Letras são como estrelas, a guiar o viajante disperso, a uma praia, porto, lugar qualquer, onde possa raiar o dia, onde almas, mentes, corações, possam se encontrar, viver um espaço de beleza maior...

27 de nov de 2011

Deusa

Procura-se uma deusa,
Que seja ao mesmo tempo menina e mulher,
E mesmo anciã quando bem lhe aprouver!

Uma deusa que dança entre as estrelas,
Que bebe o orvalho das manhãs,
Transpira o sereno das noites,
E nua se banha no mar.

Que se veste de folhas, e enfeita os cabelos com as flores que encontrar.
Uma deusa que gosta de parir meninos e meninas de todas as raças e cores,
Que acaricia os enfermos,
Reza orações aos moribundos, e beija na boca os que morrem.

Essa deusa tem cheiro de lua quando desponta no céu,
Ela corre livre com os lobos e voa com as águias,
Depois ri quando chapinha os pés na lama!

Ela salta descalça as fogueiras,
E fagueira deixa os seios a mostra quando deixa cair a alça do vestido,
E ainda acha graça dos homens que flagram sua beleza!

Não é por maldade, que isto ela não tem,
É quase pura ingenuidade...

Ela se diverte quebrando os copos da casa,
E quando faz o bolo derramar no forno!
Ela come as migalhas com os passarinhos,
E sobe nas árvores para ver seus ninhos.

Ela está sempre dançando,
Cantarolando as canções que ouve no vento,
Beijando os homens desatentos,
Desamarrando as fitas que vê no caminho...

Ela nem dorme, ou só finge que dorme,
Para melhor sonhar acordada...
Não sei bem o porquê,
Acho que logo vou encontrá-la,
Quem sabe bem guardada na dobra de meu vestido...

Ana Liliam

23 de nov de 2011

Jardineiro de Deus


"Sou um jardineiro, tenho sementes de inspiração, lembro a meus irmãos da beleza desde agora, ajudo a que se descubra o presente, obséquio que a vida mesma nos dá. Sou um farol de Luz, animo e me animo a saber que é possível, sim, é possível plasmar os sonhos, se abrirmos as janelas do sentir e enxergamos essa fonte de ternura. Vejo a Luz em cada situação, enxergo em cada Ser uma Luz brilhante que dissipa toda a obscuridade. Tudo está completo. Tudo é Deus. Eu Sou uma expressão de Deus."

de Lucidor Flores, enviado por Wilson

22 de nov de 2011

De repente 60...



De forma despretensiosa, inscrevi um texto no concurso Premios Longevidade Bradesco Histórias de Vida.
Estou chegando de São Paulo, onde fui participar da premiação.

Mandaram um motorista me buscar e me trazer e fiquei num super-hotel nos Jardins, acompanhada de meu príncipe consorte rsrsrssr.

Entre quase 200 concorrentes, conquistei o 3o lugar, com direito a troféu e diploma.

Mas, sinto como se tivesse recebido o Oscar, pois os primeiros colocados foram  jovens que trabalharam por alguns anos para escrever histórias que mereciam ser contadas.

Meu texto foi o único produzido pela própria protagonista.

O tema central era o relacionamento inter-geracional.

Quase caí da cadeira quando Nicete Bruno, jurada especial me perguntou: "Você é a Regina? Queria muito conhecê-la. Adorei seu texto!!"

Tive, ainda, o privilégio de ser fotografada ao lado da convidada especial, Shirley MacLaine.

É muita emoção, que gostaria de compartilhar com vocês.

Abaixo, o texto premiado.
Beijos,
Regina de Castro Pompeu

DE REPENTE 60 (ou 2x30)

Ao completar sessenta anos, lembrei do filme “De repente 30”, em que a adolescente, em seu aniversário, ansiosa por chegar logo à idade adulta, formula um desejo e se vê repentinamente com trinta anos, sem saber o que aconteceu nesse intervalo.

Meu sentimento é semelhante ao dela: perplexidade. Pergunto a mim mesma: onde foram parar todos esses anos?

