Letras são como estrelas, a guiar o viajante disperso, a uma praia, porto, lugar qualquer, onde possa raiar o dia, onde almas, mentes, corações, possam se encontrar, viver um espaço de beleza maior...

22 de dez de 2015

Ovelha rebelde II

Admiro as dóceis ovelhinhas. Seus questionamentos são fáceis, elas estão tranquilas em suas escolhas e seguem o rebanho em paz.
Mas não estou entre elas. Sou uma ovelha rebelde e se sigo o rebanho, é a alguns passos de distância.
Eu questiono, mastigo o que me servem, e cuspo o que não me agrada.
Por onde caminho o ar é sempre fresco. Ninguém me empurra, ninguém me segue.
Em meu caminho a vista é magnífica, e deslumbro o sol em seu nascimento e ocaso.
Sei que ando por entre um campo novo, muitas vezes íngreme e difícil, mas gosto dos desafios.
Não me incomodo se muitas vezes estou só. A solidão me agrada, e assim posso refletir melhor.
Não carrego bandeiras, não visto camisas, não grito palavras de ordem, não obedeço, e se me calo é para seguir em paz. Não sou do tipo que segue as massas.
Carrego meu emblema no peito. Do lado de dentro. Ele me guia, e a Ele sou dócil.

Ana Liliam

1 de dez de 2015

Viver entre dois mundos

Caminho lentamente
como quem segue e conduz tênues fios de luz,
que me levam a um passado distante.
Nesse ir e vir vou fechando feridas,
estancando hemorragias,
cuidando de mortos,
num trabalho meticuloso
quase cirúrgico.
Salvo almas,
ou pedaços de almas,
de um tempo congelado,
amargo e talvez cruel.
Como se fosse este meu destino,
uma caminhante entre dois mundos,
paciente e calmamente,
salvando aqueles que fui um dia.
De tanto me abeirar do outro lado do rio,
a tarefa se fez prazerosa,
e os mortos se fizeram amigos.
De nada me assusto,
apena conduzo,
chamo os santos para nos assistirem,
eles é que fazem tudo.
Eu sei que parece estranho,
e a ninguém falo,
deste destino inusitado.
Mas lá no fundo agradeço,
a Deus, ao universo,
curar mil vidas em uma,
dar mil passos,
em equilíbrio,
numa estreita esteira que entremeia
a vida e a morte.

Ana Liliam

11 de nov de 2015

Rolando Toro - Creador de la Biodanza




Transcrição e tradução de Adriana

Vídeo Rolando Toro – Creador de la Biodanza

https://www.youtube.com/watch?v=kaBVe2PexUM

Pensei a Biodanza como uma poética do encontro humano, como um modo diferente de relacionar-se em um mundo extremamente solitário, em que as pessoas estão carentes de amor e em que o que mais necessitamos na vida é a ternura.

Talvez a Biodanza tenha nascido do desespero, do desejo de nos redimirmos de nossos gestos empobrecidos, de nossa falta de amor, de nossa solidão.

Uma estética diferente da dança tradicional. O importante era que todas as pessoas pudessem dançar e não apenas os privilegiados, os gênios da dança. Que pudessem dançar a criança, o adolescente, o ancião, o doente, o saudável. Que pudesse dançar o executivo, o político. Que pudesse dançar o professor com seus alunos. Então, se abriu um mundo.

Vivendo com pureza, com naturalidade, o cotidiano em meio ao amor. O amor não é uma palavra já muito gasta. As pessoas, eu creio, não descobriram o significado profundo, essencial, do amor. O amor é muito mais do que amar seu filhote, ou amar seus filhos, ou amar o marido. O amor é uma potência organizadora que há dentro do ser humano e que transcende o individual. Ou seja, o amor tem um sentido global, irradiante, poderoso, integrador, extraordinário.

O amor não é essa coisinha restrita ao individual.

Despertar essa força, que é uma força cósmica, é a finalidade da Biodanza.

A ética nasce da afetividade. A consciência ética é o desenvolvimento de uma qualidade muito refinada do ser humano. Os alunos a alcançam depois de um tempo de fazer Biodanza.

