Letras são como estrelas, a guiar o viajante disperso, a uma praia, porto, lugar qualquer, onde possa raiar o dia, onde almas, mentes, corações, possam se encontrar, viver um espaço de beleza maior...

28 de dez de 2013

Perguntas sem resposta

Tem perguntas que não me esquecem,
eu as faço milhares de vezes,
e elas tropeçam no ar
ecoam nas nuvens
cada vez mais baixinho,
e vão tombando no abismo de silêncio e dor.
É que tem perguntas que doem,
são como navalhas afiadas cortando a alma,
fatiando sem dó as esperanças
que aguardam as respostas.
Só o tempo,
o tempo,
o tempo,
e até este se deixa tombar devagarzinho
e esconde-se no fundo do abismo silencioso...
Até quando?
até quando?
até quando?
e já caiu, se perdeu lá embaixo
com todas as outras.
Eu imagino as respostas
como uma manhã gloriosa,
destas que brilham tanto
que quase nos cegam a vista.
É claro! como é óbvio!
Como não pensei nisto antes?
É que as respostas estão sempre
bem a nossa frente.
A gente tropeça nelas
e não vê.
O que esteve sempre ali,
de tão óbvio se escondeu.
Acredito que Deus não nos deixou sem resposta.
Há uma para cada caso,
para cada lágrima não derramada,
para cada pedra que rola no caminho,
cada pêlo encravado,
cada casca de ferida.
A gente é que é meio tapado
e não vê.
Não é Deus que não quer que a gente veja.
Mas um dia ela virá numa manhã brilhante,
e ecoará cada vez mais alto no céu,
e descerá os vales
e subirá as montanhas,
e atravessará num corisco os oceanos.
Então toda gente saberá.
Ela vai descer como um balde,
inundará a terra.
E a gente toda vai engoli-la,
sorvê-la com sofreguidão.
Então a resposta vai acariciar toda a alma que tomá-la.
Vai se acomodar aos pouquinhos,
cansada da grande jornada,
inteira, sequinha e entregue.
Em paz... dormirá abraçada no colo.
Talvez então uma outra pergunta nasça
dentro do coração da raça humana,
sequiosa de uma outra resposta...

Ana Liliam


21 de dez de 2013

O Peru de Natal - Mário de Andrade

O nosso primeiro Natal de família, depois da morte de meu pai acontecida cinco meses antes, foi de conseqüências decisivas para a felicidade familiar. Nós sempre fôramos familiarmente felizes, nesse sentido muito abstrato da felicidade: gente honesta, sem crimes, lar sem brigas internas nem graves dificuldades econômicas. Mas, devido principalmente à natureza cinzenta de meu pai, ser desprovido de qualquer lirismo, de uma exemplaridade incapaz, acolchoado no medíocre, sempre nos faltara aquele aproveitamento da vida, aquele gosto pelas felicidades materiais, um vinho bom, uma estação de águas, aquisição de geladeira, coisas assim. Meu pai fora de um bom errado, quase dramático, o puro-sangue dos desmancha-prazeres.

Morreu meu pai, sentimos muito, etc. Quando chegamos nas proximidades do Natal, eu já estava que não podia mais pra afastar aquela memória obstruente do morto, que parecia ter sistematizado pra sempre a obrigação de uma lembrança dolorosa em cada almoço, em cada gesto mínimo da família. Uma vez que eu sugerira à mamãe a idéia dela ir ver uma fita no cinema, o que resultou foram lágrimas. Onde se viu ir ao cinema, de luto pesado! A dor já estava sendo cultivada pelas aparências, e eu, que sempre gostara apenas regularmente de meu pai, mais por instinto de filho que por espontaneidade de amor, me via a ponto de aborrecer o bom do morto.

Foi decerto por isto que me nasceu, esta sim, espontaneamente, a idéia de fazer uma das minhas chamadas "loucuras". Essa fora aliás, e desde muito cedo, a minha esplêndida conquista contra o ambiente familiar. Desde cedinho, desde os tempos de ginásio, em que arranjava regularmente uma reprovação todos os anos; desde o beijo às escondidas, numa prima, aos dez anos, descoberto por Tia Velha, uma detestável de tia; e principalmente desde as lições que dei ou recebi, não sei, de uma criada de parentes: eu consegui no reformatório do lar e na vasta parentagem, a fama conciliatória de "louco". "É doido, coitado!" falavam. Meus pais falavam com certa tristeza condescendente, o resto da parentagem buscando exemplo para os filhos e provavelmente com aquele prazer dos que se convencem de alguma superioridade. Não tinham doidos entre os filhos. Pois foi o que me salvou, essa fama. Fiz tudo o que a vida me apresentou e o meu ser exigia para se realizar com integridade. E me deixaram fazer tudo, porque eu era doido, coitado. Resultou disso uma existência sem complexos, de que não posso me queixar um nada.

Era costume sempre, na família, a ceia de Natal. Ceia reles, já se imagina: ceia tipo meu pai, castanhas, figos, passas, depois da Missa do Galo. Empanturrados de amêndoas e nozes (quanto discutimos os três manos por causa dos quebra-nozes...), empanturrados de castanhas e monotonias, a gente se abraçava e ia pra cama. Foi lembrando isso que arrebentei com uma das minhas "loucuras":

— Bom, no Natal, quero comer peru.

Houve um desses espantos que ninguém não imagina. Logo minha tia solteirona e santa, que morava conosco, advertiu que não podíamos convidar ninguém por causa do luto.

— Mas quem falou de convidar ninguém! essa mania... Quando é que a gente já comeu peru em nossa vida! Peru aqui em casa é prato de festa, vem toda essa parentada do diabo...

— Meu filho, não fale assim...

— Pois falo, pronto!

E descarreguei minha gelada indiferença pela nossa parentagem infinita, diz-que vinda de bandeirantes, que bem me importa! Era mesmo o momento pra desenvolver minha teoria de doido, coitado, não perdi a ocasião. Me deu de sopetão uma ternura imensa por mamãe e titia, minhas duas mães, três com minha irmã, as três mães que sempre me divinizaram a vida. Era sempre aquilo: vinha aniversário de alguém e só então faziam peru naquela casa. Peru era prato de festa: uma imundície de parentes já preparados pela tradição, invadiam a casa por causa do peru, das empadinhas e dos doces. Minhas três mães, três dias antes já não sabiam da vida senão trabalhar, trabalhar no preparo de doces e frios finíssimos de bem feitos, a parentagem devorava tudo e ainda levava embrulhinhos pros que não tinham podido vir. As minhas três mães mal podiam de exaustas. Do peru, só no enterro dos ossos, no dia seguinte, é que mamãe com titia ainda provavam num naco de perna, vago, escuro, perdido no arroz alvo. E isso mesmo era mamãe quem servia, catava tudo pro velho e pros filhos. Na verdade ninguém sabia de fato o que era peru em nossa casa, peru resto de festa.