Ainda sou aquela menina assustada que entrou pela primeira vez na escola, aquela filha desesperada pela perda precoce da mãe; ainda sou aquela professorinha ingênua que enfrentou sua primeira turma, aquela virgem sonhadora que entrou na igreja, vestida de branco, para um casamento que durou tão pouco!Ainda sou aquela mãe aflita com a primeira febre do filho que hoje tem mais de trinta anos. Acho que é por isso que engordei, para caber tanta gente, é preciso espaço!

Passei batido pela tal crise dos trinta, pois estava ocupada demais lutando pela sobrevivência.
Os quarenta foram festejados com um baile, enquanto eu ansiava pela aposentadoria na carreira do magistério, que aconteceu quatro anos depois.

Os cinquenta me encontraram construindo uma nova vida, numa nova cidade, num novo posto de trabalho.
Agora, aos sessenta, me pergunto onde está a velhinha que eu esperava ser nesta idade e onde se escondeu a jovem que me olhava do espelho todas as manhãs.

Tive o privilégio de viver uma época de profundas e rápidas transformações em todas as áreas: de Elvis Presley e Sinatra a Michael Jackson, de Beatles e Rolling Stones a Madonna, de Chico e Caetano a Cazuza e Ana Carolina; dos anos de chumbo da ditadura militar às passeatas pelas diretas e empeachment do presidente a um novo país misto de decepções e esperanças; da invenção da pílula e liberação sexual ao bebê de proveta e o pesadelo da AIDS. Testemunhei a conquista dos cinco títulos mundiais do futebol brasileiro (e alguns vexames históricos).

Nasci no ano em que a televisão chegou ao Brasil, mas minha família só conseguiu comprar um aparelho usado dez anos depois e, por meio de suas transmissões,vi a chegada do homem à lua, a queda do muro de Berlim e algumas guerras modernas.

Passei por três reformas ortográficas e tive de aprender a nova linguagem do computador e da internet. Aprendi tanto que foi por meio desta que conheci, aos cinquenta e dois anos, meu companheiro, com quem tenho, desde então, compartilhado as aventuras do viver.

Não me sinto diferente do que era há alguns anos, continuo tendo sonhos, projetos, faço minhas caminhadas matinais com meu cachorro Kaká, pratico ioga, me alimento e durmo bem (apesar das constantes visitas noturnas ao banheiro), gosto de cinema, música, leio muito, viajo para os lugares que um dia sonhei conhecer.

Por dois anos não exerci qualquer atividade profissional, mas voltei a orientar trabalhos acadêmicos e a ministrar algumas disciplinas em turmas de pós-graduação, o que me fez rejuvenescer em contato com os alunos, que têm se beneficiado de minha experiência e com quem tenho aprendido muito mais que ensinado.
Só agora comecei a precisar de óculos para perto (para longe eu uso há muitos anos) e não tinjo os cabelos, pois os brancos são tão poucos que nem se percebe (privilégio que herdei de meu pai, que só começou a ficar grisalho após os setenta anos).

Há marcas do tempo, claro, e não somente rugas e os quilos a mais, mas também cicatrizes, testemunhas de algumas aprendizagens: a do apêndice me traz recordações do aniversário de nove anos passado no hospital; a da cesárea marca minha iniciação como mãe e a mais recente, do câncer de mama (felizmente curado), me lembra diariamente que a vida nos traz surpresas nem sempre agradáveis e que não tenho tempo a perder.

A capacidade de fazer várias coisas ao mesmo tempo diminuiu, lembro de coisas que aconteceram há mais de cinquenta anos e esqueço as panelas no fogo.

Aliás, a memória (ou sua falta) merece um capítulo à parte: constantemente procuro determinada palavra ou quero lembrar o nome de alguém e começa a brincadeira de esconde-esconde. Tento fórmulas mnemônicas, recito o alfabeto mentalmente e nada! De repente, quando a conversa já mudou de rumo ou o interlocutor já se foi, eis que surge o nome ou palavra, como que zombando de mim...

Mas, do que é que eu estava falando mesmo? Ah, sim, dos meus sessenta.

Claro que existem vantagens: pagar meia-entrada (idosos, crianças e estudantes têm essa prerrogativa, talvez porque não são considerados pessoas inteiras), atendimento prioritário em filas exclusivas, sentar sem culpa nos bancos reservados do metrô e a TPM passou a significar “Tranquilidade Pós-Menopausa”.