É uma transmutação de valores e essa transmutação só pode ser feita pela afetividade. Essa transmutação individual, esse processo evolutivo das pessoas, consiste em sentir o outro como parte sua. O que acontece ao outro está acontecendo com você.

Quando estão matando os jovens na guerra, estão te matando. Quando estão explorando milhares de operários, estão te explorando. Porque não somos seres isolados. Somos um só conjunto. Estamos muito unidos cosmicamente. Estamos colados uns aos outros. E as pessoas creem muito em sua personalidade, e em sua individualidade, e em seu mundinho, porque não tem a menor evolução. Não tem consciência ética, não tem compaixão, não tem afetividade.

Eu creio que o maior ato politico que existe, o melhor ato político, é o abraço.

Se as pessoas andassem de mãos dadas pelas ruas, solidariamente, encontrando-se, abraçando-se, estariam fazendo política. De forma que o abraço, o beijo, o encontro não são algo tão inócuo. A pessoa que entra nessa cerimônia, entra em um processo de transformação.

E isso está comprovado pela ciência. Está completamente provado. Não é uma hipótese.

A vida está na mulher que amamenta seu filho.

A vida está nos apaixonados que se buscam apaixonadamente e que querem fundir-se.

A vida está no velho que brinca com seus netos.

A vida está no lavrador que cultiva o semeado.

Então, um mundo bélico como esse, um mundo em que foram assassinados milhões e milhões de pessoas (porque este foi o século mais infame da história humana), em um mundo como esse, propor a dança, propor o canto, propor o abraço é absolutamente necessário. Por cada fuzil, por cada míssil, por cada bombardeiro, é preciso realizar abraços, beijos, dança.

Se me dissessem “o que querem os de Biodanza? Querem despertar a energia do amor, a bomba atômica do amor, que alcance a todo o planeta, que se irradie às províncias, aos campos, aos confins do mundo.

Mas eu não vou chegar a ver, seguramente, quando a massa crítica chegue a seu ponto deflagrador. Mas tenho a certeza mais absoluta de que esse ponto vai chegar, e para isso temos centenas de professores que estão lutando, estão lutando-dançando, para alcançar esse objetivo.

Então, eu, quando tenha que me despedir do mundo, irei sem tristeza. Irei com uma imensa fé de que virão tempos melhores. Teremos tempos melhores. Sem massacres, sem competitividade, sem injustiças, sem doenças graves, sem delinquência. Teremos tempos melhores. Não tenho dúvidas.

Porque esse é o destino do homem. O destino do homem não é a onipotência do dinheiro, nem a onipotência tecnológica. O destino do homem é o amor.

9 de nov de 2015

Olhar

Meus olhos molhados
respondem ao teu chamado...
Que as águas do meu ser te recebam
com o cuidado e amor devidos,
como um oceano em que mergulhas,
como um rio em que te lavas,
como um lago límpido em que rompes tuas manhãs,
ou lago escuro em que te espelhas...
Eu que sou água,
só posso ter olhos úmidos a te olhar,
só posso ser a água de útero cósmico a te ter,
só posso oferecer que me bebas,
e me tenhas,
e me tomes a matar tua sede
em minha sede
de amar...

20 de out de 2015

A POESIA QUE DANÇA EM MEU PENSAMENTO



Bailam palavras em meu pensamento,
Palavras que se unem,
Belas e pungentes,
Num balé de idéias e sentimentos.

Bailam em meu coração
Tantos amores,
Que se unem em uma só harmonia:
De vida.

Dança a vida,
Na música,
Na harmonia,
Que bate em meu peito,
E que faz a poesia...

Poesia, canção que dança,
Que faz dançar
A vida que rodopia,
Em meu ser...

Música, dança e poesia
De vida!

Ana Liliam


                     

19 de out de 2015

Sonho de menina


Em meus sonhos de menina,
Imaginei um mundo risonho,
Com ternura e amor sem fim.
Mas a vida,
De encontros e desencontros,
Fez me esquecer de meus sonhos,
Por fim...

Um dia em teus braços me achei,
E toda ternura esquecida,
Fez-se em um mágico instante reconhecida.
De meu amor impossível,
Em tua ternura possível acreditei.