Não, não se convidava ninguém, era um peru pra nós, cinco pessoas. E havia de ser com duas farofas, a gorda com os miúdos, e a seca, douradinha, com bastante manteiga. Queria o papo recheado só com a farofa gorda, em que havíamos de ajuntar ameixa preta, nozes e um cálice de xerez, como aprendera na casa da Rose, muito minha companheira. Está claro que omiti onde aprendera a receita, mas todos desconfiaram. E ficaram logo naquele ar de incenso assoprado, se não seria tentação do Dianho aproveitar receita tão gostosa. E cerveja bem gelada, eu garantia quase gritando. É certo que com meus "gostos", já bastante afinados fora do lar, pensei primeiro num vinho bom, completamente francês. Mas a ternura por mamãe venceu o doido, mamãe adorava cerveja.

Quando acabei meus projetos, notei bem, todos estavam felicíssimos, num desejo danado de fazer aquela loucura em que eu estourara. Bem que sabiam, era loucura sim, mas todos se faziam imaginar que eu sozinho é que estava desejando muito aquilo e havia jeito fácil de empurrarem pra cima de mim a... culpa de seus desejos enormes. Sorriam se entreolhando, tímidos como pombas desgarradas, até que minha irmã resolveu o consentimento geral:

— É louco mesmo!...

Comprou-se o peru, fez-se o peru, etc. E depois de uma Missa do Galo bem mal rezada, se deu o nosso mais maravilhoso Natal. Fora engraçado: assim que me lembrara de que finalmente ia fazer mamãe comer peru, não fizera outra coisa aqueles dias que pensar nela, sentir ternura por ela, amar minha velhinha adorada. E meus manos também, estavam no mesmo ritmo violento de amor, todos dominados pela felicidade nova que o peru vinha imprimindo na família. De modo que, ainda disfarçando as coisas, deixei muito sossegado que mamãe cortasse todo o peito do peru. Um momento aliás, ela parou, feito fatias um dos lados do peito da ave, não resistindo àquelas leis de economia que sempre a tinham entorpecido numa quase pobreza sem razão.

— Não senhora, corte inteiro! Só eu como tudo isso!

Era mentira. O amor familiar estava por tal forma incandescente em mim, que até era capaz de comer pouco, só-pra que os outros quatro comessem demais. E o diapasão dos outros era o mesmo. Aquele peru comido a sós, redescobria em cada um o que a quotidianidade abafara por completo, amor, paixão de mãe, paixão de filhos. Deus me perdoe mas estou pensando em Jesus... Naquela casa de burgueses bem modestos, estava se realizando um milagre digno do Natal de um Deus. O peito do peru ficou inteiramente reduzido a fatias amplas.

— Eu que sirvo!

"É louco, mesmo" pois por que havia de servir, se sempre mamãe servira naquela casa! Entre risos, os grandes pratos cheios foram passados pra mim e principiei uma distribuição heróica, enquanto mandava meu mano servir a cerveja. Tomei conta logo de um pedaço admirável da "casca", cheio de gordura e pus no prato. E depois vastas fatias brancas. A voz severizada de mamãe cortou o espaço angustiado com que todos aspiravam pela sua parte no peru:

— Se lembre de seus manos, Juca!

Quando que ela havia de imaginar, a pobre! que aquele era o prato dela, da Mãe, da minha amiga maltratada, que sabia da Rose, que sabia meus crimes, a que eu só lembrava de comunicar o que fazia sofrer! O prato ficou sublime.

—Mamãe, este é o da senhora! Não! não passe não!

Foi quando ela não pode mais com tanta comoção e principiou chorando. Minha tia também, logo percebendo que o novo prato sublime seria o dela, entrou no refrão das lágrimas. E minha irmã, que jamais viu lágrima sem abrir a torneirinha também, se esparramou no choro. Então principiei dizendo muitos desaforos pra não chorar também, tinha dezenove anos... Diabo de família besta que via peru e chorava! coisas assim. Todos se esforçavam por sorrir, mas agora é que a alegria se tornara impossível. É que o pranto evocara por associação a imagem indesejável de meu pai morto. Meu pai, com sua figura cinzenta, vinha pra sempre estragar nosso Natal, fiquei danado.

Bom, principiou-se a comer em silêncio, lutuosos, e o peru estava perfeito. A carne mansa, de um tecido muito tênue boiava fagueira entre os sabores das farofas e do presunto, de vez em quando ferida, inquietada e redesejada, pela intervenção mais violenta da ameixa preta e o estorvo petulante dos pedacinhos de noz. Mas papai sentado ali, gigantesco, incompleto, uma censura, uma chaga, uma incapacidade. E o peru, estava tão gostoso, mamãe por fim sabendo que peru era manjar mesmo digno do Jesusinho nascido.

Principiou uma luta baixa entre o peru e o vulto de papai. Imaginei que gabar o peru era fortalecê-lo na luta, e, está claro, eu tomara decididamente o partido do peru. Mas os defuntos têm meios visguentos, muito hipócritas de vencer: nem bem gabei o peru que a imagem de papai cresceu vitoriosa, insuportavelmente obstruidora.

— Só falta seu pai...

Eu nem comia, nem podia mais gostar daquele peru perfeito, tanto que me interessava aquela luta entre os dois mortos. Cheguei a odiar papai. E nem sei que inspiração genial, de repente me tornou hipócrita e político. Naquele instante que hoje me parece decisivo da nossa família, tomei aparentemente o partido de meu pai. Fingi, triste:

— É mesmo... Mas papai, que queria tanto bem a gente, que morreu de tanto trabalhar pra nós, papai lá no céu há de estar contente... (hesitei, mas resolvi não mencionar mais o peru) contente de ver nós todos reunidos em família.

E todos principiaram muito calmos, falando de papai. A imagem dele foi diminuindo, diminuindo e virou uma estrelinha brilhante do céu. Agora todos comiam o peru com sensualidade, porque papai fora muito bom, sempre se sacrificara tanto por nós, fora um santo que "vocês, meus filhos, nunca poderão pagar o que devem a seu pai", um santo. Papai virara santo, uma contemplação agradável, uma inestorvável estrelinha do céu. Não prejudicava mais ninguém, puro objeto de contemplação suave. O único morto ali era o peru, dominador, completamente vitorioso.

