O vento e o mar


A vida, tão amiga, me ensina a amar. Em lições doces e delicadas, em intocadas flores, que perfumam de odores minha alma apaixonada. E a dor se fez luz, e na luz compreendi enfim, que a paixão é mera ilusão, projeção de um coração que incompleto pensava ser...

Mas a vida, tão amiga, clareia os recônditos do meu ser. Levanta os véus, e já não me vejo incompleta, mas perfeita. Já não me vejo em pedaços, mas inteira. Bela é a vida que nos mostra que somos como o mar: profundo e desconhecido em seus abismos submersos, que escondem tesouros e segredos a desvendar...

Meu coração de poetisa, meu coração apaixonado, encontra outras portas, outros quartos, doravante abertos, iluminados. E o vento que sopra lá fora, invade as janelas do meu ser, levanta os véus de muitos cômodos, busca caminhos esquecidos pelo tempo...

O vento que bate lá fora sopra meu rosto, meus cabelos soltos, torna a mim mesma vento a soprar. Livre como o vento eu sou. Encontro o mar, o mar de amar, o mar de ser, de me desmanchar...

O vento e o mar, estou a navegar nesta viagem errante, de terra e mar, em busca dos continentes, de praias e penhascos. Em busca dos céus coloridos de muitos sóis, das noites enluaradas, dos chamados de muitas estrelas...

Estou eu a navegar, aonde este vento, que venta em meu ser, me levar...

Ana Liliam

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