E deste amor não vivido,
Deste amar inatingível,
Também me despeço,
Para que sejas feliz,
Num encontro possível.

Quanto a mim,
Continuo meu caminhar,
Eternamente a buscar,
A ternura que um dia encontrei,
Em teu olhar...

18 de out de 2015

Felicidade

Prazer, eu me chamo Felicidade
e se você me der a honra desta dança,
dançaremos a noite inteira,
e toda a cidade será música,
e toda a gente será feliz como nunca!

Bem-vindo, eu me chamo Prazer,
e se você me der as mãos nesta roda,
juntos iremos a lugares nunca antes conhecidos,
e desfrutaremos de paisagens jamais vistas,
e navegaremos por céus e terras até então desconhecidos...

Olá, eu me chamo Alegria,
estou aqui para te tocar,
de uma forma nova e definitiva,
para fazer de cada dia uma nova experiência,
tão linda e especial que jamais será esquecida!

E você, eu te peço, não faça nada,
apenas deixe que eu te carregue
nos passos desta dança,
que eu te tome nesta roda,
que tuas mãos estejam nas minhas,
e que teu olhar possa mergulhar,
no meu,
como as ondas de um mar...

Jamais seremos os mesmos,
e o mundo será novo,
e a vida será outra,
e tão rica,
e tão bela,
que o tempo deixará de existir,
e viajaremos nos cosmos,
e conheceremos a Deus...

Venha, eu te peço, venha comigo...

Ana Liliam

O Sol Que Hoje Brilha


Não me digas que nada mudou,
Pois um novo dia já raiou,
Iluminou minha vida,
E hoje te digo que tudo,
Tudo já se transformou...

Não penses que já não ligo,
Que não faz diferença,
E que o sol que hoje brilha,
Não empalidece,
Aquele que já brilhou um dia...

Não digas que não estás em minhas poesias,
Em minhas preces,
Em minha vida,
Pois é isto que hoje conquistas,
E para que não te esqueças,
E muito mais me aqueças,
É que te escrevo
Palavras de amor acesas...

E teu maior cuidado
Não é aquele que no cotidiano me despensas,
Mas são teus beijos,
Teus afagos,
E muitos abraços!
E disso jamais te esqueças!

17 de out de 2015

Anjo



Sonhava com um anjo,
Tão doce e tão suave,
Tão belo e singelo,
Como o amor que me ofertaria.

Um dia, o anjo minha prece ouviu,
Disfarçado se fez presente,
Com suas asas me tocou,
E meu amor despertou...

Ah, este anjo displicente!
O que me trouxestes de presente?
Os sonhos de um céu profundo,
Todas as estrelas que lá brilham!

Não mais me saíste do pensamento,
Em vão tento eu esquecer-te,
Pois as estrelas que me destes de presente,
Povoam de fantasias meus sonhos,
Como se fosse eu adolescente!

Como viverei sem ti?
Como esquecer o céu que me inspira,
Quando a vida me chama,
Para que eu acorde e nela viva?

Quero dizer-te adeus,
E não sei como farei,
Pois parece que estou irremediavelmente
No tempo que se faz presente,
Entre o Céu e a Terra,
Entre a estrela e a poeira...

Não deixes que eu me perca,
Ou me deixes, para que eu perceba,
A Terra, a poeira,
A vida inteira, plena!

16 de out de 2015

Meu Amor, Como o Mar


Não há culpa,
Nem pecado,
Em meus desejos.
Não há culpa ou erro
Em meu coração...

Pois meu coração é puro,
Como a mais inocente criança,
Meu coração é como um coração de alcachofra,
De muitas pétalas,
De muitos amores...

Meu coração não quer mais calar,
Meu coração quer dançar
Todo o meu amor,
Que me traz à Terra,
Que me leva aos céus!

Porque meu amor é eterno como o céu,
É infinito como o universo,
Meu amor é belo como a face de Deus,
Ama aos homens da Terra,
E aos anjos dos céus...

Meu coração não mais vai calar
Meu amor,
Meu eterno e infinito amor,
Nem na Terra, nem no céu,
O amor de meu coração vai enfim se derramar
Como o mar!