Minha mãe, minha tia, nós, todos alagados de felicidade. Ia escrever «felicidade gustativa», mas não era só isso não. Era uma felicidade maiúscula, um amor de todos, um esquecimento de outros parentescos distraidores do grande amor familiar. E foi, sei que foi aquele primeiro peru comido no recesso da família, o início de um amor novo, reacomodado, mais completo, mais rico e inventivo, mais complacente e cuidadoso de si. Nasceu de então uma felicidade familiar pra nós que, não sou exclusivista, alguns a terão assim grande, porém mais intensa que a nossa me é impossível conceber.

Mamãe comeu tanto peru que um momento imaginei, aquilo podia lhe fazer mal. Mas logo pensei: ah, que faça! mesmo que ela morra, mas pelo menos que uma vez na vida coma peru de verdade!

A tamanha falta de egoísmo me transportara o nosso infinito amor... Depois vieram umas uvas leves e uns doces, que lá na minha terra levam o nome de "bem-casados". Mas nem mesmo este nome perigoso se associou à lembrança de meu pai, que o peru já convertera em dignidade, em coisa certa, em culto puro de contemplação.

Levantamos. Eram quase duas horas, todos alegres, bambeados por duas garrafas de cerveja. Todos iam deitar, dormir ou mexer na cama, pouco importa, porque é bom uma insônia feliz. O diabo é que a Rose, católica antes de ser Rose, prometera me esperar com uma champanha. Pra poder sair, menti, falei que ia a uma festa de amigo, beijei mamãe e pisquei pra ela, modo de contar onde é que ia e fazê-la sofrer seu bocado. As outras duas mulheres beijei sem piscar. E agora, Rose!...

Mario de Andrade

enviado por Leise

2 de dez de 2013

Vivendo e aprendendo...

Vivendo e aprendendo...

Que honremos o fato de ter nascido, e que saibamos desde cedo que não basta rezar um Pai-Nosso para quitar as falhas que cometemos diariamente. Essa é uma forma preguiçosa de ser bom. O sagrado está na nossa essência, e se manifesta em nossos atos de boa-fé e generosidade, frutos de uma percepção profunda do universo, e não de ocasião. Se não estamos focados no bem, nossa aclamada religiosidade perde o sentido.

Que se perceba que quando estamos dançando, festejando, namorando, brindando, abraçando, sorrindo e fazendo graça, estamos homenageando a vida, e não a maculando. Que sejam muitos esses momentos de comemoração e alegria compartilhados, pois atraem a melhor das energias. Sentir-se alegre não deveria causar desconfiança, o espírito leve só enriquece o ser humano, pois é condição primordial para fazer feliz a quem nos rodeia.

Que estejamos sempre abertos, se não escancaradamente, ao menos de forma a possibilitar uma entrada de luz pelas frestas. Que nunca estejamos lacrados para receber o que a vida traz. Novidade não é sinônimo de invasão, deturpação ou violência. Acreditemos que o novo é elemento de reflexão: merece ser avaliado sem preconceito ou censura prévia.

Que tenhamos com a morte uma relação amistosa, já que ela não é apenas portadora de más notícias. Ela também ensina que não vale a pena se desgastar com pequenas coisas, pois no período de mais alguns anos estaremos todos com o destino sacramentado, invariavelmente. Perder tempo com picuinhas é só isso, perder tempo.

Que valorizemos nossos amigos mais íntimos, as verdadeiras relações pra sempre.

Que sejamos bem-humorados, porque o humor revela consciência da nossa insignificância – os que não sabem brincar se consideram superiores, porém não conquistam o respeito alheio que tanto almejam. Ria e engrandeça-se.

Que o mar esteja sempre azul, que o céu seja farto de estrelas, que o vinho nunca seja proibido, que o amor seja respeitado em todas as suas formas, que nossos sentimentos não sejam em vão, que saibamos apreciar o belo, que percebamos o ridículo das ideias estanques e inflexíveis, que leiamos muitos livros, que escutemos muita música, que amemos de corpo e alma, que sejamos mais práticos do que teóricos, mais fáceis do que difíceis, mais saudáveis do que neurastênicos, e que não tenhamos tanto medo da palavra felicidade, que designa apenas o conforto de estar onde se está, de ser o que se é e de não ter medo, já que o medo infecciona a mente.

Que nosso Deus, seja qual for, não nos condene, não nos exija penitências, seja um amigo para todas as horas, sem subtrair nossa inteligência, prazer e entrega às emoções que nos fazem sentir plenos.

A vida é um presente, e desfrutá-la com leveza, inteligência e tolerância é a melhor forma de agradecer – aliás, a única.

Martha Medeiros



enviado por Marisa

11 de nov de 2013

Vida

Mário Quintana

Não coma a vida com garfo e faca. Lambuze-se!
Muita gente guarda a vida para o futuro.
Mesmo que a vida esteja na geladeira, se você não a viver, ela se deteriorará.
É por isso que tantas pessoas se sentem emboloradas na meia-idade.
Elas guardam a vida, não se entregam ao amor, ao trabalho, não ousam, não vão em frente.
Não deixe sua vida ficar muito séria, saboreie tudo o que conseguir: as
derrotas e as vitórias, a força do amanhecer e a poesia do anoitecer.
Com o tempo, você vai percebendo que para ser feliz você precisa aprender a
gostar de si e, principalmente, a gostar de quem também gosta de você.

enviado por Maria Jacinta  

3 de nov de 2013

ILUSÕES DO AMANHÃ

Por que eu vivo procurando um motivo de viver,
Se a vida às vezes parece de mim esquecer?
Procuro em todas, mas todas não são você.
Eu quero apenas viver, se não for para mim, que seja pra você.

Mas às vezes você parece me ignorar,
Sem nem ao menos me olhar,
Me machucando pra valer.

Atrás dos meus sonhos eu vou correr.
Eu vou me achar, pra mais tarde em você me perder.

Se a vida dá presente pra cada um, o meu, cadê?
Será que esse mundo tem jeito?
Esse mundo cheio de preconceito.

Quando estou só, preso na minha solidão,
Juntando pedaços de mim que caíam ao chão,
Juro que às vezes nem ao menos sei, quem sou.

Talvez eu seja um tolo, que acredita num sonho.
Na procura de te esquecer, eu fiz brotar a flor.

Para carregar junto ao peito,
E crer que esse mundo ainda tem jeito.
E como príncipe sonhador...
Sou um tolo que acredita, ainda, no amor.

