Letras são como estrelas, a guiar o viajante disperso, a uma praia, porto, lugar qualquer, onde possa raiar o dia, onde almas, mentes, corações, possam se encontrar, viver um espaço de beleza maior...

31 de jul de 2013

Sem mais nada a dizer

Caminho
um passo de cada vez
por uma estrada por vezes tão escura
sem me deter
sem nada temer.
Respiro
lentamente
tento sentir, despertar
o que está latente.
Uma parte de mim dorme
profundamente
de forma tão inocente
inclemente aos meus pedidos.
Sigo em frente
acordada ou dormindo
toda ou em partes
junto os pedaços.
Rebotalhos
meu corpo ainda em frangalhos
quantos cadáveres
putrefatos!
Entrego a Ti
entrego-me a Ti
nada mais posso fazer
a não ser prosseguir.
Agora é conTigo
um templo, uma pira
para tudo queimar
deixar de ser
sem de fato nunca ter sido.

Ana Liliam

30 de jul de 2013

Reflexões sobre a Biodanza e a vida

Todos nós temos alguns papéis bem definidos na vida, seja como pais, mães, maridos, esposas, donas do lar, empregados ou patrões, etc. Estes papéis fazem parte de nossas vidas e a estruturam. No entanto, estes papéis não contemplam todo nosso potencial humano, e com o passar do tempo eles podem se tornar limitantes, gerando insatisfação.

Algumas pessoas exercem papéis bem mais ricos e diversificados em suas vidas, talvez como artistas, pesquisadores e em serviços humanitários, relacionam-se com muitas pessoas e encontram a oportunidade de viver mais plenamente sua criatividade, curiosidade e potencial humano. Mas não são muitas as pessoas que se encontram nesta situação, vivendo e expressando sua vida até a idade avançada; em geral as conhecemos de alguma forma, e as admiramos.

A questão é como viver nossos potenciais adormecidos, e mesmo como reconhecê-los e tomar posse deles, para encontrar a plenitude em nossa vida, dando vazão a multiplicidade de aspectos que somos, e, neste contexto reconheço na Biodanza esta possibilidade e dela participo.

E não se trata de fantasia, mas de reaprender a viver a vida. Não há sentido na vida sem o outro, não há como viver sem amar, e nem amar sem ser amado. Como num grande salão de espelhos, no outro eu me descubro; na dança celebro minha força, minha luz, quem sou, quem posso ser, compartilho o melhor de mim e recebo da mesma forma tudo que entrego no momento eterno da presença.

Como um grande laboratório humano eu sinto, eu vivo, eu experimento, eu aprendo, eu me torno a luz que eu vejo refletida em cada um. Venço meus medos, minhas culpas, rompo limites, para me descobrir, para me deslumbrar.

Damos a mãos, nos abraçamos, trocamos afetos, e assim desfaço pouco à pouco os velhos padrões que me separam de meus irmãos, de todos, do mundo. Integro-me, desintegro-me, pulverizo-me para ser quem Sou, para ser parte de tudo e de todos.

Não precisamos ser definidos por nossos papéis na sociedade, na verdade nada pode definir a grandeza e a multiplicidade que somos, mas podemos a todo momento recriar velhos e novos papéis, podemos também ir além de todos eles e encontrar o frescor da vida em cada novo dia.

O amor é a grande força que rege o mundo, é a grande canção do universo, e aprender a dançar esta dança é se tornar uno com o universo e suas forças. A dança do amor é alegria, é beleza, é liberdade, é afinal a expansão de quem realmente Somos. É a vida em plenitude.

Ana Liliam


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