15 de out de 2015

Canto Estelar

Caminho agora sobre a terra,
A terra macia e quente,
Do sol, da vida, que hoje me aquece,
E me anima.

Mas meus braços,
Tão longos, compridos,
Estendem-se e buscam o céu alcançar,
E suas estrelas tocar...

E do universo infindo,
Ouço uma música tocar,
O Som do silêncio sublime,
Que se desfaz em notas de amar...

E esta magia minhas mãos querem trazer,
Pontas de luz,
Fragmentos de amor estelar,
E sobre a Terra espalhar...

Busco a Luz que há,
No infinito do cosmos,
A suspirar pelas mãos,
Que a queira tragar,
E, quem sabe?
Em poesias de amor
A colocar!

14 de out de 2015

Celebração

Agora me lembro,
Deste passado distante,
De um tempo em que o próprio tempo,
Nem era nascido...

Agora me recordo,
De minha infância nos braços de Teu amor,
De minha infinita felicidade ao lado Teu,
Queria escrever poemas sem fim,
Para celebrar meu amor por Ti,
E Teu amor por mim...

Poemas de amor enfim,
Que falem da ternura de um Pai por uma filha,
De uma filha por um Pai,
Que um dia lhe dá a vida infinita,
De liberdade e amor,
De prazer e alegria...

Já não importam as noites perdidas,
Em prantos de dores esquecidas,
Já não importam tantas vidas adormecidas,
No torvelinho dos tempos passados...

Celebro com gratidão e alegria,
Este reencontro,
Esta magia,
Em minha alma,
Que agora desperta,
Em poesia...

13 de out de 2015

Dom

Ouso pisar a terra sob meus pés,
Mas meu olhar vasculha o céu,
A procura de uma resposta,
Uma resposta que me fale ao coração.

Ouso tocar a terra com minhas mãos,
De nela me ajoelhar,
Mas meus olhos perscrutam o horizonte a perguntar,
Aonde este caminho vai dar?

Pode o sol me queimar,
Pode sua luz me ofuscar,
Mas minha alma ainda está a perguntar:
Até quando irei esperar?

Por um dia de despertar,
Por este dia de me derramar,
Como água,
Que se espalha em chuva benfazeja,
Como fogo,
Que se propaga num incêndio luminoso,
Como vento,
Que carrega todas as dúvidas,
Todos os porquês de uma alma que inquieta carrega,
Um dom misterioso...

12 de out de 2015

Luz ou espada


Hoje sou azul céu
sou branca nuvem
debruço-me no firmamento
equilibro-me no tênue fio do nada ser...

Esvazio-me para flutuar...

É que minha alma
ora navega no céu
se embriaga de luz
e nada mais importa aqui na terra...

E ora se lambuza da lama
úmida, fresca da vida
e deixa o céu e aceita a vida
terrena, humana...

Não sei se é bom ou se ruim
não sei de nada
que não seja este momento
de luz ou de espada!

Ora encravada
em meu terno coração
calado, comovido
ora de tanto amar sofrido...

Ana Liliam

Ninho

Pequena criança
toma como presente
este momento de ternura
e de amor possível,
feito de terra e húmus
tão humano!

Toma este amor
verdadeiro e raro
e esquece as fantasias
que nos levam para longe,
para longe, aos amores impossíveis!

Aqui de baixo,
em nosso ninho de mafagafos
entrelaçados,
vislumbramos o céu estrelado,
e do alto as estrelas nos olham,
com os olhos dos santos,
das almas benditas,
e assim descansamos
abençoados!

Não te esquece
tenra criança,
que do alto eles torcem
por nosso destino,
que depende de mim
e de ti,
que hoje sorri!

Ana Liliam

17 de set de 2015

ANTES DE NASCER O MUNDO

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Mia Couto

Eu nasci para estar calado.
Minha única vocação é o silêncio.

Foi meu pai que me explicou:
tenho inclinação para não falar,
um talento para apurar silêncios.

Escrevo bem, silêncios, no plural.
Sim, porque não há um único silêncio.
E todo o silêncio é música em estado de gravidez.

Quando me viam, parado e recatado,
no meu invisível recanto,
eu não estava pasmado.