PRÍNCIPE POETA (Alexandre Lemos - APAE) aluno da APAE

11 de out de 2013

O Auto-retrato

Mário Quintana 

No auto retrato que me faço 
 -- Traço a traço -- 
 As vezes me pinto nuvem, 
 As vezes me pinto árvore... 
 As vezes me pinto coisas 
 De quem nem há mais lembrança...
 Ou coisas que não existem 
 Mas que um dia existirão... 
 E desta lida, em que busco 
 - Pouco a pouco - 
 Minha eterna semelhança, 
 No final, que restará? 
 Um desenho de criança... 
 Corrigido por um louco!

enviado por Maria Jacinta

3 de out de 2013

Me encante - Pablo Neruda

Me encante da maneira que você quiser, como você souber.
Me encante, para que eu possa me dar…
Me encante nos mínimos detalhes.
Saiba me sorrir: aquele sorriso malicioso,
Gostoso, inocente e carente.

Me encante com suas mãos,
Gesticule quando for preciso.
Me toque, quero correr esse risco.

Me acarinhe se quiser…
Vou fingir que não entendo,
Que nem queria esse momento.

Me encante com seus olhos…
Me olhe profundo, mas só por um segundo.
Depois desvie o seu olhar.
Como se o meu olhar,
Não tivesse conseguido te encantar…

E então, volte a me fitar.
Tão profundamente, que eu fique perdido.
Sem saber o que falar…

Me encante com suas palavras…
Me fale dos seus sonhos, dos seus prazeres.
Me conte segredos, sem medos,
E depois me diga o quanto te encantei.

Me encante com serenidade…
Mas não se esqueça também,
Que tem que ser com simplicidade,
Não pode haver maldade.

Me encante com uma certa calma,
Sem pressa. Tente entender a minha alma.

Me encante como você fez com o seu primeiro namorado…
Sem subterfúgios, sem cálculos, sem dúvidas, com certeza.

Me encante na calada da madrugada,
Na luz do sol ou embaixo da chuva….

Me encante sem dizer nada, ou até dizendo tudo.
Sorrindo ou chorando. Triste ou alegre…
Mas, me encante de verdade, com vontade…

Que depois, eu te confesso que me apaixonei,
E prometo te encantar por todos os dias…
Pelo resto das nossas vidas!

28 de set de 2013

Constelação

Existe aqui mesmo uma constelação de amigos
uma constelação de amores
onde posso encontrar uma mãe, um pai
um irmão ou irmã
e mesmo namorados!
E rearranjar
em meu universo
novas relações reescritas
desta vez com amor e com afeto...
Não há aqui nem pecado e nem culpa
não há mais dor ou perda
pois tudo é somado em cura
em bênçãos, na abundância de abraços!
Neste círculo perfeito deixo minha gratidão
compartilho minha graça
e não há mais como crer naquele velho mundo
agora tão sem graça!
Há um novo mundo nascendo
sob o calor e a carícia de nossas mãos
que nesta roda se encontram
em total compaixão!

26 de set de 2013

DEPOIS DOS 35 ANOS

por Fabrício Carpinejar

"A cantora e ex-primeira dama da França, Carla Bruni, falou em entrevista para a revista Veja algo que acredito muito.

Que depois dos 35 anos, a beleza é resultado da simpatia, da elegância,
do pensamento, não mais do corpo e dos traços físicos.

A beleza se torna um estado de espírito, um brilho nos olhos, o temperamento.

A sensualidade vai decorrer mais da sensibilidade do que da aparência.

Uma mulher chata pode ser bonita antes dos 35 anos.

Uma mulher burra pode ser bonita antes dos 35 anos.

Uma mulher egoísta pode ser bonita antes dos 35 anos.

Uma mulher deprimida pode ser bonita antes dos 35 anos.

Uma mulher desagradável pode ser bonita antes dos 35 anos.

Uma mulher oportunista pode ser bonita antes dos 35 anos.

Uma mulher covarde pode ser bonita antes dos 35.

Depois, não mais, depois acabou a facilidade. Depois o que ilumina a pele é se ela é amada ou não,
se ela ama ou não, se ela é educada ou não, se ela sabe falar ou não.

Depois dos 35 anos, a beleza vem do caráter. Do jeito como os problemas são enfrentados,
da alegria de acordar e da leveza ao dormir.

Depois dos 35 anos, o sexo é o botox que funciona, a amizade é o creme que tira as rugas,
o afeto é o protetor solar que protege o rosto.

A beleza passa a ser linguagem, bom humor. A beleza passa a ser inteligência, gentileza.

Depois dos 35 anos, só a felicidade rejuvenesce."

enviado por Jane

20 de set de 2013

Presente da Vida (antigo e ainda presente!)

Aceito este amor,
Que hoje nasce em nossos corações,
Que cresce por nossos braços,
Que passa por nossas mãos,
Se dá em nosso olhar,
E se aconchega em muitos abraços...

Este amor embalado na música,
Que em nossas almas toca,
E transforma nossas vidas,
Em um instante de prazer,
Tão pleno e tão perfeito,
Que de nada mais precisa,
Para ser...

Aceito este amor,
Em que a vida me inicia,
Amor que nasce e somente se realiza,
Na essência de meu ser...

Este amor tão delicado,
Jamais na vida saciado!

Ana Liliam (em priscas eras...)

Monólogo das Mãos - Bibi Ferreira

Nem é preciso dizer mais nada.

19 de set de 2013

DESPERTA-TE !!!



O que é uma Deusa ? ~❥ DESPERTA-TE !!!

“ A Deusa é uma mulher que emerge das profundezas de si mesma.
Ela é uma mulher que tem explorado honestamente sua escuridão e aprendeu a celebrar seu nascimento.

Ela é uma mulher que é capaz de tudo no amor com magníficas possibilidades dentro dela.

Ela é uma mulher que conhece os lugares mágicos e misteriosos no interior, Lugares Sagrados que pode promover toda sua alma.

Ela é uma mulher que irradia Luz. Ela é Magnética.
Ela tem o poder e suavidade enquanto tem uma poderosa energia sexual que não é dependente do aspecto físico.

Ela tem um corpo que ela ama e mostra pela forma como ele vive e se move confortavelmente nele.
Aprecia luz, beleza e amor.

Ela é uma mãe para todas as crianças. Ele corre com a vida e graça sem esforço. Ela pode curar com um olhar ou um toque de mão.

Ela é extremamente sensual e erótica, sem medo ela se envolve com o sexo como sua forma de compartilhar com os outros um contato com o Divino.

Ela é compaixão e sabedoria. Ela é uma caçadora da verdade e se preocupa profundamente com algo maior que si mesmo .

Ela é uma mulher que sabe que seu propósito na vida é chegar mais alto e no estado de amor. Ela é uma mulher apaixonada pelo amor.

Ela sabe que a alegria é o seu destino, é abraçá-lo e compartilhá-lo com os outros; e cuidando da cicatrização de suas feridas.

