Que os ventos céleres carregam rumo ao desconhecido...
Quem saberá? Quem estará lá a minha espera?
O que me aguarda sobre o véu branco do destino?
Imagino sorrisos amigos,
Fortes abraços!
Sonho com este espaço feito de luz e beleza,
De encontros e certezas,
Feito útero que acolhe e nutri,
Feito música que envolve e nos leva
Na velocidade das galáxias a uma outra estação...
São sonhos, como tênues cortinas brancas,
Portais luminosos para a paz,
Para algum lugar, algum tempo,
Que ainda estou a aguardar.

Ana Liliam



3 de nov de 2011

POESIA


Tudo tem sua hora na vida,
Até as potencialidades adormecidas
Tomam formas divertidas,
Verso, prosa, poesia!

É que a vida
Em minhas veias se inicia,
E desnuda a beleza que jazia
Em altos muros escondida....

Na luz, em alegria,
Dançam palavras e rimas,
Que caem no papel em total magia,
A cantar o amor que por ti sentia...

Perdoa as letras tão tardias,
Ninguém tem culpa desta profecia
Que só agora se realiza,
Em verso, prosa, poesia!

A vida de concreto é em demasia,
Deixa me trazer um punhado de fantasia,
Sonhos, miragens, alegoria,
Que o coração não concebia...

Ana Liliam

29 de out de 2011

Guardiã da luz


Sou faca afiada
bisturi cirúrgico
a cortar tua carne
a trazer tuas feridas à superfície...
E não é por que te quero mal
pois te quero tanto bem quanto a mim mesma...
É por que sou teu desafio
a pedra de teu sapato
o pisão no teu calo
a te acordar
te despertar
no depertador inclemente da dor...
Sou tua deusa abrasadora
teu amor e loucura
tua santa e pecadora
a guardiã da tua luz...
E se te abro a carne
viro-te e reviro do avesso
é ainda com amor que te faço...
Para depois lamber te as feridas abertas
aninhar-te em meus braços
cobrir-te com meus beijos
curar-te com meu amor...
Pois que tu também
provoca-me em minha dor
envolve-me em minhas sombras
somente para que eu veja
para que eu cure
as feridas que eu trago na alma
inclementes...
Veja bem meu bem
tu também és
meu deus purificador.

Ana Liliam

26 de out de 2011

Para que me leves


Fecho meus olhos
e dou minhas mãos a ti
meu amigo, irmão
para que me leves por aí,
em busca de mim mesma,
das partes perdidas
esquecidas algures,
cujo mapa a tempos já perdi ...
E tu, que és bom e és forte,
revela em mim o que não sei ver,
sendo meus olhos procura por mim,
e se me calo,
pergunta.
Sozinha não vou a lugar algum,
e não acho nada do que se acha perdido
aqui mesmo,
aqui dentro.
Preciso do teu coração quente,
da claridade dos teus olhos,
e da força dos teus braços.
Sei que tudo já está realizado,
desde sempre,
mas desde que meus olhos vendei neste mundo,
nada mais sei.
Então confio em ti,
onde Deus colocou uma chama a me guiar,
para que guie meus passos
a um dia ensolarado
nas dobras de uma alma,
a tanto tempo aguardado...

Ana Liliam

Ironia do tempo


Por Marton Olympio

...E o homem olhou o tempo. E o tempo todo olhava o homem. E marcaram de se encontrar em minutos. Levaram horas. Sempre o homem atrasava ou o tempo passava rápido demais. O homem queria levar metade do tempo para tudo. Neste meio tempo, não conseguia fazer nada. O homem que construiu dinheiro, fama, poder reclamava o tempo todo. Um dia o tempo desistiu. E parou de passar. E o homem nunca mais encontrou tempo para nada...

25 de out de 2011

ALQUIMISTA DO SER



Como um alquimista eu sou,
Vivo buscando a transformação
Do que é no que pode ser melhor...

Mergulho fundo em mim mesma,
Tentando compreender
Todos os porquês do ser...

Nesta eterna busca
Eis que me descubro
Uma estrela, e me deslumbro...

Porém meio estrela, meio humana,
Luz em carne, osso e sangue,
Inteira, plena,
Meio divina, meio terrena...

Melhor não há de ser,
Alquimista como sou
Transformo a vida,
E hoje sou alegria!

Mas de nada adiantaria
Esta magia,
Se não fosse para reparti-la,
Com amor em minha vida!

