Letras são como estrelas, a guiar o viajante disperso, a uma praia, porto, lugar qualquer, onde possa raiar o dia, onde almas, mentes, corações, possam se encontrar, viver um espaço de beleza maior...

25 de jun de 2013

Janelas da alma

Abro as janelas da alma,
até então míopes,
para te ver,
quem sabe pela primeira vez...
Respiro e procuro sentir,
meu corpo, um coração que bate,
a vida que em mim vive.
São muitos os meios de comunicação,
e quase nenhum de encontrar-te,
mas eu tento, e vou tentar sempre!
Em meio a palavras vagas,
a gestos tão metódicos,
procuro encontrar uma passagem,
uma brecha,
em que teu olhar encontre o meu,
ou talvez uma outra forma
de tocar teu coração.
Se te encontro,
é a mim que encontrarei,
se te descubro,
sou eu.
Não há outro caminho,
de me tornar a achar,
se não em ti.
Até então da vida quase nada eu vi,
perdida em meu mundinho,
pensamentos que vem e vão,
creio que nunca vivi.
Por isso piso devagar,
tento sentir a terra,
seu aroma inalar,
na esperança de nos encontrar.

Ana Liliam

6 de jun de 2013

Poeira ao vento


Abro as mãos
e delas deixo escorrer  meus sonhos,
como areia na praia,
como a poeira no vento...
Eu, que com tanto cuidado teci
miríades de ilusões
sob o pano roto da vida,
somente para agora desfiá-los...
E tudo se esvai
e o tempo com eles escoa,
pesaroso, pois o tempo também vai partir,
como tudo mais,
para nunca mais...
Pai, veja minhas mãos vazias,
são Tuas agora,
mais que nunca!
Para que Tu as preencha,
com as dádivas que vim aqui deixar,
antes de também partir...

Ana Liliam
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