Ela é uma mulher que veio para conhecer o seu parceiro na sua suavidade.
Ela veio para compreender as cicatrizes da criança e para curar-se junto a elas; o amor pode ser o alívio, a cura de feridas.

Ela é uma mulher que pode aceitar-se como é.
Ela pode aceitar os outros como eles são.
Ela é capaz de perdoar seus erros e não se sentir ameaçada pelos outros, mesmo quando é atacada.

Ela é uma mulher que pode pedir ajuda quando necessário ou dar ajuda quando solicitado.
Ela respeita seus limites, e o dos outros.

Ela pode ver Deus em cada um dos olhos que se cruzam com os dela.
Ela pode ver Deus em si. Ela pode ver Deus em todas as situações da vida.
Ela é a mulher que é responsável por tudo o que cria em sua vida.
Ela é uma mulher que é totalmente solidária e generosa.

Ela é uma Deusa que está em mim, em ti, em nós - Desperta-te !!! ”

~❥ Autor Desconhecido

15 de set de 2013

Sozinho

Primeiro fique sozinho.
Primeiro comece a se divertir sozinho.
Primeiro amar a si mesmo.
Primeiro ser tão autenticamente feliz, que se ninguém vem, não importa; 
você está cheio, transbordando.

Se ninguém bate à sua porta, está tudo bem -
Você não está em falta.
Você não está esperando por alguém para vir e bater à porta.
Você está em casa.
Se alguém vier, bom, belo.
Se ninguém vier, também é bom e belo

Em seguida, você pode passar para um relacionamento.
Agora você se move como um mestre, não como um mendigo.
Agora você se move como um imperador, não como um mendigo.

E a pessoa que viveu
em sua solidão
será sempre atraídos para outra pessoa que também está vivendo sua solidão lindamente,
porque o mesmo atrai o mesmo.
Quando dois mestres se encontram -
mestres do seu ser,
de sua solidão -
felicidade não é apenas acrescentada: é multiplicada.

Torna-se uma tremendo fenômeno de celebração.

E eles não exploram um ao outro, eles compartilham.
Eles não utilizam o outro.
Em vez disso, pelo contrário,
ambos tornam-se UM e
desfrutam da existência que os
rodeia.

************* OSHO *************

13 de set de 2013

REDAÇÃO PARA CONCURSO NA VOLKSWAGEN

No processo de seleção da Volkswagen do Brasil, os candidatos deveriam responder à seguinte pergunta:'Você tem experiência'?
A redação abaixo foi desenvolvida por um dos candidatos. Ele foi aprovado e seu texto está fazendo sucesso, e com certeza será sempre lembrado por sua criatividade, sua poesia, e acima de tudo por sua alma.

REDAÇÃO VENCEDORA:

Já fiz cosquinha na minha irmã pra ela parar de chorar,
Já me queimei brincando com vela. Eu já fiz bola de chiclete e melequei todo o rosto,
Já conversei com o espelho, e até já brinquei de ser bruxo.
Já quis ser astronauta, violonista, mágico, caçador e trapezista.
Já me escondi atrás da cortina e esqueci os pés pra fora.
Já passei trote por telefone.
Já tomei banho de chuva e acabei me viciando.
Já roubei beijo. Já confundi sentimentos.
Já peguei atalho errado e continuo andando pelo desconhecido.
Já raspei o fundo da panela de arroz carreteiro,
Já me cortei fazendo a barba apressado, já chorei ouvindo música no ônibus.
Já tentei esquecer algumas pessoas, mas descobri que essas são as mais difíceis de se esquecer.
Já subi escondido no telhado pra tentar pegar estrelas,
Já subi em árvore pra roubar fruta. Já caí da escada de bunda.
Já fiz juras eternas,
Já escrevi no muro da escola,
Já chorei sentado no chão do banheiro,
Já fugi de casa pra sempre, e voltei no outro instante.
Já corri pra não deixar alguém chorando. Já fiquei sozinho no meio de mil pessoas, sentindo falta de uma só.
Já vi pôr-do-sol cor-de-rosa e alaranjado,
Já me joguei na piscina sem vontade de voltar,
Já bebi uísque até sentir dormentes os meus lábios,
Já olhei a cidade de cima e mesmo assim não encontrei meu lugar.
Já senti medo do escuro, já tremi de nervoso,
Já quase morri de amor, mas renasci novamente pra ver o sorriso de alguém especial.
Já acordei no meio da noite e fiquei com medo de levantar.
Já apostei em correr descalço na rua.
Já gritei de felicidade.
Já roubei rosas num enorme jardim.
Já me apaixonei e achei que era para sempre, mas sempre era um 'para sempre' pela metade.
Já deitei na grama de madrugada e vi a Lua virar Sol.
Já chorei por ver amigos partindo, mas descobri que logo chegam novos, e a vida é mesmo um ir e vir sem razão.
Foram tantas coisas feitas, momentos fotografados pelas lentes da emoção, guardados num baú, chamado coração.
E agora um formulário me interroga, me encosta na parede e grita: 'Qual sua experiência?'.
Essa pergunta ecoa no meu cérebro: experiência...experiência...
Será que ser 'plantador de sorrisos' é uma boa experiência?
Sonhos!!! Talvez eles não saibam ainda colher sonhos!
Agora gostaria de indagar uma pequena coisa para quem formulou esta pergunta:
Experiência? 'Quem a tem, se a todo o momento tudo se renova?'.

enviado por Virgínia

1 de set de 2013

Noite estrelada

Que esta noite acolha a saudade ancorada e todas as estrelas desabotoadas do céu. Que haja abrigo do frio sob a lua, e que as cabeças possam repousar no colo do cansaço e superar mais este dia de escassez para uns, de aconchego e cama quente para outros. Que a esperança agasalhe nossos sonhos para que nada envelheça nosso sorriso. Que haja uma pausa para as reclamações e que a gratidão impere dando a importância maior que têm as coisas corriqueiras. Que um manto amoroso contagie nossa rotina e nossas palavras fluam responsáveis, compreensivas e delicadas quando destinadas ao Outro. Que tenhamos boas intenções e generosidade. E que sejamos alvos e portadores de boas notícias.

Desejo paz.

Marla de Queiroz

30 de ago de 2013

Dançar

Eu danço...
Sem ensaio ou coreografia,
apenas desejo estender meus longos braços
num giro do infinito,
e tecer com meus pés os desenhos inconfundíveis da liberdade...
Gosto de dançar,
e sentir o gosto de teus braços que me apertam
de tuas mãos que me seguram, segura...
Gosto do toque das mãos, dos carinhos sem fim,
sem começo, sem coisa alguma
que não seja teu amor por mim!
Eu amo...
Mesmo que incompreensível seja amar!
Se nada mais há de tão belo e precioso
que possa nos tocar...
E neste espaço sagrado,
eu e tu, que são muitos,
nos amamos
e dançamos felizes,
e aqui enterramos
tantas cicatrizes, machucados dos tempos,
das eras, que já não importam mais,
e colhemos os pedaços da alma perdidos,
e nos colamos, uns aos outros,
apenas para ser felizes,
e dançar!