Estava desempenhado, de alma e corpo ocupados:
tecia os delicados fios com que se fabrica a quietude.

Eu era um afinador de silêncios.

enviado por Luiza Frade
http://luizafrade.wordpress.com/category/movimento-autentico/
https://luizafrade.wordpress.com/category/curriculo/

27 de ago de 2015

EDUCAÇÃO FINANCEIRA


MARTHA MEDEIROS


Dormir tranquila sem me preocupar com dívidas e poder viajar de vez em quando: é o que faz de mim uma milionária, no meu ponto de vista. Nada a ver com fortuna em banco, e sim em poder desfrutar essas duas condições fundamentais para meu equilíbrio. Raramente compro a prazo, nunca usei cheque especial, gasto o que tenho e, se não tenho, não gasto. Mesmo quando estou mais folgada de grana, não deixo de pesquisar preço no supermercado e, se algo não vale o que está sendo cobrado, não compro. Qualquer etiqueta que chegue aos três dígitos me faz recuar e pensar.

Sou milionária porque posso comprar flores frescas para casa e vinho para minhas refeições. Posso pagar um convênio de saúde particular e investir em livros, cursos, shows. Posso colocar combustível no carro e ter um carro – ainda que já não veja grande vantagem em ter um carro.

Sou milionária, antes de tudo, porque não preciso dizer sim para todas as propostas que chegam, e essa liberdade é inegociável. Hoje, posso abrir mão daquilo que sei que não realizaria com prazer. Não agarro com sofreguidão qualquer oportunidade de somar zeros na minha conta. Faço apenas o que quero e gosto, sem ser regida pelo mais + mais + mais. Meu conceito de luxo não envolve grifes exclusivas e vida de princesa. Poder fazer escolhas atendendo apenas à minha vontade e à minha consciência, sem nenhum tipo de pressão, é o que de mais valioso conquistei até aqui.

Claro que não foi sempre assim. Aos 19 anos, trabalhava de manhã e à tarde e estudava à noite. Nunca parei de trabalhar desde então. Já varei madrugadas acordada e fiz muitos plantões em finais de semana. Eu me virava como se viram todas as pessoas. A maior parte delas, a vida inteira.

A tranquilidade veio de uns poucos anos para cá. Mas a educação financeira veio desde cedo, desde a casa de meus pais. Expressões como calote, agiota e ficar no vermelho não faziam parte do vocabulário da família. Dívidas só eram contraídas com o objetivo de investir, nunca para consumir. Pagar as contas em dia era uma religião, só se gastava com supérfluo o que sobrasse – se sobrasse. Honrar o nome era sagrado, nosso patrimônio maior.

Hoje, o Rio Grande do Sul está falido por não ter seguido os conceitos básicos da educação financeira. No entanto, muitos que criticam a atual situação do Estado agem da mesma forma como pessoas físicas. Compreendo que quem ganha uma merreca (a maioria) precise fazer malabarismo com o que ganha, mas mesmo quem nasceu em berço esplêndido tem dificuldade em priorizar: paga R$ 1.500 por um casaco, mas está devendo o condomínio; gasta R$ 300 no salão de beleza, mas atrasa o salário da empregada. Foca na aparência achando que o rombo nunca vai aparecer.

Vale pra tudo e todos: a conta sempre chega.

enviado por Leise

2 de jul de 2015

Despedida


Por mim, e por vós, e por mais aquilo
que está onde as outras coisas nunca estão,
deixo o mar bravo e o céu tranqüilo:
quero solidão.

Meu caminho é sem marcos nem paisagens.
E como o conheces? - me perguntarão.
- Por não ter palavras, por não ter imagens.
Nenhum inimigo e nenhum irmão.

Que procuras? - Tudo. Que desejas? - Nada.
Viajo sozinha com o meu coração.
Não ando perdida, mas desencontrada.
Levo o meu rumo na minha mão.

A memória voou da minha fronte.
Voou meu amor, minha imaginação...
Talvez eu morra antes do horizonte.
Memória, amor e o resto onde estarão?

Deixo aqui meu corpo, entre o sol e a terra.
(Beijo-te, corpo meu, todo desilusão!
Estandarte triste de uma estranha guerra...)