Ana Liliam


19 de out de 2011

CHUVA


Sou água,
Amo toda água que corre,
Nas matas, nos rios,
Nos mares que há,
Dentro e fora de meu coração.

Amo as chuvas,
Que lavam, que levam,
Todas tristezas e amarguras,
Que lavam as almas,
Que levam as mágoas.

Amo as tempestades,
Que estremecem,
Ecoam em nosso ser,
Despertam a alma adormecida,
Arrastam inclementes pensamentos e dores esquecidas...

A chuva que molha e transborda,
Colore de arco-íris o céu nebuloso...
A chuva que como sêmen precioso,
Fecunda a terra,
Inundando-a de prazer!

Que a abençoada chuva
A minha alma encharque,
Transborde de prazer e de desejo
A minha alma sedenta,
Fecunde de amor e alegria minha vida!

Ana Liliam


18 de out de 2011

Reportagem no Jornal de Santa Catarina


 

Sob o sol do início da primavera, garis dividem-se para limpar a Praia Central de Balneário Camboriú. Na altura da Rua 2.000, um deles usa o rastelo e o sorriso largo para fazer mais do que o próprio trabalho. Todas as manhãs, ele escreve na areia um enorme bom dia. Encontrá-lo foi questão de minutos. A simpatia o denuncia.
Em meio a um grupo de idosos que praticavam atividades físicas à beira mar, lá estava Martins. Sorrindo, trabalhava e ganhava elogios pela arte recém traçada.
— Eu escrevo para animar. Às vezes vejo pessoas tristes pelos bancos da praia e acho que dessa maneira posso ajudar — conta o simpático homem de 45 anos.
O artista encanta quem mora nos arranha-céus da Avenida Atlântica e aos que visitam a orla. Os frequentadores mais assíduos já o batizaram de Amarelinho, inspirados na cor do uniforme que ele usa para trabalhar:
— Até os moradores dos prédios já me conhecem. De vez em quando um grita lá de cima "bom dia Amarelinho".
A cena também interrompe o passo sem pressa da moradora de Londrina (PR) Maria de Lourdes. De férias, ela caminhava com o olhar vago em direção ao mar quando encantou-se pelo bom dia de Martins. Feliz, seguiu em direção ao gari e o abraçou.
— Achei fantástico. Eu li o bom dia em vários pontos da praia e fiquei imaginando quem seria a pessoa que fez isso. Com certeza este homem ama muito a vida — opina emocionada.
Bom dia na areia é lição de vida
A atitude rendeu ao gari novas amizades. Para o comerciante, Lauro de Menezes Andrade, 38 anos, Martins é um exemplo.
— Ele não ganha nada a mais para escrever o bom dia na areia. Daí a gente para pensar né? Tem dias que acordamos e nem damos bom dia para quem mora com a gente. Para mim foi uma lição_ revela.
Lição que não será esquecida pela moradora de Balneário Camboriú, Solange Mello, 65. No dia em que conheceu Martins, na Praia Central, até o humor mudou.
— Que coisa mais linda isso que ele faz. Que criatura iluminada. Com certeza o dia fica melhor. Fica um bom dia — disse sorrindo, depois de cumprimentar o gari.

VIVA A VIDA DA MELHOR MANEIRA POSSIVEL.
É O QUE VOCE TEM DE MELHOR VALOR HOJE, AJUDANDO, RINDO,
BRINCANDO, CONTRIBUINDO PARA QUE OUTROS POSSAM TAMBEM SORRIR E TER UM BOM DIA!!!
enviado por Rogério 

16 de out de 2011

CORAÇÃO DE BAILARINA

           

            A jovem bailarina se apronta,
Olha-se no espelho,
E vêm então os primeiros passos.
Lentamente, um após o outro,
Somam-se giros,
E os braços se abrem
Abraçam o ar...
A respiração acelera,
O coração ritmado,
E em movimentos precisos,
Executados por músculos treinados,
A jovem bailarina
Se desenvolve,
Ocupa todo o espaço...
Por um instante fecha seus olhos,
E se sente um pássaro livre a voar...
Por um instante o tempo já não se faz presente,
Ela é agora um planeta livre no cosmos
A girar...
Já não importam os pés a doer,
Naquele mágico momento,
Pressente,
A vida dentro de si a bailar...
                                                      Ana Liliam
         
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