Ana Liliam

29 de ago de 2013

Gosto de sol

Bom dia!!!!

Um gosto de sol nos lábios, um cheiro de café na boca, um tapete de folhas sobre o rosto nesta manhã tão convicta. E o dia, com passos largos, desenha caminhos de luz. Ainda é cedo, a areia sem pegadas. Só o resquício de espuma do mar que diluiu toda a noite. A lua mudada em suas formas, opaca no azul infantil: desavisada, perdeu a hora e amanheceu deitada no alto da pedra, do lado esquerdo do sol. Ainda a mesma amendoeira adorna a janela do quarto, mas ela não é mais a mesma para os meus olhos inéditos. E o mundo respira macio, o vento dança dentro do arrepio, casaco de lã sobre a pele. E um gosto de café na boca, perfume de sol nos cabelos, a pedra que vigia a lua desarredondada e opaca. 

O céu que perdeu o anil reina convicto agora, em seu azul infantil.

Marla de Queiroz
Um gosto de sol nos lábios, um cheiro de café na boca, um tapete de folhas sobre o rosto nesta manhã tão convicta. E o dia, com passos largos, desenha caminhos de luz. Ainda é cedo, a areia sem pegadas. Só o resquício de espuma do mar que diluiu toda a noite. A lua mudada em suas formas, opaca no azul infantil: desavisada, perdeu a hora e amanheceu deitada no alto da pedra, do lado esquerdo do sol. Ainda a mesma amendoeira adorna a janela do quarto, mas ela não é mais a mesma para os meus olhos inéditos. E o mundo respira macio, o vento dança dentro do arrepio, casaco de lã sobre a pele. E um gosto de café na boca, perfume de sol nos cabelos, a pedra que vigia a lua desarredondada e opaca.

O céu que perdeu o anil reina convicto agora, em seu azul infantil.

Marla de Queiroz

Amor amigo


















"Quero ser o teu amor amigo. Nem demais e nem de menos.
Nem tão longe e nem tão perto.
Na medida mais precisa que eu puder.
Mas amar-te sem medida e ficar na tua vida,
Da maneira mais discreta que eu souber.
Sem tirar-te a liberdade, sem jamais te sufocar.
Sem forçar tua vontade.
Sem falar, quando for hora de calar.
E sem calar, quando for hora de falar.
Nem ausente, nem presente por demais.
Simplesmente, calmamente, ser-te paz.
É bonito ser amor amigo, mas confesso é tão difícil aprender!
E por isso eu te suplico paciência.
Vou encher este teu rosto de lembranças,
Dá-me tempo, de acertar nossas distâncias..."

Fernando Pessoa.

Obra de Mark Kostabi.

28 de ago de 2013

Ela acordou W3

Crônica publicada na VEJA Brasília desta semana.

16.ago.2013 12:02:54 | por Daniel Cariello



– Bom dia, doutor.

– Bom dia, o que a traz aqui?

– Hoje eu acordei totalmente W3!

– Não me diga… Como isso começou?

– Não sei bem. Ontem, depois da segunda pinga de pequi, comecei a me sentir meio tesourinha. Aí, quando me olhei no espelho de manhã, notei que estava assim, W3.

– Você está se sentindo mais W3 Sul ou Norte?

– E tem isso?

– Tem, claro. É comum pacientes reclamarem de uma sensação de W3 Sul, um sentimento de se tornarem desimportantes depois de terem vivido uma época de glória.

– Talvez eu esteja mais W3 Norte, então. Tô me sentindo como alguém que tinha um grande vazio que foi preenchido desorganizadamente.

– Era disso que eu tinha medo!

– Por quê, doutor?

– Casos de W3 Sul são mais facilmente tratados. Uma volta de Grande Circular às 18 horas geralmente resolve. O sentimento de abandono desaparece completamente.

– Sério?

– É batata! O único efeito colateral possível é a síndrome de W3 Sul ser substituída por uma de Sudoeste Econômico, uma sensação horrível de aperto. Mas essa é temporária: basta descer do ônibus que passa.

– Mas então o meu caso de W3 Norte é grave, doutor?

– Não sei dizer. É um fenômeno relativamente novo. Tive poucos pacientes com esse diagnóstico.

– Você pode me ajudar? Por favor!

– Podemos tentar um tratamento alternativo. Há alguns meses, recebemos aqui um rapaz com os mesmos sintomas e receitamos uma grande dose de Conjunto Nacional. Nada como combater o caos com mais caos.

– Deu certo?

– Não sabemos, parece que ele se perdeu no shopping e não conseguiu mais encontrar a saída. Olhando pelo lado bom, não voltou para reclamar. Mas não se preocupe, vamos utilizar outra técnica com você. Só não posso garantir que vá funcionar.

– Topo qualquer coisa para me livrar disso.

Uma semana depois, ela retorna ao consultório.

– Que bom vê-la novamente! Seguiu o tratamento?

– Segui.

– Ficou uns dias em casa, quieta, sem contato com o mundo, só escutando Legião Urbana acústico e Renato Russo em italiano?

– Fiquei.

– Ainda está W3?

– Não.

– Eu sabia!!! Como se sente agora?

– Depois desse claustro? Agora me sinto Noroeste: totalmente vazia, subitamente desvalorizada, completamente empoeirada. Você precisa me ajudar, doutor!

– Ai, meu Dom Bosco...

enviada por Wilson

27 de ago de 2013

Amazing Norwegian proposal!



A aldeia tem só 110 habitantes… Então como surpreender e fazer um pedido de casamento diferente? O rapaz sabia que a noiva gostaria de ir para Itália um dia, então resolveu trazer um pouco da itália pra ilha de Røvær.

Com 110 habitantes, menos do que vocês tem de amigos no 'face', é claro, que todos souberam do pedido surpresa e ajudaram um pouco.

Inspirem-se!

7 de ago de 2013

CAFÉ COM AS AMIGAS

No final de uma palestra sobre saúde na Universidade de Stanford o palestrante apontou, entre outras coisas, que os estudos mostram que uma das melhores coisas que um homem pode fazer por sua saúde é se casar: o casamento aumenta a longevidade e o bem-estar pessoal do homem.