Quero solidão.

Cecília Meireles

9 de mar de 2015

Sobre a amizade...


E um adolescente disse:

“Fala-nos da amizade.”
E ele respondeu, dizendo:
“Vosso amigo é a satisfação de vossas necessidades.
Ele é o campo que semeais com carinho e ceifais com agradecimento.
É vossa mesa e vossa lareira.
Pois ides a ele com vossa fome e o procurais em busca de paz.
Quando vosso amigo expressa seu pensamento, não temais o ‘não’ de vossa própria opinião,
nem prendais o ‘sim’.
E quando ele se cala, que vosso coração continue a ouvir o seu coração, porque na amizade,
todos os desejos, ideais, esperanças, nascem e são partilhados sem palavras, numa alegria
silenciosa.
Quando vos separais de vosso amigo, não vos aflijais.
Pois o que amais nele pode tornar-se mais claro na sua ausência, como para o
alpinista a montanha aparece mais clara, vista da planície.
E que não haja outra finalidade na amizade a não ser o amadurecimento do espírito.
Pois o amor que procura outra coisa a não ser a revelação de seu próprio mistério não é amor,
mas uma rede armada, e somente o inaproveitável é nela apanhado.
E que o melhor de vós próprios seja para vosso amigo.
Se ele deve conhecer o fluxo de vossa maré, que conheça também o seu refluxo.
Pois, que achais seja vosso amigo para que o procureis somente a fim de matar o tempo?
Procurai-o sempre com horas para viver: o papel do amigo é de encher vossa necessidade,
não vosso vazio.
E na doçura da amizade, que haja risos e o partilhar dos prazeres.
Pois no orvalho de pequenas coisas, o coração encontra sua manhã e sente-se refrescado.”

Gibran Khalil Gibran

enviado por Luciene

15 de fev de 2015

BUNDA OU PEITO?


por Fabio Brazza

Você prefere bunda ou peito?
Me perguntou um sujeito.
A pergunta é bem profunda,
Respondi meio sem jeito
Gosto da primeira e da segunda
mas por incrível que pareça,
nem o peito e nem a bunda eu prefiro a cabeça!
Ele fez cara de desalento, e me encarou por um momento
Pra evitar mal entendido tratei de explicar meu argumento
A bunda e o peito servem apenas de adorno
É algo que fica somente no entorno
E quem valoriza muito a CARNE é candidato a virar CORNO!
Vê se não me confunda, eu disse assim ao sujeito
Eu amo muito uma bunda, também não desfaço do peito
Mas uma mulher de respeito não ostenta a aparência
Pois sabe bem que sua beleza se encontra em sua essência
É esta mulher meu amigo que desvenda dilemas,
que inspira poemas e desperta o amor
É esta mulher meu amigo que emana PODER sem PERDER o PUDOR
Pois ainda que ela envelheça, e o peito caia e a bunda desça,
Ah se ela tem uma cabeça... nunca perde seu valor!

14 de fev de 2015

Se amar fosse fácil...


Se amar fosse fácil,
não haveria tanta gente amando mal,
nem tanta gente mal amada.

Se amar fosse fácil,
não haveria tanta fome,
nem tantas guerras,
nem gente sem sobrenome.

Se amar fosse fácil,
não haveria crianças nas ruas
sem ter ninguém,
nem haveria orfanatos,
porque as famílias serenas
adotariam mais filhos,
nem filhos mal concebidos,
nem esposas mal amadas,
nem mixês, nem prostitutas.

E nunca ninguém negaria
o que jurou num altar,
nem haveria divórcio
e nem desquite, jamais...

Se amar fosse tão fácil,
não haveria assaltantes
e as mulheres gestantes
não tirariam seu feto,
nem haveria assassinos,
nem preços exorbitantes
nem os que ganham demais,
nem os que ganham de menos.

Se amar fosse tão fácil
nem soldados haveria,
pois ninguém agrediria,
no máximo ajudariam
no combate ao cão feroz.

Mas o amor é sentimento
que depende de um "eu quero",
seguido de um "eu espero";
e a vontade é rebelde,
o homem, um egoísta que maximiza
seu "eu"... por isso, o amor é difícil.