Certamente o saldo é positivo, com muitas dúvidas e apenas uma certeza: tenho mais passado que futuro e vivo o presente intensamente, em minha nova condição de mulher muito sex...agenária!

enviado por Leise!

19 de nov de 2011

Velha

 
Deixe-me ser velha,
Tão velha quanto a mais velha,
Que a mãe, da mãe, da mãe...
Deixe que meus peitos desçam até o umbigo,
Que minha pele se enrugue e se dobre em mil pregas,
Que meus olhos sejam quase brancos,
E meu cabelo seja como um rio prateado descendo a montanha...
Deixe que eu me curve e encolha
Até ficar do tamanho de uma criança,
Que minhas mãos tremulem e meus passos sejam trôpegos,
E que meus ouvidos só ouçam a música do vôo de uma libélula...
Tão velha que a mais velha,
Tão velha que até a morte se esqueceu de levar...
E inocente serei para contar as piadas mais sujas,
Para ninar nos braços os netinhos que nascem,
Para saber magia e os feitiços que curam,
Para cantarolar as canções que mais ninguém se lembra,
Para varrer os quintais e falar com as aves,
Para correr livre pelos caminhos dos homens e dos anjos,
E então um dia, quando o sol nascer,
Num sopro serei a brisa que embala as asas
De uma linda borboleta azul...

Ana Liliam

16 de nov de 2011

Poeira das estrelas


Faz muito tempo
em que de casa saí,
deixando para trás os rastros da poeira
luminosa das estrelas...
E embora tu me tenhas dado toda a liberdade
que eu jamais sonharia ter,
ainda sim eu quis viver,
longe do teu olhar amoroso...
E foi assim que parti,
e me perdi,
no turbilhão de ilusões
de um planetinha ansioso...
E foi porque eu quis,
e dei as costas para ti,
para criar um mundo de sonhos
que só parecem reais para mim...
E te esquecer foi minha maior dor,
e nas sombras eu vivi
longe do teu amor,
e tanto medo eu senti,
que calei dentro de mim...
E troquei nossa paz
pela angústia
nas trilhas incertas que segui...
E meu único alento
é a lembrança de que um dia
eu fui feliz junto de ti...
E aqui neste lugar
no qual eu fiz meu lar
tu me dizes que estás
junto de mim!
Nunca me esquecestes enfim!
E na lembrança do teu amor
escolho ficar,
espalhar a luz do rastro da poeira das estrelas
bem aqui,
neste lugar!

14 de nov de 2011

No frigir dos ovos...


Não é à toa que os estrangeiros acham nossa língua tão difícil!
Como a língua portuguesa é rica em expressões!
Achei interessante, porque demonstra o quanto o vocabulário
"alimentar" está presente nas nossas metáforas do dia-a-dia. Aí vai.

Pergunta:

Alguém sabe me explicar, num português claro e direto, sem figuras de linguagem, o que quer dizer a expressão "no frigir dos ovos"?

Resposta: Quando comecei, pensava que escrever sobre comida seria sopa no mel, mamão com açúcar. Só que depois de um certo tempo dá crepe, você percebe que comeu gato por lebre e acaba ficando com uma batata quente nas mãos. Como rapadura é doce mas não é mole, nem sempre você tem ideias e pra descascar esse abacaxi só metendo a mão na massa. E não adianta chorar as pitangas ou, simplesmente, mandar tudo às favas.

Já que é pelo estômago que se conquista o leitor, o negócio é ir comendo o mingau pelas beiradas, cozinhando em banho-maria, porque é de grão em grão que a galinha enche o papo.

Contudo, é preciso tomar cuidado para não azedar, passar do ponto, encher linguiça demais. Além disso, deve-se ter consciência de que é necessário comer o pão que o diabo amassou para vender o seu peixe. Afinal, não se faz uma boa omelete sem antes quebrar os ovos.

Há quem pense que escrever é como tirar doce da boca de criança e vai com muita sede ao pote. Mas como o apressado come cru, essa gente acaba falando muita abobrinha, são escritores de meia tigela, trocam alhos por bugalhos e confundem Carolina de Sá Leitão com caçarolinha de assar leitão.