Questionado sobre a saúde da mulher, o palestrante apontou um dado surpreendente: ao invés do casamento a mulher precisa cultivar seus relacionamentos com as amigas!

Essa declaração provocou risos na platéia, mas o professor fundamentou o fato muito à sério.

Os estudos realizados mostram que as mulheres se conectam de maneira diferente dos homens e fornecem outros sistemas de apoio que as ajudam a lidar com experiências estressantes e difíceis em suas vidas.
"Tempo com Amigas" é muito significativo no nível fisiológico: ajuda a produzir mais serotonina (neurotransmissor) que auxilia no combate à depressão e cria um sentimento geral de bem-estar. As mulheres tendem a compartilhar seus sentimentos, enquanto os homens geralmente se conectam em torno de tarefas. Eles raramente se sentam com um amigo falando sobre como se sentem sobre algo, ou como está sua vida pessoal. Falam de trabalho, esportes, carros, mulheres, etc. mas dos seus sentimentos, raramente...

As mulheres fazem isso o tempo todo. Elas compartilham sentimentos e emoções das profundezas de suas almas com suas amigas, e parece que isso realmente contribui para a sua própria saúde.

O conferencista acrescentou, ressaltando que o "tempo gasto" com amigas é tão importante para a saúde das mulheres como correr ou fazer ginástica.

De fato, há uma tendência (errônea) de pensar que quando nos envolvemos com alguma atividade física estamos fazendo algo de bom para o nosso corpo, enquanto que quando conversamos com as nossas amigas, "desperdiçamos" o tempo em vez de fazer algo mais produtivo.

O orador salientou que não manter relacionamentos de qualidade com outras pessoas prejudica a nossa saúde física tanto quanto o fumo!

Portanto, cada vez que nós (as mulheres, é claro) sentamos para conversar com uma amiga estamos fazendo algo muito benéfico para a nossa saúde.

Então... "Tim-Tim" ao café, chá, suco, etc. com as amigas!

enviado por Jane

6 de ago de 2013

A complicada arte de ver



Rubem Alves
colunista da Folha de S.Paulo

Ela entrou, deitou-se no divã e disse: "Acho que estou ficando louca". Eu fiquei em silêncio aguardando que ela me revelasse os sinais da sua loucura. "Um dos meus prazeres é cozinhar. Vou para a cozinha, corto as cebolas, os tomates, os pimentões _é uma alegria! Entretanto, faz uns dias, eu fui para a cozinha para fazer aquilo que já fizera centenas de vezes: cortar cebolas. Ato banal sem surpresas. Mas, cortada a cebola, eu olhei para ela e tive um susto. Percebi que nunca havia visto uma cebola. Aqueles anéis perfeitamente ajustados, a luz se refletindo neles: tive a impressão de estar vendo a rosácea de um vitral de catedral gótica. De repente, a cebola, de objeto a ser comido, se transformou em obra de arte para ser vista! E o pior é que o mesmo aconteceu quando cortei os tomates, os pimentões... Agora, tudo o que vejo me causa espanto."

Ela se calou, esperando o meu diagnóstico. Eu me levantei, fui à estante de livros e de lá retirei as "Odes Elementales", de Pablo Neruda. Procurei a "Ode à Cebola" e lhe disse: "Essa perturbação ocular que a acometeu é comum entre os poetas. Veja o que Neruda disse de uma cebola igual àquela que lhe causou assombro: 'Rosa de água com escamas de cristal'. Não, você não está louca. Você ganhou olhos de poeta... Os poetas ensinam a ver".

Ver é muito complicado. Isso é estranho porque os olhos, de todos os órgãos dos sentidos, são os de mais fácil compreensão científica. A sua física é idêntica à física óptica de uma máquina fotográfica: o objeto do lado de fora aparece refletido do lado de dentro. Mas existe algo na visão que não pertence à física.

William Blake sabia disso e afirmou: "A árvore que o sábio vê não é a mesma árvore que o tolo vê". Sei disso por experiência própria. Quando vejo os ipês floridos, sinto-me como Moisés diante da sarça ardente: ali está uma epifania do sagrado. Mas uma mulher que vivia perto da minha casa decretou a morte de um ipê que florescia à frente de sua casa porque ele sujava o chão, dava muito trabalho para a sua vassoura. Seus olhos não viam a beleza. Só viam o lixo.

Adélia Prado disse: "Deus de vez em quando me tira a poesia. Olho para uma pedra e vejo uma pedra". Drummond viu uma pedra e não viu uma pedra. A pedra que ele viu virou poema.

Há muitas pessoas de visão perfeita que nada vêem. "Não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores. Não basta abrir a janela para ver os campos e os rios", escreveu Alberto Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa. O ato de ver não é coisa natural. Precisa ser aprendido. Nietzsche sabia disso e afirmou que a primeira tarefa da educação é ensinar a ver. O zen-budismo concorda, e toda a sua espiritualidade é uma busca da experiência chamada "satori", a abertura do "terceiro olho". Não sei se Cummings se inspirava no zen-budismo, mas o fato é que escreveu: "Agora os ouvidos dos meus ouvidos acordaram e agora os olhos dos meus olhos se abriram".

Há um poema no Novo Testamento que relata a caminhada de dois discípulos na companhia de Jesus ressuscitado. Mas eles não o reconheciam. Reconheceram-no subitamente: ao partir do pão, "seus olhos se abriram". Vinícius de Moraes adota o mesmo mote em "Operário em Construção": "De forma que, certo dia, à mesa ao cortar o pão, o operário foi tomado de uma súbita emoção, ao constatar assombrado que tudo naquela mesa _garrafa, prato, facão_ era ele quem fazia. Ele, um humilde operário, um operário em construção".

A diferença se encontra no lugar onde os olhos são guardados. Se os olhos estão na caixa de ferramentas, eles são apenas ferramentas que usamos por sua função prática. Com eles vemos objetos, sinais luminosos, nomes de ruas _e ajustamos a nossa ação. O ver se subordina ao fazer. Isso é necessário. Mas é muito pobre. Os olhos não gozam... Mas, quando os olhos estão na caixa dos brinquedos, eles se transformam em órgãos de prazer: brincam com o que vêem, olham pelo prazer de olhar, querem fazer amor com o mundo.

Os olhos que moram na caixa de ferramentas são os olhos dos adultos. Os olhos que moram na caixa dos brinquedos, das crianças. Para ter olhos brincalhões, é preciso ter as crianças por nossas mestras. Alberto Caeiro disse haver aprendido a arte de ver com um menininho, Jesus Cristo fugido do céu, tornado outra vez criança, eternamente: "A mim, ensinou-me tudo. Ensinou-me a olhar para as coisas. Aponta-me todas as coisas que há nas flores. Mostra-me como as pedras são engraçadas quando a gente as têm na mão e olha devagar para elas".