Jesus Cristo não brincava
quando nos mandou amar.
E, quando morreu amando.
deu a suprema lição.

Não se ama por ser fácil,
ama-se porque é preciso!

autoria desconhecida, enviado por Irene

20 de jan de 2015

Trechos do livro "O Arroz de Palma" de Francisco Azevedo


Família é prato difícil de preparar. São muitos ingredientes. Reunir todos é um problema...Não é para qualquer um. Os truques, os segredos, o imprevisível. Às vezes, dá até vontade de desistir...Mas a vida... sempre arruma um jeito de nos entusiasmar e abrir o apetite. O tempo põe a mesa, determina o número de cadeiras e os lugares. Súbito, feito milagre, a família está servida. Fulana sai a mais inteligente de todas. Beltrano veio no ponto, é o mais brincalhão e comunicativo, unanimidade. Sicrano, quem diria? Solou, endureceu, murchou antes do tempo. Este é o mais gordo, generoso, farto, abundante. Aquele, o que surpreendeu e foi morar longe. Ela, a mais apaixonada. A outra, a mais consistente...Já estão aí? Todos? Ótimo. Agora, ponha o avental, pegue a tábua, a faca mais afiada e tome alguns cuidados. Logo, logo, você também estará cheirando a alho e cebola. Não se envergonhe de chorar. Família é prato que emociona. E a gente chora mesmo. De alegria, de raiva ou de tristeza. Primeiro cuidado: temperos exóticos alteram o sabor do parentesco. Mas, se misturadas com delicadeza, estas especiarias, que quase sempre vêm da África e do Oriente e nos parecem estranhas ao paladar tornam a família muito mais colorida, interessante e saborosa. Atenção também com os pesos e as medidas. Uma pitada a mais disso ou daquilo e, pronto: é um verdadeiro desastre. Família é prato extremamente sensível. Tudo tem de ser muito bem pesado, muito bem medido. Outra coisa: é preciso ter boa mão, ser profissional. Principalmente na hora que se decide meter a colher. Saber meter a colher é verdadeira arte. Uma grande amiga minha desandou a receita de toda a família, só porque meteu a colher na hora errada. O pior é que ainda tem gente que acredita na receita da família perfeita. Bobagem. Tudo ilusão. Não existe Família à Oswaldo Aranha; Família à Rossini, Família à Belle Manière; Família ao Molho Pardo (em que o sangue é fundamental para o preparo da iguaria). Família é afinidade, é à Moda da Casa. E cada casa gosta de preparar a família a seu jeito. Há famílias doces. Outras, meio amargas. Outras apimentadíssimas. Há também as que não têm gosto de nada, seria assim um tipo de Família Dieta, que você suporta só para manter a linha. Seja como for, família é prato que deve ser servido sempre quente, quentíssimo. Uma família fria é insuportável, impossível de se engolir.

Enfim, receita de família não se copia, se inventa. A gente vai aprendendo aos poucos, improvisando e transmitindo o que sabe no dia a dia. A gente cata um registro ali, de alguém que sabe e conta, e outro aqui, que ficou no pedaço de papel. Muita coisa se perde na lembrança. Principalmente na cabeça de um velho já meio caduco como eu. O que este veterano cozinheiro pode dizer é que, por mais sem graça, por pior que seja o paladar, família é prato que você tem que experimentar e comer. Se puder saborear, saboreie. Não ligue para etiquetas. Passe o pão naquele molhinho que ficou na porcelana, na louça, no alumínio ou no barro.

Aproveite ao máximo. Família é prato que, quando se acaba, nunca mais se repete.

19 de jan de 2015

ENTREVISTA COM UM MÉDICO TIBETANO: LAMA TULKU LOBSANG


Quando um paciente chega para consulta, como o senhor sabe qual o problema?
R – Olhando como ele se move, sua postura, seu olhar. Não é necessário que fale nem explique o que se passa. Um doutor de medicina tibetana experiente sabe do que sofre o paciente a 10 m de distância.

Mas o senhor também verifica seus pulsos.
R – Assim obtenho a informação que necessito sobre a saúde do paciente. Com a leitura do ritmo dos pulsos é possível diagnosticar cerca de 95% das enfermidades, inclusive psicológicas. A informação dada por eles é precisa como um computador. Para lê-los, é necessária muita experiência.