Há também aqueles que são arroz de festa; com a faca e o queijo nas mãos, eles se perdem em devaneios (piram na batatinha, viajam na maionese... etc.). Achando que beleza não põe mesa, pisam no tomate, enfiam o pé na jaca, e no fim quem paga o pato é o leitor, que sai com cara de quem comeu e não gostou.

O importante é não cuspir no prato em que se come, pois os leitores não são farinha do mesmo saco. Diversificar é a melhor receita para engrossar o caldo e oferecer um texto de se comer com os olhos, literalmente.

Por outro lado, se você tiver os olhos maiores que a barriga, o negócio desanda e vira um verdadeiro angu de caroço. Aí, não adianta chorar sobre o leite derramado, porque ninguém vai colocar uma azeitona na sua empadinha, não. O pepino é só seu, e o máximo que você vai ganhar é uma banana, afinal pimenta nos olhos dos outros é refresco...

A carne é fraca, eu sei. Às vezes dá vontade de largar tudo e ir plantar batatas. Mas quem não arrisca não petisca, e depois, quando se junta a fome com a vontade de comer, as coisas mudam da água pro vinho.

Embananar-se, de vez em quando, é normal, o importante é não desistir, mesmo quando o caldo entornar. Puxe a brasa pra sua sardinha, que no frigir dos ovos a conversa chega na cozinha e fica de se comer rezando. Daí, com água na boca, é só saborear, porque o que não mata engorda.

Entendeu o que significa “no frigir dos ovos”?  

desconheço o autor, mas foi enviado por Delfina               

Portal 11.11.11


Rio de Janeiro
praia da Barra
estacionamos o carro em algum lugar da reserva
aonde estamos mesmo?
Já na praia olhamos para a numeração do posto:
posto 11.
Será coincidência?
Dia 11 de novembro de 2011!
Praia deserta!
Água limpa, maré baixa
formam-se rasos bancos de areia e piscinas naturais...
Tudo que gosto, mas a água...
Gelada!
Caminhamos na manhã fresquinha
até que encontro a piscina ideal!
Aos pouquinhos chego até a água na cintura
que gelo!
Coragem cadê?
Molho braços e rosto
quer saber?
Portal 11 do 11 do 11,
aqui vou eu!
Um mergulho,
mais dois para completar,
agora começo a sentir um calor por dentro
é a vasodilatação...
Passo para a parte mais rasa
caminho em direção do mar
aproveitando o raso banco de areia que se estende adiante
hora de refazer os compromissos com o alto
e caminhar mais longe...
Os pés dormentes de frio me acompanharão por mais algum tempo!

6 de nov de 2011

Brancas Cortinas


Lendo isso agora, parece que cheguei lá...

Cortinas brancas velam meus sonhos...
Dançam no vento um balé de esperanças e luzes,
Ou talvez sejam as velas de uma nau incerta,
Que os ventos céleres carregam rumo ao desconhecido...
Quem saberá? Quem estará lá a minha espera?
O que me aguarda sobre o véu branco do destino?
Imagino sorrisos amigos,
Fortes abraços!
Sonho com este espaço feito de luz e beleza,
De encontros e certezas,
Feito útero que acolhe e nutri,
Feito música que envolve e nos leva
Na velocidade das galáxias a uma outra estação...
São sonhos, como tênues cortinas brancas,
Portais luminosos para a paz,
Para algum lugar, algum tempo,
Que ainda estou a aguardar.

Ana Liliam



3 de nov de 2011

POESIA


Tudo tem sua hora na vida,
Até as potencialidades adormecidas
Tomam formas divertidas,
Verso, prosa, poesia!

É que a vida
Em minhas veias se inicia,
E desnuda a beleza que jazia
Em altos muros escondida....

Na luz, em alegria,
Dançam palavras e rimas,
Que caem no papel em total magia,
A cantar o amor que por ti sentia...

Perdoa as letras tão tardias,
Ninguém tem culpa desta profecia
Que só agora se realiza,
Em verso, prosa, poesia!

A vida de concreto é em demasia,
Deixa me trazer um punhado de fantasia,
Sonhos, miragens, alegoria,
Que o coração não concebia...

Ana Liliam
Related Posts with Thumbnails