Por isso _porque eu acho que a primeira função da educação é ensinar a ver_ eu gostaria de sugerir que se criasse um novo tipo de professor, um professor que nada teria a ensinar, mas que se dedicaria a apontar os assombros que crescem nos desvãos da banalidade cotidiana. Como o Jesus menino do poema de Caeiro. Sua missão seria partejar "olhos vagabundos"...

https://www.blogger.com/blogger.g?blogID=3422171244595345730#editor/target=post;postID=4598525368190480809


enviado por Durante

31 de jul de 2013

Sem mais nada a dizer

Caminho
um passo de cada vez
por uma estrada por vezes tão escura
sem me deter
sem nada temer.
Respiro
lentamente
tento sentir, despertar
o que está latente.
Uma parte de mim dorme
profundamente
de forma tão inocente
inclemente aos meus pedidos.
Sigo em frente
acordada ou dormindo
toda ou em partes
junto os pedaços.
Rebotalhos
meu corpo ainda em frangalhos
quantos cadáveres
putrefatos!
Entrego a Ti
entrego-me a Ti
nada mais posso fazer
a não ser prosseguir.
Agora é conTigo
um templo, uma pira
para tudo queimar
deixar de ser
sem de fato nunca ter sido.

Ana Liliam

30 de jul de 2013

Reflexões sobre a Biodanza e a vida

Todos nós temos alguns papéis bem definidos na vida, seja como pais, mães, maridos, esposas, donas do lar, empregados ou patrões, etc. Estes papéis fazem parte de nossas vidas e a estruturam. No entanto, estes papéis não contemplam todo nosso potencial humano, e com o passar do tempo eles podem se tornar limitantes, gerando insatisfação.

Algumas pessoas exercem papéis bem mais ricos e diversificados em suas vidas, talvez como artistas, pesquisadores e em serviços humanitários, relacionam-se com muitas pessoas e encontram a oportunidade de viver mais plenamente sua criatividade, curiosidade e potencial humano. Mas não são muitas as pessoas que se encontram nesta situação, vivendo e expressando sua vida até a idade avançada; em geral as conhecemos de alguma forma, e as admiramos.

A questão é como viver nossos potenciais adormecidos, e mesmo como reconhecê-los e tomar posse deles, para encontrar a plenitude em nossa vida, dando vazão a multiplicidade de aspectos que somos, e, neste contexto reconheço na Biodanza esta possibilidade e dela participo.

E não se trata de fantasia, mas de reaprender a viver a vida. Não há sentido na vida sem o outro, não há como viver sem amar, e nem amar sem ser amado. Como num grande salão de espelhos, no outro eu me descubro; na dança celebro minha força, minha luz, quem sou, quem posso ser, compartilho o melhor de mim e recebo da mesma forma tudo que entrego no momento eterno da presença.

Como um grande laboratório humano eu sinto, eu vivo, eu experimento, eu aprendo, eu me torno a luz que eu vejo refletida em cada um. Venço meus medos, minhas culpas, rompo limites, para me descobrir, para me deslumbrar.

Damos a mãos, nos abraçamos, trocamos afetos, e assim desfaço pouco à pouco os velhos padrões que me separam de meus irmãos, de todos, do mundo. Integro-me, desintegro-me, pulverizo-me para ser quem Sou, para ser parte de tudo e de todos.

Não precisamos ser definidos por nossos papéis na sociedade, na verdade nada pode definir a grandeza e a multiplicidade que somos, mas podemos a todo momento recriar velhos e novos papéis, podemos também ir além de todos eles e encontrar o frescor da vida em cada novo dia.

O amor é a grande força que rege o mundo, é a grande canção do universo, e aprender a dançar esta dança é se tornar uno com o universo e suas forças. A dança do amor é alegria, é beleza, é liberdade, é afinal a expansão de quem realmente Somos. É a vida em plenitude.

Ana Liliam


25 de jun de 2013

Janelas da alma

Abro as janelas da alma,
até então míopes,
para te ver,
quem sabe pela primeira vez...
Respiro e procuro sentir,
meu corpo, um coração que bate,
a vida que em mim vive.
São muitos os meios de comunicação,
e quase nenhum de encontrar-te,
mas eu tento, e vou tentar sempre!
Em meio a palavras vagas,
a gestos tão metódicos,
procuro encontrar uma passagem,
uma brecha,
em que teu olhar encontre o meu,
ou talvez uma outra forma
de tocar teu coração.
Se te encontro,
é a mim que encontrarei,
se te descubro,
sou eu.
Não há outro caminho,
de me tornar a achar,
se não em ti.
Até então da vida quase nada eu vi,
perdida em meu mundinho,
pensamentos que vem e vão,
creio que nunca vivi.
Por isso piso devagar,
tento sentir a terra,
seu aroma inalar,
na esperança de nos encontrar.

Ana Liliam

6 de jun de 2013

Poeira ao vento


Abro as mãos
e delas deixo escorrer  meus sonhos,
como areia na praia,
como a poeira no vento...
Eu, que com tanto cuidado teci
miríades de ilusões
sob o pano roto da vida,
somente para agora desfiá-los...
E tudo se esvai
e o tempo com eles escoa,
pesaroso, pois o tempo também vai partir,
como tudo mais,
para nunca mais...
Pai, veja minhas mãos vazias,
são Tuas agora,
mais que nunca!
Para que Tu as preencha,
com as dádivas que vim aqui deixar,
antes de também partir...

Ana Liliam

30 de mai de 2013

O sonho bom

Quem eu sou, se apenas conheço quem não sou
perdida neste planetinha,
frágil, de carne e ossos,
de nervos instáveis,
onde o coração palpita
de medo, de dor,
e de paixões improváveis...
Decido deixar de ser quem não sou,
largar as armas,
os fogos ardentes
de amores inclementes,
os fragmentos de memórias,
as coisas loucas todas,
por onde andei e em falso pisei,
e dar um basta!
Dou largos passos fora da roda
que parece não ter fim,
e mesmo que no sonho,
sou a sonhadora que escolhe
o que sonhar.
E vejo os sonhos felizes,
e neles escolho entrar,
onde já não há mais culpa,
nem medo algum,
apenas o carinho que embala
alma e corpo,
que desfaz os sonhos ruins,
que toca, e troca tudo,
em doces, doces lembranças, de antes,
de antes de tudo,
de antes do sonho...
Logo antes de acordar,
é o sonho bom que vou sonhar,
onde todos vocês são meus presentes,
e para quem com meu amor irei tocar...

Ana Liliam
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