E depois, como realiza a cura?
R – Com as mãos, o olhar e preparados de plantas e minerais.

Segundo a medicina tibetana, qual é a origem das doenças?
R – Nossa ignorância.

Então, perdoe a minha, mas o que entender por ignorância?
R – Não saber que não sabe. Não ver com clareza. Quando vemos com clareza, não temos que pensar. Quando não vemos claramente, colocamos o pensamento para funcionar. E, quanto mais pensamos, mais ignorantes somos, mais confusão criamos.

Como posso ser menos ignorante?
R – Vou ensinar um método muito simples: praticando a compaixão. É a maneira mais fácil de reduzir os pensamentos. E o amor. Se amamos alguém de verdade, se não o queremos só para nós, aumentamos a compaixão.

Que problemas percebe no Ocidente?
R – O medo. O medo é o assassino do coração humano.

Por quê?
R – Porque, com medo, é impossível ser feliz e fazer felizes os outros.

Como enfrentar o medo?
R – Com aceitação. O medo é resistência ao desconhecido.

Como médico, em que parte do corpo vê mais problemas?
R – Na coluna, na parte baixa da coluna: as pessoas permanecem sentadas tempo demais na mesma posição. Com isso, se tornam rígidas demais.

Temos muitos problemas.
R: Acreditamos ter muitos problemas, mas, na realidade, nosso problema é que não os temos.

O que isso quer dizer?
R – Que nos acostumamos a ter nossas necessidades básicas satisfeitas, de modo que qualquer pequena contrariedade nos parece um problema. Então, ativamos a mente e começamos a dar voltas e mais voltas sem conseguir solucioná-la.

Alguma recomendação?
R – Se o problema tem solução, já não é um problema. Se não tem, também não.

E para o estresse?
R – Para evitá-lo, é melhor estar louco.

???
R – É uma piada. Mas não tão piada assim. Eu me refiro a ser ou parecer normal por fora e, por dentro, estar louco: é a melhor maneira de viver.

Que relação o senhor tem com sua mente?
R – Sou uma pessoa normal, penso o tempo todo. Mas tenho a mente treinada. Isso quer dizer que não sigo meus pensamentos. Eles vêm, mas não afetam nem minha mente, nem meu coração.

O senhor ri muito?
R – Quando alguém ri nos abre seu coração. Se você não abre seu coração, é impossível entender o humor. Quando rimos, tudo fica claro. Essa é a linguagem mais poderosa que nos conecta uns aos outros diretamente.

O senhor acaba de lançar um CD de mantras com base eletrônica, para o público ocidental.
R – A música, os mantras e a energia do corpo são a mesma coisa. Como o riso, a música é um grande canal para nos conectar com o outro. Por meio dela, podemos nos abrir e nos transformar: assim, usamos a música em nossa tradição.

O que gostaria de ser quando ficar mais velho?
R: Gostaria de estar preparado para a morte.

E mais nada?
R – O resto não importa. A morte é o mais importante da vida. Creio que já estou preparado. Mas, antes da morte, devemos nos ocupar da vida. Cada momento é único. Se damos sentido à nossa vida, chegamos à morte com paz interior.

Aqui vivemos de costas para a morte.
R: Vocês mantêm a morte em segredo. Até que chegará um dia em sua vida em que já não será um segredo: não será possível escondê-la.

E qual o sentido da vida?
R – A vida tem sentido e não tem. Depende de quem você é. Se você realmente vive sua vida, então a vida tem sentido. Todos têm vida, mas nem todos a vivem. Todos temos direito a sermos felizes, mas temos que exercer esse direito. Do contrário, a vida não tem sentido.

(Traduzido do original em espanhol disponível em http://www.abchoy.com.ar/leercreaconciencia.asp?id=95250)

Texto revisado – Por: Maísa Intelisano


(Tradução de Maísa Intelisano) – via: STUM

http://thesecret.tv.br/2014/09/entrevista-com-um-medico-tibetano-lama-tulku-lobsang-vale-a-pena-ler/
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